Elos Clube de Tavira

Janeiro 04 2011

 

 

XI JOGOS FLORAIS DO ELOS CLUBE DE TAVIRA

 

Modalidade – PROSA

 

Classificação – 1º. PRÉMIO

 

Autor – JOÃO BAPTISTA COELHO, de São Domingos de Rana

 

Título – RAIZ, TRONCO E FLOR DA LÍNGUA MÃE

 (*)

 

De entre uma plêiade muito vasta de gente que devotou parte considerável da sua vida à divulgação da Língua Portuguesa no Mundo e à dilatação do conhecimento da nossa cultura e do nosso património – desde Luís de Camões a António Sérgio, de Vasco da Gama e de outros nautas portugueses a Agostinho da Silva, de João de Deus a Vitorino Nemésio, ou de Fernando Pessoa a Amália Rodrigues e aos nomes incógnitos dos leitores de português nas universidades estrangeiras – difícil se tornou escolher um nome qualquer para este trabalho. Quase que ao acaso, optámos por alguém nascido em Lisboa nos primórdios do século XVII.

 

Embora tivesse largado o chão natal muito cedo, com pouco mais de sete anos de idade, rumo ao Brasil, acompanhando seus pais que para lá emigraram, ali começou os seus estudos e aos quinze ingressava, por vocação religiosa inabalável despertada por um sermão que ouvira, no noviciado da Companhia de Jesus.

 

Vocacionado para o estudo das humanidades, já aos dezassete se atrevia a debruçar-se e comentar textos de Séneca e de Ovídeo e, logo após, dissertar sobre a Bíblia e Acerca da doutrina emanada do “Cântico dos Cânticos”.

 

Aluno de excepcional craveira na disciplina de filosofia, os seus superiores tiveram que impedi-lo de se votar à evangelização dos pagãos, por lhe reconhecerem asas mais largas para as abrir ao mundo inteiro.

 

O Padre António Vieira que ascendeu ao sacerdócio com vinte e sete anos de idade, passou, desde então, a leccionar teologia numa sequência natural dos sermões que já então proferia com louvor dos seus mestres que chegaram ao ponto de dizer que nada tinham para lhe ensinar.

 

Aliava à dimensão dos seus conhecimentos e ao carisma da sua eloquência um talento enorme na oratória que logo às primeiras palavras prendia quem o escutava.

 

Naturalmente que, deste modo, é fácil adivinhar o quanto o seu nome se projectou para fora do Brasil, levando aos confins do mundo a sua língua-mãe e a sua mística doutrinária.

 

O nome de Portugal que, já antes, vinha sendo divulgado pelos nautas de Quinhentos, em África e no oriente, mormente nos padrões afixados nos territórios que se iam descobrindo, exibindo as armas da lusa gente, viu-se, pela riqueza da escrita e pela luz das palavras proferidas por aquele sacerdote, ainda mais elevado no conceito universal. Se uns plantavam um monumento de pedra…Vieira semeava palavras no espírito. E foi raiz! E foi tronco! E foi flor da Língua que os portugueses, ainda hoje continuam falando!

 

O Padre António Vieira, falecido há mais de 340 anos – por toda a obra que deixou, por toda a divulgação que fez da nossa língua, pela força da riqueza da sua palavra ainda viva na nossa História – tal como Camões ou como outros que tais, não morreu. Há gente que tem o dom da imortalidade. Vieira é um deles.

 

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://sebentadigital.com/wp-content/gallery/projectos_leitura_logos/padre_antonio_vieira.gif&imgrefurl=http://sebentadigital.com/2008/11/28/louvor-das-virtudes-dos-peixes-no-sermao/&usg=__Dnn2ANpb2TAfzurX88DicA4jae8=&h=200&w=450&sz=72&hl=pt-pt&start=46&zoom=1&tbnid=wufQRNBAjwJM4M:&tbnh=149&tbnw=220&prev=/images%3Fq%3Dpadre%2Bantonio%2Bvieira%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:10%2C1634&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=220&vpy=384&dur=3385&hovh=150&hovw=337&tx=184&ty=64&ei=Y-siTY_DFtPh4gao27SGAg&oei=TesiTf_TMY7vsgap7ZDaDA&esq=4&page=4&ndsp=15&ved=1t:429,r:6,s:46&biw=1007&bih=681

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:33

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