Elos Clube de Tavira

Agosto 05 2010

 

 

Homem de um só parecer,

dum só rosto e duma fé,

d'antes quebrar que volver,

outra cousa pode ser,

mas de corte homem não é.

 

Francisco Sá de Miranda

(Coimbra, 28 de Agosto de 1481 — Amares, 15 de Março de 1558)

http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.algumapoesia.com.br/poesia/sa_de_miranda.jpg&imgrefurl=http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet065.htm&usg=__PVhRib1qSDUvCT98F_u1xb7Baa4=&h=217&w=170&sz=11&hl=pt-BR&start=0&tbnid=sHdmWe9jADc4eM:&tbnh=128&tbnw=104&prev=/images%3Fq%3DS%25C3%25A1%252Bde%252BMiranda%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26rlz%3D1T4SUNA_enPT292PT293%26biw%3D967%26bih%3D415%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=227&vpy=120&dur=1362&hovh=173&hovw=136&tx=81&ty=98&ei=T_paTOemHc-6OLalzaEP&oei=T_paTOemHc-6OLalzaEP&esq=1&page=1&ndsp=13&ved=1t:429,r:1,s:0

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:49
Tags:

Agosto 04 2010

 

 

MUKAI*

 

1

Corpo já lavrado

equidistante da semente

é trigo

é joio

milho híbrido

massambala

 

resiste ao tempo

dobrado

exausto

sob o Sol que lhe espiga

a cabeleira.

 

2

O ventre semeado

deságua cada ano

os frutos tenros

das mãos

(é feitiço)

nasce a manteiga

a casa

o penteado

o gesto

acorda a alma

a voz

olha pra dentro do silêncio milenar.

 

3

Um soluço quieto

desce

a lentíssima garganta

(rói-lhe as entranhas

um novo pedaço de vida)

os cordões do tempo

atravessam-lhe as pernas

e fazem a ligação terra.

 

Estranha árvore de filhos

uns mortos e tantos por morrer

que de corpo ao alto

navega de tristeza

as horas.

 

4

O risco na pele

acende a noite

enquanto a lua

(por ironia

ilumina o esgoto

anuncia o canto dos gatos)

De quantos partos se vive

para quantos partos se morre

um rito espera-se faca

na garganta da noite

 

recortada sobre o tempo

pintada de cicatrizes

olhos secos de lágrimas

Domingo, organiza a cerveja

de sobreviver os dias. 

 

 Ana Paula Tavares

 http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/angola/img/ana_paula_tavares.jpg&imgrefurl=http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/angola/ana_paula_tavares.html&usg=__uPiXHy-We8vSxxzqlyRaW6xCHVA=&h=175&w=262&sz=11&hl=pt-BR&start=1&tbnid=cLeamZbuMftMOM:&tbnh=75&tbnw=112&prev=/images%3Fq%3DAna%252BPaula%252BTavares%252BAngola%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26rlz%3D1T4SUNA_enPT292PT293%26biw%3D967%26bih%3D415%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1

 

* Mukai = mulher

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:21
Tags:

Agosto 03 2010

 

Se o desonesto conhecesse as vantagens de ser honesto, seria honesto ao menos por desonestidade.

 

 Sócrates

(filósofo grego)

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 12:39
Tags:

Agosto 03 2010

 

 

Em prosa, em poesia também,

Procuro encontrar palavras belas

Que vos falem da minha velha Mãe.

Vejo-a rodeada das panelas,

 

Postas em cima do velho fogão

A lenha e muito, muito antigo.

A minha irmã sentada no chão,

Brincava com um vizinho Amigo.

 

E os olhos da minha Mãe, marotos,

Sorridentes, num rosto de carmim,

Como nós, pareciam dois garotos,

 

Brincando efusivos num jardim.

Morreu, já muito velha e cansada.

Não no seu lar; mas sim, atropelada.

 

 

Sintra, 13/06/2010

 

A minha Mãe fazia este mês 82 anos. Vivia na aldeia em que nasceu. Um dia numa visita a uma Amiga, foi brutalmente atropelada por dois carros. Um condutor com a pressa, passou pela sua frente e bateu-lhe, atirando-a para o meio da estrada. A condutora que a atropelou tinha às sua frente uma visibilidade de mais de 300 m e não parou, arrastando-a debaixo do carro. Isto tudo, dentro da passadeira de peões...

 

 Luís Santiago

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 11:38
Tags:

Agosto 02 2010

 

 

Os poetas, com suas poesias

        Destruíram ditaduras

Criaram democracias.

        Poetas derrubaram democracias

E ajudaram, rimando,

        Vergonhosos ditadores.

 

Os poetas já viram

        Homens cantando seus versos

Avançando contra o inimigo

        Sabendo que podiam morrer.

 

 

Poetas

        Fizeram poesias

Para os hinos nacionais

        Do País onde nasceram

E ...

        Seja numa democracia

Ou ditadura

        O povo cantando com orgulho

Coração nas mãos ...

        Heróis do Mar

             Nobre povo ...

 

Aldeia, Recife, 13/03/2010

 

 Delmar Rosado

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 11:34
Tags:

Agosto 01 2010

 

 

Meu Deus! Como a vida é curta! Há dias éramos uns meninos, logo adolescentes, jovens, maduros, passados e, por fim... velhos, idosos ou velhinhos!

 

Não sei o que se passa com a memória, mas à medida que os anos avançam, e já bem avançados, principiamos a esquecer o que se passou ontem, na semana passada ou há pouco tempo, e lembramos passagens da vida tanto tempo esquecidas, da juventude.

 

A nossa memória é como a de um computador: tem capacidade limitada, com o uso, os “programas” incompatibilizam-se uns com os outros, o “disco” vai apagando o que sobra ou já não interessa, “desfragmenta-se” e tudo fica cada vez mais lento em reagir!

 

E daí, as histórias que os vovôs gostam de contar! Todos os vovôs gostam. Sobretudo cenas de “naquele tempo”... que não se sabe bem se foi ontem ou há muito tempo!

 

Sabemos, ou desconfiamos, que o “homo sapiens” apareceu na Terra há uns 50.000 anos, e que isso nada é em relação ao surgimento da própria Terra! Ninguém acredita na “conversa” do Matusalém ter vivido 969 anos, nem Noé 950, e tendo o primeiro filho aos 500! Mesmo contando os anos como os balinescos, de 210 dias... eu só teria 136!

 

Se assim fosse e com o constante aumento de perspectiva de vida que se tem verificado nos últimos tempos, estaríamos ainda hoje com Dom Afonso Henriques, em vez de tantos imbecis governantes que nos têm perturbado a vida, pediríamos ao Cabral para nos explicar melhor como “achou” as terras de Vera Cruz, e ainda ouviríamos o próprio Vatsayana contar como foi que estudou para escrever o Kamasutra! Etc.E certamente não deixaríamos também de pedir ao Hamurabi que voltasse a impor a sua lei contra bandidos, ladrões, e outros congêneres como políticos, etc.

 

Mas, “naquele tempo”... ainda estudante, tive um colega, companheiro, com quem criei uma ótima relação de amizade e de farra, que se chamava, e chama, Alberto.

 

O Alberto "brasileiro"!

 

Com dezenove anos, depois de assistir ao desbaratar de todos os bens da família, pelo pai e tio, jogadores inveterados, não lhe foi difícil ver que não havia mais dinheiro para continuar os seus estudos, e imigrou para o Brasil. Aqui fez a sua vida, prosperou profissionalmente, teve várias mulheres de papel passado e boa variedade de outras acidentais, mas nunca enriqueceu a trabalhar para “outrem”, para patrões! Ganhou experiência, o que é evidente, e continua a ser um senhor, porque o berço o marcou!

 

Estivémos quarenta anos sem saber um do outro. Sem nos vermos! Pouco mais do que desconfiávamos que o “outro” estaria vivo! O reencontro foi uma festa! Falámos de filhos, netos, colegas “perdidos” e outros já idos. Hoje vivemos na mesma cidade, entrados em bons anos, encontramo-nos regularmente, falamos sobre os tempos da juventude e sobre filosofias diversas quando nada mais há para dizer, e essa amizade, de tantos anos, parece fortalecer-se cada vez mais! Conversas sempre acompanhadas com um bom copo de vinho!

 

Os quarenta anos sem nos vermos sumiu já da nossa memória, mas foi uma perca grande!

 

Já escrevi neste blog sobre um outro amigo, também Alberto, pescador, filho, neto e... de pescadores, que conheci na Baía das Pipas, no sul de Angola, talvez em 1963. Há quase 50 anos! Tivémos pouco contato nas ocasiões que o visitei, mas sempre guardei uma bela recordação deste amigo. Durante quase todo este tempo tinha o seu rasto como perdido, sabendo somente que saíra de Angola assentara arraiais em Tavira, no Algarve, mas... isso não era suficiente para o encontrar. E a dúvida a perturbar, sem saber se continuava entre nós ou se já tinha, também “ido”!

 

 O Alberto, angolano, na "juventude dos seus 91 anos!

 

Foi através do blog que um seu amigo me avisou que este Alberto, seu conhecido, vivia mesmo em Tavira, estava com 90 anos, e com mais saúde do que muito rapaz de 20!

 

Foi uma alegria muito grande. Escrevemo-nos, falamos pelo telefone, e ficou “combinado” que se eu voltasse um dia a Portugal, que faria uma caldeirada à pescador “como manda a tradição”! Bastava isto para me dar uma terrível vontade de atravessar o Atlântico!

 

De um dos Albertos, o da minha juventude, estive sem nada dele saber por quarenta anos, até que finalmente, e por uma série de coincidências curiosas, nos voltamos a encontrar.

 

Agora estou a preparar-me para ir abraçar o outro Alberto. O da Baía das Pipas. Vamos ter muito que conversar, sabendo que jamais conseguimos recuperar o tempo que as vicissitudes na vida nos obrigou a vivermos separados.

 

Mas ao olhar para o tempo “perdido” longe dos amigos, que nos parece uma eternidade, ao final das contas, vemos que foi um quase relâmpago. Um instante. Um átimo, como melhor soa aos ouvidos dos físicos.

 

E pensamos: quantos “relâmpagos” deste tipo desperdiçamos na vida?

 

Cada momento que nos surge, some logo a seguir. Se não o aproveitamos com todas as nossas forças, empobrecemos.

 

Amigo não só não é para esquecer, como custa viver longe deles!

 

Rio de Janeiro, 22 de Julho de 2010

 

 Francisco Gomes de Amorim

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:25
Tags:

mais sobre mim
Agosto 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9


25
26



pesquisar
 
subscrever feeds
blogs SAPO