Elos Clube de Tavira

Janeiro 12 2011

As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele

 

Carlos Drummond de Andrade

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:01
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Janeiro 11 2011

 Maria José Guerreiro

Maria José Guerreiro Pinheiro

 

A Tavira

 

Quis separar as letras do teu nome,

Achei tão curioso e divertido…

Imaginar que cada uma tome,

Na sua independência, um bom sentido!

 

O “T” é de Trabalho, é de Ternura…

Que fazem muita falta a toda a gente;

Calmantes são de tanta desventura,

Na senda deste mundo indiferente…

 

O “A” é uma letra repetida,

Que pressupõe Amigo e Alegria;

Prelúdio do Amor, o rei da vida,

Que sem ele não pode ter valia.

 

O “V” é de Verdade e de Valor,

Alicerces bem fortes, preciosos,

Sem eles faltarão brilho e cor,

Não vingarão momentos gloriosos!

 

Com “I” s’escreve Irmão, Inteligência,

Idílio, Ideia, Igreja, Idoso, Inverno,

Também a Igualdade e Indulgência,

Sem os quais o mundo é um inferno.

 

Com “R” eu principio alegre “Riso”

Tempero dum viver bem desgastante;

Sorrir é salutar e tão preciso,

É comunicação contagiante.

 

Tavira, tudo isto tens em ti!

Cultiva sempre a flor da lealdade.

Há um pedido em tudo o qu’escrevi:

Não troques a modéstia p’la vaidade!

 

(3º. Prémio dos VI Jogos Florais do Elos C. de Tavira/1992, Modalidade Poesia dedicada a Tavira) _

 

_____________________

 

Maria José Guerreiro Pinheiro (nascida em 1940, na Freguesia de S. Clemente, concelho de Loulé e falecida em Tavira em Setembro de 1998).

 

Fez o curso liceal, matriculando-se depois na Escola do Magistério de Faro, onde obteve o grau de Professora do Ensino Básico. Depois de várias colocações por toda a Província, acabou por se radicar em Tavira onde leccionou durante os últimos anos da sua carreira profissional.

 

Era casada e teve uma filha, também ela Professora.

 

Acompanhando o seu percurso no Ensino, dedicou-se à poesia que cultivou com determinação e muito empenho, concorrendo a todos os certames literários de que tinha conhecimento, mantendo com outros poetas de Tavira, tertúlias muito interessantes pela troca de ideias em espírito comum, na constante procura pela rima mais correcta e a mensagem mais sensibilizante.

 

Nas tardes de terça-feira, a Rádio Gilão, sediada em Tavira, apoiava estes encontros com os vários cultores das artes da rima, em programa transmitido em directo, com geral agrado do público.

 

Maria José Pinheiro foi uma das participantes activas desse programa radiofónica, mesmo quando a doença já a tinha minado – e ela conhecia o seu estado de saúde – continuando também a produzir poesia, a editar livros e a participar em concursos literários.

 

______________________________________

 

Livros publicados: “Verdade e Fantasia”, “Para Ti, Criança!”, “No Jardim do Pensamento” e “Poemas de Corpo Inteiro”.

 

 Luís de Melo e Horta

Presidente da Mesa da Assembelia Geral do

Elos Clube de Tavira

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:44

Janeiro 10 2011

  (*)

 

Nos dias de dúvidas, nos dias de pensamentos angustiosos sobre os destinos da minha pátria – tu somente és para mim um esteio e uma esperança, ó grande, poderosa, verdadeira e livre língua russa! Se não fosses tu, como não cair no desespero à vista de tudo que se passa entre nós? Mas é impossível acreditar que uma tal língua não tenha sido dada a um grande Povo!

 

Ivan Turguenev no seu "Poemas em Prosa" (1882)

 

 

 

Ivan Sergeyevich Turgenyev (9 de Novembro de 1818, Orel, Império Russo - 3 de Setembro de 1883 Paris, França) foi um dos mais importantes romancistas e dramaturgos russos. Ainda que a sua reputação como autor tenha decaído um pouco durante o último século, o seu romance Pais e filhos é ainda considerado uma das obras mestras da ficção russa do século XIX.

 

Para saber mais, consulte a Wikipédia

 

(*) http://en.wikipedia.org/wiki/Ivan_Turgenev

 

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:27
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Janeiro 09 2011

 

 

Francisco José de Sousa Soares de Andrea*, se a memória me não falha, era o nome do valente general que pacificou o Pará, por ocasião da cabanagem. Devi a esse homem distincto a satisfação de o ter conhecido pessoalmente, porque elle dignou-se ir de propósito à casa onde eu era caixeiro para me conhecer também. Eu tinha apenas onze annos (1838); mas creio poder affirmar, sem immodéstia, que n’aquele tempo, as duas celebridades mais notáveis do Pará (Belém) eram o chefe da província... e eu. Elle distinguia-se pela energia com que batia os cabanos, pelo rigor que mantinha a disciplina militar e provia á defeza da cidade, ainda ameaçada por bandos de facínoras, espalhados pelos rios ou matas próximas; eu, pela audácia com que punia todas as pessoas que me insultavam, sem attenção ao seu tamanho, qualidade, sexo, ou número, e pela perícia com que lhes quebrava as cabeças, com os pesos das balanças ou com as garrafas de aguardente. A fama do general offuscava um pouco a minha, attendendo-se à posição mais elevada do presidente da província; mas os caixeiros da cidade affrmavam que, em vista da minha idade, eu era muito maior que Andrea!

 

Elle costumava ir frequentemente a casa de um meu vizinho, chamado João António Rodrigues Martins, irmão ou primo do barão de Jaguarari, que ficava fronteira ao estabelecimento onde eu era caixeiro. Das janellas d’essa casa via-se toda a rua da Paixão, até ao largo do palácio do governo; passavam por ali às vezes os presos cabanos, agarrados nos matos mais próximos de Santo António, Reducto e Paúl de Água, e não raro era que o presidente desse instrucções às escoltas que os conduziam, quando lhes passavam por baixo das janellas, mandando fazer nesses assassinos justiça summaria. Entre outros, recordo-me do seguinte facto:

 

Dois soldados conduziam um preso, segurando-o cada um do seu lado, pela cintura, e levando as baionetas desembainhadas. Andrea, que estava conversando ao pé da janella, viu-os e gritou:

 

- Ó soldado! Quem é esse homem?

- É o Diamante, meu general.

- O Diamante?!

- Sim, senhor.

- Tens a certeza d’isso?

 

O preso, que era homem de cor, entre preto e mulato, dos que no paiz denominam cafuzes, alto, musculoso, de olhar feroz e atrevido, voltou-se para a janella, onde se tinha reunido a família da casa, e, depois de encarar por um instante o general e as outras pessoas, disse:

 

- Vosserencia custa à capacitá que sô eu mesmo? Tem razão; Diámante não deixava apanhá por seu sordado, si não tivesse caído quando corria em Páu d’Água. Agora pode matá Ere, que já vingou, picando muito sordado de vosserencia. E tem pena de não matá vosserencia mesmo.

 

Toda a família se retirou para dentro, revoltada com a insolência do preso. Andrea disse para o soldado, deitando-lhe à rua um bilhete, rapidamente escripto a lápis

 

- “Dize lá ao ajudante,

Que sendo esse o Diamante,

O mande já lapidar.”

 

Não sei se elle teve a intenção de fazer versos; mas as palavras soaram-me do modo por que as escrevi nos meus apontamentos, há mais de trinta anos, e como transcrevo agora. Penso que Andrea não desgostava de rimar... mas corria como certo, no Pará, onde havia milhares de anedoctas a respeito de Andrea, umas cómicas e com pilhas de graça, outras dramáticas ou trágicas. Em todas as províncias onde elle exerceu comando, ficou um homem lendário. Com relação ao Pará, foram immensos os serviços que ali prestou, e sem a sua grande energia não se tinha pacificado a província em tão pouco tempo. Elle saía de noite, disfarçado, para rondar as guardas e sentinelas, e era implacável com as que apanhasse dormindo. Alguns negociantes, portuguezes e brazileiros, que tinham sido obrigados a sentar praça n’um corpo de polícia, para defeza da cidade e sua própria, foram por vezes duramente punidos, até com pauladas, por infracções de disciplina! Os cabanos estavam costumados a zombar das auctoridades legaes, que dormiam muito; por isso só quando que Andrea os lapidava sem piedade, é que se convenceram de que havia passado o seu S. Martinho.

 

Resta-me explicar por que motivo tive a honra de ser visitado por aquelle homem distincto. No prefácio do “Cantos Matutinos” ** referi uma das minhas proezas, a qual foi eu ter batido com uma grande colher, cheia de manteiga, na cara de um escravo do presidente do Pará. Quando o mulato recolhia a(o) palácio, pingado desde a cabeça até aos pés, e com os olhos vermelhos do sal da manteiga, encontrou o senhor, que se dirigia para casa dos meus vizinhos. Sabedor do caso, o general entrou no estabelecimento, onde eu estava chorando, com as dores das palmatoadas que recebêra do meu ingrato patrão, por prémio de tão glorioso feito.

 

- Foi o senhor quem quebrou a cara do meu escravo?

- Fui; e por causa daquelle patife, apanhei duas dúzias de palmatoadas!...

- Bem merecidas!

- O senhor diz-me isso?!

- Aposto que me quer dar também com a colher de manteiga?!

- Chame-me gallego, marinheiro, bicudo ou pé de chumbo***, como fez o biltre do seu escravo... e verá!

 

Andrea quis sorrir-se e fez uma careta medonha. O motivo, que só mais tarde comprehendi, provinha de elle também ser portuguez; mas fizera-se brazileiro e não gostava que lhe lembrassem essas diffrenças.

 

- O meu rapaz chamou-lhe esses nomes?

- Por que lhe bateria eu?!

 - Quem sabe?! Vejo-o quase todos os dias atirar pedras aos pretos, quebrar cabeças e fazer tanta bulha n’esta rua!...

- É porque não estou resolvido a deixar-me insultar.

- Quantos annos tem?

- Onze.

- Promete! Continue assim, que há-de ir longe!

 

Saíu; e eu, que tomei a ironia por um cumprimento, fiquei todo vaidoso e ufano de ter ensinado o escravo, sem me lembrar já da sova que isso me custara. D’ahi em diante, quando via passar o homem ilustre, que tinha querido conhecer-me, perfilava-me ao balcão, à espera de novo elogio; mas o grande marechal nunca mais se dignou olhar para mim, nem o seu creado tornou ao estabelecimento!

 

O meu patrão, despeitado com a perda do freguez, poz-me fora por incorregivel!

 

Assim se apreciam e premeiam as mais bellas acções!

 De “Ódio de Raça” – vol 2 – de Francisco Gomes de Amorim, 1874. Manteve-se a ortografia original.

 

*- O general Andrea nasceu em Lisboa em 1781 e morreu em São José do Norte, Brasil, em 2 de outubro de 1858. Foi presidente da Provincia do Pará entre 9 de abril de 1836 a 7 de abril de 1839.

 

**- Se não conhece esta história veja em http://fgamorim.blogspot.com/2009/03/francisco-gomes-de-amorim-outro-bisavo.html

 

***- Estes eram os nomes que chamavam, depreciativamente, aos portugueses!

 

Rio de Janeiro, 2 de Janeiro de 2011

 

Francisco Gomes de Amorim (neto)

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:59

Janeiro 08 2011

Reismagos_Pinturavasco

Chegada do 4º Rei

 

 I – Cenário do Presépio

 

1. A celebração dos Reis Magos faz parte dos desdobramentos da Celebração do Natal Cristão. Os Reis Magos encerram o Ciclo do Natal.

Os três Reis Magos fazem parte do cenário mágico e cheio de encanto do nascimento de Cristo, ambientado no Presépio de Belém, que é uma das mais belas e mais singelas marcas do cristianismo. Cria um ambiente cheio de beleza, simplicidade, despojamento e encantamento espiritual. Não pode haver quem não se sensibilize e se encante com este cenário vivo e versátil.

 

2. Em torno do Presépio respira-se uma atmosfera de mais profunda espiritualidade e humanismo, num sentimento de reconciliação universal e de confraternização das pessoas de todas as classes sociais. Há um profundo ar de mistério e de claridade que enche a amplidão. O Presépio de Natal marca o reencontro os céus e da terra, dos humanos e dos animais, em torno do Altíssimo.

 

3. O Presépio de Natal, o estábulo, é um grande discurso com poucas palavras e muita ação. Os grandes princípios, os pilares do cristianismo e do humanismo estão bem claros, implícitos e explícitos, na simplicidade despojada do Presépio e em toda a interação, em muitas dimensões, que aí se manifestou: humanos, seres celestiais, pastores, rebanhos, cantos, danças, gente pobre, gente rica, a vaca, o burrinho, os Reis Magos, o Governador da Galileia, etc, etc. Quando aprendermos as grandes lições do Presépio, estaremos preparados para entender melhor todo o Evangelho, de que ali se escreve e manifesta o grande exórdio. Veremos então o Evangelho como uma das obras primas da humanidade.

 

J. Jorge Peralta

 

Para saber mais, clique:

< http://alfa8omega.blogspot.com/2011/01/reis-magos.html >

 

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:57

Janeiro 07 2011

 

 

DOIS ANOS DE PROMOÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA E DA CULTURA EM LÍNGUA PORTUGUESA NA GUINÉ-BISSAU

 

 

Em Canchungo, a 24 de Abril de 2008, Marcolino Elias Vasconcelos, professor – sobretudo de Língua Portuguesa – no Liceu Regional Hó Chi Minh, e António Alberto Alves, sociólogo e voluntário, iniciaram o programa Andorinha na Rádio Comunitária Uler A Baand, que tem como objectivo a promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa e desde então mantém a sua periodicidade semanal, todas as quintas-feiras entre as 20.3h e 21.3h na frequência de 103 MHz. De imediato, para responder a diversas solicitações de apoio educativo, jovens estudantes tomaram a iniciativa de se organizarem em bankada*, para ouvirem o programa Andorinha e “praticarem a oralidade e ultrapassarem o receio de falarem em português”! Ao longo desse ano, constituíram-se bankadas nos bairros da cidade de Canchungo (Betame, Pindai, Catchobar, Tchada, Djaraf, rua de Calquisse, Bairo Nobo) e em algumas tabanka (Cajegute, Canhobe, Tame). Complementarmente, foi constituída a bankada central Andorinha, que concentra as suas actividades no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo e que tem organizado algumas iniciativas: sessões de vídeo, acções de sensibilização em escolas, feira do livro.

 

[*Bankada é um grupo informal mas estruturado, sobretudo de jovens, que se juntam num local na rua, para ouvirem rádio – neste caso, o programa Andorinha e para praticarem a oralidade em Língua Portuguesa.]

 

Esta iniciativa Andorinha surge como pioneira num país onde a utilização da Língua Portuguesa é muito baixa e a sua riqueza parte da própria motivação de jovens estudantes se organizarem em autoformação.

 

Complementarmente, no ano lectivo de 2009-2010, realizámos o projecto Andorinha – Promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa – um intercâmbio de escolas portuguesas e escolas no sector de Canchungo, Região de Cacheu, Guiné-Bissau. Tem como objectivo a montagem de um projecto bilateral de troca de experiências e intercâmbio entre um estabelecimento de ensino de Portugal e de um congénere na Região de Cacheu (Guiné-Bissau), que poderá proporcionar múltiplas vantagens recíprocas – e despoletar diversas acções de cooperação. Com efeito, a troca de correspondência escolar entre directores, professores e alunos, certamente aumentará o domínio da escrita em Língua Portuguesa entre os guineenses e promoverá o conhecimento sobre a Guiné-Bissau entre os portugueses.

 

Neste sentido, as iniciativas Andorinha passarão a promover o uso oral e escrito da Língua Portuguesa no quotidiano dos jovens e estudantes guineenses.

 

Em Canchungo e na Região de Cacheu, a designação de “Andorinha” é já sinónimo de promoção da Língua Portuguesa e da Cultura em Língua Portuguesa. Como grupo informal, solicitámos a adesão à CONGAI – Confederação das Organizações não Governamentais e Associações Intervenientes ao Sul do Rio Cacheu, o que foi prontamente aceite.

 

Do que as iniciativas Andorinha têm realizado desde o início do ano lectivo 2009-2010, destacamos:

 

- O envolvimento e formação de jovens das bankada Andorinha para apoiarem e realizarem o programa Andorinha na Rádio Comunitária Uler A Baand – todas as quintas-feiras entre as 20.3h e 21.3h na frequência de 103 MHz;

 

- As acções de apresentação das bankada Andorinha e a sensibilização ao uso da Língua Portuguesa realizadas no Complexo Escolar Santo Agostinho, Escola EBU, Escola 1º de Junho e ADRA – Escola Adventista, em Canchungo, por solicitação dos respectivos directores;

 

- A organização e realização da actividade “Nô Pensa Cabral!”;

 

- A entrega da correspondência escolar enviada pelo Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Joaquim de Magalhães de Faro à direcção do Liceu Regional Hó Chi Minh em Canchungo;

 

- A constituição de uma bankada Andorinha em Bissau – na Paróquia de Brá;

 

- A sessão de apresentação das bankada Andorinha e a sensibilização ao uso da Língua Portuguesa realizada no âmbito do intercâmbio de alunos e professores entre o Liceu Regional Hó Chi Minh e o Liceu Dr. Luís Fona Tchuda de Gabú, sob o lema “Juntos para um ensino de qualidade face aos desafios do futuro”;

 

- O início da emissão do programa Andorinha na Rádio Babok – todos os Domingos, entre as 21h e 22h na frequência de 98 MHz;

 

- A acção de apresentação das bankada Andorinha e a sensibilização ao uso da Língua Portuguesa realizada no Liceu Domingos Mendonça em Cacheu;

 

- A entrega da correspondência escolar e de diverso material enviado pelo Agrupamento Vertical de Escolas de Vila Caíz à direcção e professores da Escola Pública de Iniciativa Comunitária “Tomás Nanhungue” em Tame;

 

- A visita à bankada Andorinha “Umeeni” em Petabe.

 

De 19 a 25 de Abril de 2010 comemorámos este segundo aniversário do surgimento das iniciativas Andorinha, com a realização de um conjunto de acções:

 

- 19 Abril (segunda-feira): Entrega de 433 músicas em Língua Portuguesa, de 93 artistas/grupos de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Timor-leste, à Rádio Comunitária Uler A Baand e Rádio Babok;

 

- 20 Abril, 10h (terça-feira): Inauguração da 2.ª Feira do Livro no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo;

 

- 20 a 24 Abril (8.3-11h e 16-19h): 2.ª Feira do Livro no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo;

 

- 24 Abril a partir das 16h (sábado): 2.ª Festa Andorinha na COAJOQ – Cooperativa Agro-Pecuária de Jovens Quadros;

 

- 25 Abril (Domingo): Documentário sobre a Revolução dos Cravos em Portugal. - A inauguração da 1.ª Feira do Livro no Centro de Recursos em Cacheu;

 

- A entrega da segunda correspondência escolar enviada pelo Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Joaquim de Magalhães de Faro à direcção do Liceu Regional Hó Chi Minh em Canchungo;

 

- A oferta de 60 t-shirts Andorinha pela empresa Jomav – Importação e comercialização de materiais de construção;

 

- A cerimónia de tomada de posse da bankada Andorinha Liceu Domingos Mendonça em Cacheu;

 

- A constituição da bankada Andorinha da Escola 1.º de Junho em Canchungo;

 

- A entrega da correspondência escolar e de diverso material enviada pelo Agrupamento Vertical de Escolas de Mondim de Bastos à direcção e professores da Escola Pública de Iniciativa Comunitária de Cabienque e à direcção da AFIR – Associação dos Filhos e Irmãos de Cabienque;

 

- A constituição da bankada Andorinha “União Faz a Força” em Tchulame.

 

Semanalmente, todos os Sábados, pelas 17 horas, a bankada central Andorinha reúne no Centro de Desenvolvimento Educativo de Canchungo. Ao longo do mês de Junho realizamos uma reflexão e autoformação sobre o funcionamento de uma associação, que incluiu a concepção e redacção de uma proposta de estatutos. A 19 de Junho fundámos a associação Bankada Andorinha, com a redacção da acta – a que se seguirão os diversos passos legais para a sua efectivação.

 

De salientar, que esta é uma iniciativa concebida e protagonizada por jovens alunos e professores guineenses, às expensas de trabalho voluntário e esforço e empenho de cada um – sem qualquer apoio de instituições responsáveis pela promoção da Língua Portuguesa...

 

Para mais informações e imagens, ver www.andorinhaemcanchungo.blogspot.com

 

Na esperança de que estas iniciativas possam ser valorizadas e ficando ao dispor para qualquer esclarecimento que acharem conveniente, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

 

Marcolino Elias Vasconcelos – 00 245 6625332

António Alberto Alves – 00 245 6726963

Eduardo Gomes (Presidente das bankada Andorinha) – 00 245 6824282

 

«Há números que apontam para 5% da população que fala Português, no recenseamento de 1979, e outros para 10%, no recenseamento de 1991 (Scantamburlo, 1999: 62). Não há, infelizmente, estudos mais recentes sobre esse assunto, mas penso que é por demasiado evidente que a situação da Língua Portuguesa na Guiné-Bissau em nada se compara com os restantes países lusófonos africanos: é, sem dúvida, o PALOP onde se fala menos português. Basta circular pelas ruas de Bissau para nos apercebermos desta dura realidade.

 

Devido ao facto de ser a língua oficial, o Português é o idioma de ensino. É também a língua de produção literária, da imprensa escrita, da legislação e administração. Deparamo-nos, então, com este paradoxo: tudo está escrito em Português, mas uma parte esmagadora da população não domina a língua. As crianças são alfabetizadas numa língua que não ouvem, nem em casa nem na rua, e só quando comunicamos com a elite politica e intelectual guineense conseguimos estabelecer comunicação em Português. O grande problema da Língua Portuguesa neste país é, a meu ver, não passar da escrita para a oralidade.

 

(…) Dado que a rádio é o único meio de comunicação que chega a todos os guineenses, parece-me fundamental uma aposta em programas radiofónicos que divulguem a Língua Portuguesa; em suma, uma aposta na oralidade.»

 

- Ana Paula Robles, Instituto Camões na Guiné-Bissau

 

[O ensino da Língua Portuguesa no ensino superior: a situação da Guiné-Bissau. Ubuntu, nº 3, Dezembro 2006, Bissau, p. 21-24]

 

--

 

Andorinha | Caixa Postal nº 1 | Canchungo | Guiné-Bissau

 

www.andorinhaemcanchungo.blogspot.com

 

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:10

Janeiro 06 2011

 (*)

 

 

- As árvores, meu filho, não têm alma!

E esta árvore me serve de empecilho...

É preciso cortá-la, pois, meu filho,

Para que eu tenha uma velhice calma!

 

- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!

Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!

Deus pôs alma nos cedros... no junquilho...

Esta árvore, meu pai, possui minha`alma!...

 

- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:

"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"

E quando a árvore, olhando a pátria serra,

 

Caiu aos golpes do machado bronco,

O moço triste se abraçou com o tronco

E nunca mais se levantou da terra!

 

Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos

 

 

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Cruz do Espírito Santo, 20 de Abril de 1884Leopoldina, 12 de Novembro de 1914) foi um poeta brasileiro, identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano. Todavia, muitos críticos, como o poeta Ferreira Gullar, preferem identificá-lo como pré-modernista, pois encontramos características nitidamente expressionistas em seus poemas.

É conhecido como um dos poetas mais críticos do seu tempo, e até hoje sua obra é admirada tanto por leigos como por críticos literários.

in Wikipédia

 

(*) http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/arvores/imagens/cedro-arvore-3.jpg&imgrefurl=http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/arvores/arvores-cedro-2.php&usg=__MgVltU8Nuhs4V0xMYSdpVfWqvVI=&h=294&w=291&sz=17&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=da3ljxkxLp6mjM:&tbnh=128&tbnw=122&prev=/images%3Fq%3Dcedro%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=512&vpy=56&dur=2528&hovh=226&hovw=223&tx=114&ty=142&ei=DoclTcHuM5Oo8QPk-fWABw&oei=DoclTcHuM5Oo8QPk-fWABw&esq=1&page=1&ndsp=23&ved=1t:429,r:3,s:0

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:00
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Janeiro 05 2011

 Malangatana

 Malangatana Valente Nguenha (Matalana, distrito de Marracuene, 6 de Junho de 1936 - Matosinhos, 5 de Janeiro de 2011) foi um dos pintores moçambicanos mais conhecidos em todo o mundo.

 

Em 1997 foi nomeado pela UNESCO "Artista pela Paz". Trabalhou em vários ofícios humildes, tendo entrado no Núcleo de Arte da então cidade de Lourenço Marques (actual Maputo).

 

Faleceu hoje, 5 de Janeiro de 2011, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos.

 

 

Malangatana também foi poeta:

 

PENSAR ALTO

 

Pensar alto
Sim
às marrabentas
às danças rituais
que nas madrugadas
criam o frenesi
quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar

fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar
em contraste com o verdurar das canções dos pássaros
sobre o já verduzido manto das mangueiras
dos cajueiros prenhes
para em Dezembro seus rebentos
dançarem como mulheres sensualíssimas
em cada ramo do cajual da minha terra
mas, sim ao orgasmo
das mafurreiras
repletas de chiricos
das rolas ciosas pela simbiose que só a natureza sabe oferecer

mas sim
ao som estridente do kulunguana
das donzelas no zig-zague dos ritos
quando as gazelas tão belas
não suportam mais quarenta graus à sombra dos canhueiros em flor

enquanto as oleiras da aldeia, desta grande aldeia Moçambique
amassam o barro dos rios
para o pote feito ser o depositário
de todo o íntimo desse Povo que se não cala disputando
ecoosamente com os tambores do meu ontem antigo.

 

BIBLIOGRAFIA:

 

Wikipédia

http://programadefestas.wordpress.com/2008/05/21/malangatana-vivencias-galeria-valbom/

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:48

Janeiro 05 2011

 (*)

 

Cidade do Vaticano, Domingo, 14 de Novembro de 2010

 

Queridos irmãos e irmãs:

 

(…)

 

A crise económica actual, sobre a qual se tratou também nestes dias na reunião do chamado G20, deve ser concebida em toda a sua seriedade; esta tem numerosas causas e exige uma revisão profunda do modelo de desenvolvimento económico global (cf. encíclica Caritas in veritate, 21). É um sintoma agudo que se somou a outros também graves e já bem conhecidos, como o perdurar do desequilíbrio entre riqueza e pobreza, o escândalo da fome, a emergência ecológica e, actualmente, também geral, o problema das greves. Neste quadro, parece decisivo um relançamento estratégico da agricultura. De facto, o processo de industrialização às vezes ensombrou o sector agrícola, o qual, ainda contando com os benefícios dos conhecimentos e das técnicas modernas, contudo, perdeu importância, com notáveis consequências também no campo cultural. Este parece ser o momento para um convite a revalorizar a agricultura, não em sentido nostálgico, mas como recurso indispensável para o futuro.

 

Na situação económica actual, a tentação para as economias mais dinâmicas é a de recorrer a alianças vantajosas que, contudo, podem acabar sendo prejudiciais para os Estados mais pobres, prolongando situações de pobreza extrema de massas de homens e mulheres e esgotando os recursos naturais da Terra, confiada por Deus Criador ao homem – como diz o Génesis – para que a cultive e proteja (cf. 2, 15). Além disso, apesar da crise, consta que nos países de antiga industrialização, se incentivam estilos de vida marcados por um consumo insustentável, que também acabam prejudicando o ambiente e os pobres. É necessário dirigir-se, portanto, de forma verdadeiramente concertada, a um novo equilíbrio entre agricultura, indústria e serviços, para que o desenvolvimento seja sustentável, não falte pão para ninguém e para que o trabalho, o ar, a água e os demais recursos primários sejam preservados como bens universais (cf. Caritas in veritate, 27).

 

Para isso, é fundamental cultivar e difundir uma clara consciência ética à altura dos desafios mais complexos do tempo presente; educar-se num consumo mais sábio e responsável; promover a responsabilidade pessoal junto à dimensão social das actividades rurais, fundadas em valores perenes, como o acolhimento, a solidariedade, a partilha do cansaço no trabalho. Muitos jovens já escolheram este caminho; também muitos licenciados voltam a dedicar-se à empresa agrícola, sentindo responder assim não somente a uma necessidade pessoal e familiar, mas também a um sinal dos tempos, a uma sensibilidade concreta pelo bem comum.

 

(…)

 

 

(*) http://www.google.pt/imgres?imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_gdCFmLqqdRk/S-ngeAF80tI/AAAAAAAAAlo/nNC63_j6z2E/s400/papa_bento_xvi.jpg&imgrefurl=http://pedrosantanalopes.blogspot.com/2010/05/bento-xvi.html&usg=__wLaF1zeSUtfh76NZXjNPisCf1GA=&h=336&w=380&sz=21&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=TjPOeqDq4k3D7M:&tbnh=159&tbnw=170&prev=/images%3Fq%3DBento%2BXVI%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=479&vpy=115&dur=4025&hovh=211&hovw=239&tx=130&ty=124&ei=bj8kTa3LGMeDswbhwLHbDA&oei=bj8kTa3LGMeDswbhwLHbDA&esq=1&page=1&ndsp=13&ved=1t:429,r:2,s:0

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:48
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Janeiro 04 2011

 

 

XI JOGOS FLORAIS DO ELOS CLUBE DE TAVIRA

 

Modalidade – PROSA

 

Classificação – 1º. PRÉMIO

 

Autor – JOÃO BAPTISTA COELHO, de São Domingos de Rana

 

Título – RAIZ, TRONCO E FLOR DA LÍNGUA MÃE

 (*)

 

De entre uma plêiade muito vasta de gente que devotou parte considerável da sua vida à divulgação da Língua Portuguesa no Mundo e à dilatação do conhecimento da nossa cultura e do nosso património – desde Luís de Camões a António Sérgio, de Vasco da Gama e de outros nautas portugueses a Agostinho da Silva, de João de Deus a Vitorino Nemésio, ou de Fernando Pessoa a Amália Rodrigues e aos nomes incógnitos dos leitores de português nas universidades estrangeiras – difícil se tornou escolher um nome qualquer para este trabalho. Quase que ao acaso, optámos por alguém nascido em Lisboa nos primórdios do século XVII.

 

Embora tivesse largado o chão natal muito cedo, com pouco mais de sete anos de idade, rumo ao Brasil, acompanhando seus pais que para lá emigraram, ali começou os seus estudos e aos quinze ingressava, por vocação religiosa inabalável despertada por um sermão que ouvira, no noviciado da Companhia de Jesus.

 

Vocacionado para o estudo das humanidades, já aos dezassete se atrevia a debruçar-se e comentar textos de Séneca e de Ovídeo e, logo após, dissertar sobre a Bíblia e Acerca da doutrina emanada do “Cântico dos Cânticos”.

 

Aluno de excepcional craveira na disciplina de filosofia, os seus superiores tiveram que impedi-lo de se votar à evangelização dos pagãos, por lhe reconhecerem asas mais largas para as abrir ao mundo inteiro.

 

O Padre António Vieira que ascendeu ao sacerdócio com vinte e sete anos de idade, passou, desde então, a leccionar teologia numa sequência natural dos sermões que já então proferia com louvor dos seus mestres que chegaram ao ponto de dizer que nada tinham para lhe ensinar.

 

Aliava à dimensão dos seus conhecimentos e ao carisma da sua eloquência um talento enorme na oratória que logo às primeiras palavras prendia quem o escutava.

 

Naturalmente que, deste modo, é fácil adivinhar o quanto o seu nome se projectou para fora do Brasil, levando aos confins do mundo a sua língua-mãe e a sua mística doutrinária.

 

O nome de Portugal que, já antes, vinha sendo divulgado pelos nautas de Quinhentos, em África e no oriente, mormente nos padrões afixados nos territórios que se iam descobrindo, exibindo as armas da lusa gente, viu-se, pela riqueza da escrita e pela luz das palavras proferidas por aquele sacerdote, ainda mais elevado no conceito universal. Se uns plantavam um monumento de pedra…Vieira semeava palavras no espírito. E foi raiz! E foi tronco! E foi flor da Língua que os portugueses, ainda hoje continuam falando!

 

O Padre António Vieira, falecido há mais de 340 anos – por toda a obra que deixou, por toda a divulgação que fez da nossa língua, pela força da riqueza da sua palavra ainda viva na nossa História – tal como Camões ou como outros que tais, não morreu. Há gente que tem o dom da imortalidade. Vieira é um deles.

 

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://sebentadigital.com/wp-content/gallery/projectos_leitura_logos/padre_antonio_vieira.gif&imgrefurl=http://sebentadigital.com/2008/11/28/louvor-das-virtudes-dos-peixes-no-sermao/&usg=__Dnn2ANpb2TAfzurX88DicA4jae8=&h=200&w=450&sz=72&hl=pt-pt&start=46&zoom=1&tbnid=wufQRNBAjwJM4M:&tbnh=149&tbnw=220&prev=/images%3Fq%3Dpadre%2Bantonio%2Bvieira%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:10%2C1634&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=220&vpy=384&dur=3385&hovh=150&hovw=337&tx=184&ty=64&ei=Y-siTY_DFtPh4gao27SGAg&oei=TesiTf_TMY7vsgap7ZDaDA&esq=4&page=4&ndsp=15&ved=1t:429,r:6,s:46&biw=1007&bih=681

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:33

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