Elos Clube de Tavira

Agosto 05 2010

 

http://formaementis.files.wordpress.com/2008/08/ferdinand_magellan.jpg

 

 

AGENTE SECRETO AO SERVIÇO DO REI D. MANUEL I DE PORTUGAL? (*)

 

 

RESUMO

 

O navegador português Fernão de Magalhães não terá sido um traidor ao seu país, ao promover uma expedição às Molucas sob a égide do Rei de Espanha Carlos I (futuro Imperador Carlos V). Pelo contrário, terá sido um agente secreto de D. Manuel I para que Portugal pudesse vir a negociar com a Espanha, em condições mais favoráveis, a aquisição das Molucas, o que viria a acontecer em 1529 (já durante o reinado de D. João III), mediante o Tratado de Saragoça.

 

Pensava-se, à época, que as Molucas (ilhas ricas em especiarias) estariam localizadas no hemisfério que o Tratado de Tordesilhas reservara para Espanha, pelo que, para Portugal poder propor ao país vizinho a aquisição daquelas ilhas era essencial que a Espanha as pudesse conhecer directamente, acedendo a elas através dum caminho marítimo situado no hemisfério da sua influência.

 

Foi, assim, Fernão de Magalhães incumbido pelo rei D. Manuel I da missão de efectuar a viagem que daria a conhecer, a Espanha, as ilhas Molucas.

 

José Mattos e Silva – jmatosilva@gmail.com

António Mattos e Silva – antoniomatosilva@hotmail.com

 

(*) A investigação constante deste artigo foi candidata ao “A. H. de Oliveira Marques Prize for Best Article on Portuguese History published in 2009”

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 21:50
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Maio 20 2010

 

 

Título: BRASIL, a construção de um continente – o legado da colonização portuguesa

 

Autor: António Neto Guerreiro

 

Editora: Espaço Editorial, São Paulo, Brasil

 

Edição: 2009

 

 

Instigado por opiniões que considera deturpadas e rancorosas sobre o processo de colonização do Brasil, António Neto Guerreiro parte neste livro para o resgate do legado dos portugueses em terras brasileiras. Refuta chavões repetidos aos quatro ventos como o de que os portugueses vinham ao Brasil só para fazer fortuna rápida e voltar para Lisboa; que condenados e degredados foram responsáveis pela colonização, que o sistema de Capitanias hereditárias estaria na origem da falência do Estado Brasileiro, entre outros pontos.

 

Além de refutar essas críticas, Neto Guerreiro dedica alguns títulos a uma comparação entre o desenvolvimento dos EUA e o do Brasil. Explica como os dois gigantes da América se distanciaram no curso da História, com prejuízo para os brasileiros. Ressalta que no período colonial o Brasil era bastante mais desenvolvido – em termos territoriais, populacionais, económicos e culturais – do que as Treze Colónias que em 1776 dariam origem aos EUA.

 

Por fim, enfatiza o atraso brasileiro como fruto da corrupção estimulada por uma guerra política interminável no seio das elites brasileiras, sem participação da maioria da população. Mas o que realmente moveu o Autor a escrever esta história foi a sua perplexidade de ver um Brasil gigante e repleto de recursos naturais com tanta pobreza e miséria.

 

 

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:12
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Maio 05 2010

 

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Terá sido a partir de Leiria que D. Afonso Henriques decidiu fazer uma surtida contra Sevilha em retaliação contra as permanentes investidas muçulmanas sobre o território português que frequentemente chegavam tão longe como os campos do Mondego.

 

Desse fossado resultaram grandes ganhos materiais para os cristãos pelo que os muçulmanos se decidiram por perseguir as forças de Ibn al-Rink, o filho de Henrique, a fim de recuperarem os bens de que tinham sido espoliados.

 

Lançada a perseguição, escolheram atacar em território aberto e vazio – a que então se chamava «ourique» – para que os cristãos não dispusessem de defesas naturais a que se pudessem acoitar.

 

Mas as evoluções no terreno e a sorte da batalha determinaram que os muçulmanos deviam fugir de volta a Sevilha deixando mortos espalhados pelo campo da luta e ali mesmo abandonando os peões moçárabes que os haviam acompanhado. Constituindo famílias inteiras, logo foram estes aprisionados por D. Afonso Henriques que dali mesmo marchou até à sua capital nas margens do Mondego.

 

Chegados às proximidades de Coimbra, logo a notícia se espalhou de que eram cativos moçárabes, os cristãos de rito visigótico.

 

Avisado na sua clausura, Teotónio saiu de rompante à rua em direcção ao cortejo que seguia o rei e ao encontrá-lo bradou-lhe rijas palavras em defesa dos cristãos que trazia assim cativos. Logo ali foram os cristãos libertados e Teotónio regressou à clausura em Santa Cruz.

 

Bernardo, Bispo de Coimbra, acérrimo defensor das reformas gregorianas, não terá gostado assim tanto dessa libertação e foi a partir daí que nunca mais houve paz perfeita entre a Ordem de Santa Cruz e a Sé de Coimbra que tanto se empenhou na instauração do novo «Império Romano».

 

Mas no final, foi Teotónio que subiu aos altares.

 

Abril de 2010,

 

 Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA: Mattoso, José – D. Afonso Henriques, pág. 128 e seg. – Círculo de Leitores, ed 2006

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:40
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Abril 24 2010

  Castelo de Tavira e torre da Igreja de Santa Maria, ex-minarete da mesquita

http://quintadorestinga.com/wp-content/uploads/2009/10/castelo.jpg

 

Corria o ano de 1156 e, submetido o Gharb ao novo poder Almóada, decidiu o Emir aniquilar a resistência que se mantinha no Al Andaluz nomeando o seu próprio filho Ibn Said para o cargo de Governador de Córdova e de Sevilha. Pouco depois de assumir a função, Ibn Said nomeou novos Governadores para Silves e para Beja mas nada conseguiu relativamente a Tavira e a Alcácer do Sal, verdadeiras «repúblicas marítimas», que haviam estabelecido uma Aliança de protecção mútua e que, dispondo de importantes frotas militares, facilmente resistiam aos cercos almóadas.

 

Tavira era dirigida pela família Banu al-Wahibi à qual pertencia Ali Ibn al-Wahibi que em 1158 foi convidado pelos habitantes de Alcácer do Sal a assumir a governação da «república» do Sado. Mas a cidade estaria um tanto depauperada pelos frequentes confrontos militares com as forças cristãs e o novo Governador conseguiu secretamente estabelecer um período de tréguas com Ibn al-Rink, o filho de Henrique, ou seja, Afonso Henriques. O pior foi que a população descobriu o segredo e, irada, decapitou-o espetando a cabeça na ponta da lança que se dizia ter-lhe sido oferecida pelo nosso Rei fundador.

 

Alcácer do Sal

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4f/Alcacer_do_Sal_Sado.jpeg

 

Alcácer do Sal não caiu na posse dos Almóadas pois foi conquistada em 1160 pelas forças portuguesas; Tavira manteve o seu estatuto de Taifa independente até 1168 integrando-se então no Califado até que em 11 de Junho de 1239 foi conquistada por D. Paio Peres Correia, Grão-mestre da Ordem de Santiago.

 

Até hoje, sempre cristã.

 

Abril de 2010

 

Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA:

Mattoso, José – D. Afonso Henriques, Círculo de Leitores, Lisboa, Ed. 2006

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:13
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Abril 21 2010

Ai de mim! Abateu-se sobre Sefarad a maldição do Céu

Grande é o luto que desabou sobre o Ocidente.

Eis por que as minhas mãos caíram e de meus olhos, de meus olhos brota água

Como fontes choram os meus olhos pela cidade de Ulissana

Um dia ficou como viúva.

Houve assassinatos e gente esfomeada a gemer por todas as partes

A casa das orações e louvores foi vilmente profanada

E gente estranha, hoste feroz, rasgou de Deus a lei verdadeira.

Eis por que choro, abato as mãos e a minha boca brada lamentações,

Pois não há ninguém tão aflito que, como eu, grite:

Quem me dera que a minha cabeça se desfizesse em água…

  

 

25 de Outubro de 1147, dia da conquista de Lisboa aos mouros, dia em que alguns Cruzados do norte da Europa não respeitaram a disciplina combinada pelos seus Chefes com D. Afonso Henriques, dia em que correu sangue pelas ruas da cidade; o saque, a destruição, a volúpia da conquista.

 

Nesse dia foi assassinado o Bispo moçárabe de Lisboa e arrasada a sinagoga. O Bispo não teve tempo para chorar a destruição da sua igreja; o rabi Abraão Ibn Ezra ainda teve tempo para chorar a desgraça que sobre a cidade se abateu.

 

Sim, nesse dia cessava a governação almorávida de Lisboa, a que permitia tanto o culto judaico como o cristão moçárabe de rito visigótico. Uma sociedade tolerante que em breve seria destronada de todo o Gharb pelos radicais Almóadas sob a acusação de fraqueza e corrupção.

 

Mas Averróis cresceu e floresceu com os Almorávidas e foi com eles que passou à História…

 

Abril de 2010

 

Henrique Salles da Fonseca

 

IMAGEM - http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/conteudo/ed41/rabi01.jpg&imgrefurl=http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp%3Fa%3D190%26p%3D0&usg=__5EATDXdOeWrIfr6TsWixQTOyOIg=&h=210&w=250&sz=12&hl=pt-PT&start=1&um=1&itbs=1&tbnid=WSotBnC3sby0JM:&tbnh=93&tbnw=111&prev=/images%3Fq%3DAbra%25C3%25A3o%252BIbn%252BEzra%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26tbs%3Disch:1

 

BIBLIOGRAFIA:

Mattoso, José – D. Afonso Henriques, pág. 179 – Círculo de Leitores, Ed. 2006

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:40
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Abril 09 2010

Pretendendo Afonso VII de Leão e Castela que o Arcebispo de Braga se submetesse ao Arcebispo de Toledo que se intitulava Primaz de toda a Hispânia, conseguiu que o Papa enviasse o Cardeal Jacinto como seu legado a fim de impor essa hierarquia.

 

Contudo, nem o Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, nem o Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, aceitavam qualquer submissão que não directamente ao Papa.

 

Depois de várias negociações na Galiza e em Castela que saíram goradas, o Cardeal decidiu entrar em Portugal e dirigir-se a Coimbra para impor ao Rei de Portugal a decisão do Papa (leia-se de Afonso VII de Leão e Castela).

 

Os factos poderão não ter ocorrido exactamente como consta da Crónica do inglês Mestre Rogério de Hoveden [Chronica magistri Rogeri de Hoveden (Londres, finais do séc. XII)] – que acompanhou os cruzados ingleses na conquista de Lisboa aos mouros – mas algo de verdade deve o relato conter:

 

Nesse mesmo ano [1187]o Cardeal Jacinto, então legado papal para toda a Hispânia, depôs muitos abades, quer por causa dos seus méritos, quer pelo seu comportamento temerário. Querendo também destituir o Bispo de Coimbra, Afonso, Rei de Portugal, não permitiu que ele o destituísse. Pelo contrário, mandou que o dito Cardeal abandonasse a sua terra imediatamente porque, de contrário, cortar-lhe-ia um pé. Ouvindo isto, esse legado regressou imediatamente a Roma e o Bispo de Coimbra ficou com a sua Diocese em paz.

 

A lenda popular homóloga era bastante mais extensa:

 

E o papa lhe enviou uu cardeal que lhe demonstrasse a fé. Aqueste cardeal veo per casas dos reis de Espanha e honrárom-no muito e dissérom: “Senhor, aqui vos vem uu cardeal de Roma, porque sodes miscrado com o papa, por este bispo que assi fezestes”. El-rei disse: “Nom me arrepeesco”. E dissérom-lhe: “Todos os reis o vêem receber e lhe beijam a mão”. Disse El-rei estonce: “Nom seeria tanto honrado cardeal nem apostólico se i veesse, que me desse a mão a beijar, que lha eu nom cortasse o braço pólo côvado, e desto el nom podia falecer.”

 

E aquestas parávoas houve-as de saber o cardeal, quando chegou a Coimbra, e houve grande medo. El-rei nom quis sair a recebê-lo, e ali teve o cardeal que era mal. E o cardeal, que chegou, foi-se pêra o Alcácer d’el-rei. E el-rei recebeu-o estonces mui bem em seus paaços, e disse-lhe logo: “Cardeal, que veestes aqui fazer, ca de Roma nunca me veo bem senom mal? E qual riqueza me enviou de Roma pêra estas hostes que faço sempre, que nunca quedo de dia nem de noute de guerrear com mouros? E, dom cardeal, se trazedes algo, que me dedes, se nom ide-vos vossa via”. E o cardeal disse: “Eu soo viido por vos demostrar a fé de Jesu Cristo”. El-rei disse: “Tam boos livros temos nos acá, como vós em Roma. E tam bem sabemos que veo Deus em na Virgem Santa Maria, como vós alá, os Romãos. E nom queremos outra cousa de Roma. Mais dem-vos agora todas aquelas cosas que fazem mester, e elas e nós veremos, eu e vós, se Deus quiser”.

 

E o cardeal se foi estonce pêra sua pousada, e mandou logo dar cevada aas sãs bestas e enviou por tôdolos clérigos da cidade quando cantava o galo. E excomungou toda a cidade e cavalgou e foi-se sa carreira. E quando foi a luz andara já ele duas léguas. E el-rei levantou-se de menhãa e disse: “Vamos veer o cardeal”. E os vassalos lhe dissérom: “Senhor, ido é já sa via, e excomungou-vos e todo vosso reino.” E el disse: “Dade-me o meu cavalo e irei após o cardeal”. E dérom-lhe entom o cavalo. E vistiu sa pele e cingiu sa espada e foi depôs ele e alcançou-o em uu lugar que dizem Santa Maria da Vimieira. E deitou-lhe a mão no cabeçam, e sacou a espada e quisera-lhe talhar a cabeça. E dissérom quatro cavaleiros que chegárom: “Senhor, por Deus nom façades, ca, se o cardeal matades, terom os de Roma que de todo em todo sodes herege”. E estonce disse el-rei esta parávoa: “Vós dades a cabeça ao cardeal, ca senom eu a levara dele”. E o cardeal lhe disse: “Rei, nom me façades mal. E qual preito vós quiserdes tal porei convosco”. El-rei disse estonce: “Pois quero que em todos meus dias nom seja Portugal excomungado e que nom levedes daqui ouro nem prata, nem bestas senom três”. E estonce lhe filhou quanto haver lhe achou, e ouro e prata e tôdalas bestas senom três. E disse el-rei: “Esto quero de vós em serviço”. E disse el-rei ao cardeal: “Quero que vós me enviedes carta de Roma que nunca Portugal seja excomungado em todos meus dias, que eu o ganhei com esta minha espada. E quero que me leixêes aquele vosso sobrinho, filho de vossa irmãa, em penhor, atá que seja aqui a carta. E, se a quatro meses aqui nom for a carta, que eu talhe a cabeça a vosso sobrinho”. E veo-lhe a carta aos quatro meses.

 

E dês ali adiante ele foi bispo e arcebispo. E em todos seus dias nem uu nom fez al em toda sa terra senom o que ele quis”.

 

(In “D. Afonso Henriques”, José Mattoso, pág. 198 e seg.)

 

Eis mais um episódio que conduziu ao reconhecimento da independência de Portugal.

 

Abril de 2010,

 

 Henrique Salles da Fonseca

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:36
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Abril 06 2010

 

 

O LIVRO SERÁ LANÇADO EM 16 DE ABRIL NO CONSULADO DE PORTUGAL EM SÃO PAULO

 

Com a presença da maioria dos 15 autores do estudo será lançado o livro “400 ANOS PADRE VIEIRA – Imperador da Língua Portuguesa”, a partir das 19 horas do próximo 16 de Abril, no Consulado Geral de Portugal em São Paulo (Rua Canadá nº. 324). O volume foi recém-lançado pela Fundação Memorial da América Latina com textos sobre o Padre Vieira, apresentados no Colóquio realizado no Memorial de 22 a 24 de Abril de 2008.

 

Trata-se de uma cuidada edição do Memorial que, sob a direção do Dr. Fernando Leça, cada vez mais se destaca no panorama cultural de São Paulo, do Brasil e da América Latina. Com 280 páginas, é uma das mais amplas interpretações da vida e obra vieirinas, graças à colaboração dos professores João Alves das Neves (coordenador e participante do Colóquio de Vieira), assinalando-se igualmente os trabalhos dos ensaístas portugueses Teresa Rita Lopes, José Eduardo Franco, Teodoro Antunes Mendes e António Lopes Machado, assim como dos professores brasileiros Hernani Donato, Carlos Francisco Moura, Eduardo Navarro, Maria Beatriz do Rosário Alcântara, Rita de Cássia Alves, Paulo de Assunção, Raúl Francisco Moura, Vera Helena Pancote Amatti e Luís Antonio Lindo.

 

Outras informações sobre o lançamento da obra em homenagem ao grande escritor e pregador de Portugal e Brasil, que foi o Padre António Vieira, podem ser obtidas na Fundação Memorial da América Latina, que patrocina o evento ao lado do Consulado Geral de Portugal em São Paulo e outras entidades.

 

[Foto_João+II.jpg] João Alves das Neves

http://revistalusofonia.wordpress.com

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:45
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Março 20 2010

 

 
 
 
 A Primeira Aldeia Global
 
 
Título: A Primeira Aldeia Global
            Como Portugal mudou o Mundo
Autor: Martin Page
Editor: Casa das Letras
Edição: 2008
Páginas: 310
 
SINOPSE
 
Quando Jonas foi engolido pelo «grande peixe», tentava apenas escapar para o território que é agora Portugal. Foi aqui que Aníbal encontrou os guerreiros, as armas e o ouro que tornaram possível a sua marcha sobre Roma; e Júlio César, a fortuna que lhe permitiu as conquistas da Gália e da Inglaterra. Durante a Alta Idade Média, mais a norte, os governantes árabes integraram Portugal na civilização mais avançada do mundo. Após a conquista de Lisboa, pelos Normandos, o novo Portugal levou Veneza à bancarrota e tornou-se a nação mais rica da Europa.

Antes de ser eleito Papa, com o nome de João XXI, Pedro Hispano, nascido em Lisboa, escreveu um dos primeiros compêndios modernos sobre Medicina que, um século mais tarde, era livro de consulta obrigatória em quase toda a Europa.
 
Os Portugueses levaram as túlipas, o chocolate e os diamantes para a Holanda, introduziram na Inglaterra o hábito do chá das cinco e deram a Bombaim a chave do Império. Ensinaram a África a proteger-se contra a malária e levaram carregamentos de escravos para a América. Introduziram, na Índia, o ensino superior, o caril e as chamuças e, no Japão, a tempura e as armas de fogo.
 
 
CRÍTICAS DE IMPRENSA
 
«Martin Page apresenta-nos uma nova perspectiva sobre um país fascinante. A Primeira Aldeia Global é uma narrativa deslumbrante.»
The Financial Times
 
«Em A Primeira Aldeia Global, Martin Page corrige brilhantemente uma lacuna. É uma obra clara, erudita, divertida e sempre actualizada.»
The Daily Mail
 
«Martin Page é cheio de vivacidade.»
The New Yorker
 
 Maria Inês Botelho - Brasil
 
Um especial agradecimento à nossa Presidenta Internacional, Companheira Maria Inês Botelho,
por esta elogiosa colaboração.
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:40
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Março 16 2010

 

 
 
Esta é a história de Telo, João e Teotónio.
 
Chegou, pois, o tempo de Deus decidir dar cumprimento ao voto formulado pelo presbítero Telo. Comprara ele, casualmente mas não sem a intervenção de Deus, em Montpellier uma sela que era muito bem trabalhada e era mais que excelente para montar a cavalo. Certo dia em que o arcediago seguia montado numa mula pela porta de Coimbra e caminhava como habitualmente pela Rua Régia, aperceberam-se dela os cortesãos que notaram o seu bom recorte. Alguém de entre os conselheiros deteve a atenção na sua elegância e propôs ao Infante que pedisse ao arcediago para lha dar. Sem demora, satisfez ele o pedido sugerindo em troca a oferta dos Banhos Régios ao fundo da judiaria. Todavia, porque o juízo real se move por outros motivos que não os nossos, o príncipe, cheio de respeito, embora dando largas à alegria com olhar rasgado e rosto sorridente, respondeu que primeiro teria de ver o assunto, bem lembrado das palavras do sapientíssimo rei Salomão “tudo faz com conselho para não te arrependeres”. Deus, porém, da atalaia da Providência, favorecia os santos desejos do seu presbítero, aos ouvidos do rei e de Hermígio, seu mordomo-mor (paz à sua alma), que ocupava o lugar cimeiro da hierarquia e era homem de grande valor e prudência e mais do que nenhum outro conselheiro do rei nosso senhor, fez chegar a inspiração de apoiar todos os planos do arcediago. Assim aconteceu. Com efeito, por sugestão divina, é-lhe passado um documento autenticado com as armas reais.[1]
 
 
Filho do arcediago da Sé de Coimbra, viajara Telo a Jerusalém em peregrinação ao Santo Sepulcro. No regresso permaneceu alguns meses em Bizâncio navegando de seguida até Marselha e rumando depois a Montpellier onde decidiu comprar uma sela que lhe permitisse cavalgar com algum conforto até Coimbra.
 
D. João Peculiar
(? Coimbra - 1175 Braga)
 
 
Fervoroso adepto da reforma gregoriana, encontrou no presbítero João Peculiar, mestre-escola da Sé de Coimbra, o correligionário que lhe faltava para a implantação da nova doutrina naquela que então era uma região de fronteira com o Islão.
 
Foram razões ideológicas que os levaram a travar amizade com Teotónio, presbítero que já estivera duas vezes em Jerusalém e que para lá tencionava regressar a título definitivo. Convenceram-no a ficar em Coimbra para fundarem uma nova congregação religiosa que, no meio da sociedade, pregasse a Palavra e desse o exemplo de vida apostólica.
 
Foi nos antigos Banhos Régios – que o Infante Afonso Henriques oferecera a Telo por troca duma sela – que no dia 28 de Junho de 1131 lançaram a primeira pedra da nova igreja, a de Santa Cruz de Coimbra.
 

 

 
Ali foi Teotónio o primeiro Prior; subiu aos altares e ficou na História conhecido como S. Teotónio[2].
Valença - Estátua de S Teotónio.jpg   
                  S. Teotónio
 (1082 Valença do Minho - 1162 Coimbra)
 
João Peculiar foi de Coimbra para Braga como Arcebispo defensor da nacionalidade portuguesa contra a constante ofensiva do rival Arcebispo de Santiago de Compostela; não subiu aos altares mas desempenhou a elevada função de conselheiro principal do nosso primeiro Rei.
 
Telo, fundador da Ordem de Santa Cruz, criou à sua volta um escol de letrados que viria a dar origem a uma das Universidades mais antigas do velho continente, a de Coimbra.
 
Eis como uma sela trocada por uma cela foi estrutural na criação de uma Nação.
 
Março de 2010
 
Henrique Salles da Fonseca
 
 
 
BIBLIOGRAFIA:
 
Mattoso, José – D. AFONSO HENRIQUES, Círculo de Leitores, Outubro de 2006
 
Sobre S. Teotónio, http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Teot%C3%B3nio
 
Sobre D. João Peculiar, http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Peculiar
 


[1] - Pedro Alfarde, Via Tellonis (tradução de A. Nascimento, 1998, pp 60-61)
[2] - D. Telo e S. Teotónio foram pessoas diferentes e não uma só como alguma informação dá a entender nomeadamente na Internet (v. Mattoso, op. cit. pág.80 e seg.)
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:40
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Fevereiro 26 2010
 
 
Título: Cristóvão Cólon era Português
Autores: Manuel Luciano da Silva / Sílvia Jorge da Silva
Editor: QUIDNOVI – Editora e Distribuidora, Lda.
Edição: 2ª, Junho de 2006
 
 
 
Se se perguntar a um português letrado quem foi Salvador Fernandes Zarco, muito provavelmente a resposta será: - Não sei. Mas se se fizer a pergunta a um português inculto, não faltarão as tentativas de invenção de resposta afirmativa que poderão variar entre idílica personagem de telenovela ou algum herói do futebol.
 
E qual a razão para tanta ignorância? É simples: aos ignorantes importa dar a entender sabedoria; aos letrados há que desculpar a defeituosa instrução que lhes foi dada logo na Instrução Primária.
 
Nascido na Cuba, filho bastardo do primeiro Duque de Beja e portanto meio-irmão do Rei D. Manuel I, neto de João Gonçalves Zarco, o nosso Ensino Oficial insiste em chamá-lo em conformidade com o lobby italiano, o mesmo é dizer espanhol: Cristóvão Colombo.
 
Profusamente demonstrada a tese da portugalidade do oficialmente reconhecido descobridor da América, acham os Autores que é chegado o momento de se proceder à prova final e irrefutável comparando o ADN de D. Manuel I e o do navegador. Resta saber se Espanha não vai desenvolver as suas habituais manobras mais ou menos diplomáticas e mais ou menos tauromáquicas para impedir que se reescreva a História retirando-lhe alguns dos méritos que ela tanto gosta de se atribuir. E como Espanha considera que tudo o que favoreça Portugal a desfavorece no seu prestígio imperial, há que insistir no nome Colombo e manter apagado qualquer vestígio português.
 
Só que essa vontade castelhana não nos deve impedir a nós, portugueses, de tratarmos o assunto com verdade: o navegador que «descobriu» a América era português e chamava-se Salvador Fernandes Zarco.
 
Mas o assunto não fica por aqui: não há notícia de quem efectivamente descobriu a América pois em 1424 um veneziano cartografou o Atlântico norte tomando como base as informações que recolheu em Lisboa e essa carta encontra-se actualmente na Biblioteca da Universidade do Minnesota. Quem foi o primeiro europeu que avistou o continente americano depois de ter cruzado o Oceano Atlântico? Alguém levou esse segredo para a tumba mas do que não restam dúvidas é de que ou foi um português ou alguém de outra nacionalidade ao serviço de Portugal. As provas abundam neste livro de leitura ávida.
 
Mais ainda: a Pedra de Dighton exibe a data de 1511 e a assinatura de Miguel Corte Real pelo que Américo Vespucio é creditado de mérito alheio que em boa verdade cabe aos portugueses de Tavira.
 
Pedra de Dighton
 
Dera-se em tempos a circunstância de D. João II «pedir» à família Costa – frequentadora da sua Corte – que fosse para Tavira a fim de ali assegurar o cumprimento das determinações régias. E como essa família vinha da Corte do Rei, os locais passaram a chamar-lhes de Corte Real.
 
Em defesa dos interesses de quem acedia tão voluntariosamente a um «pedido» real, o monarca atribuiu-lhes várias propriedades na região circundante da cidade sendo que uma delas incluía uma antiga passagem para gados transumantes, uma canada. Daí, o nome da propriedade que nos dias actuais é sede da Freguesia de Canada no Concelho de Tavira. Daí, o nome que os irmãos Corte Real atribuíram à região que hoje, em virtude do sotaque francês, conhecemos por Canadá.
 
Livro cheio de provas, é de leitura obrigatória para todos os portugueses, políticos europeístas incluídos.
 
Ou seja, está na hora de reescrever a História, a começar pela que ministramos no Ensino Oficial. Por que esperamos? Que sejam os espanhóis ou a União Europeia a darem-nos autorização?
 
 Henrique Salles da Fonseca
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:39
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