Elos Clube de Tavira

Agosto 20 2010

 

 

Título:  O LIVRO DE CESÁRIO VERDE

 

Autor: José Joaquim Cesário Verde

 

Organizador: Silva Pinto

 

Editora: Bertrand Editora, Lisboa

 

Edição: Setembro de 2009

 

 

Absolutamente profano, temática prosaica – eis os condimentos mais inesperados num poeta que teve pouco tempo para fazer grande poesia pois morreu com apenas 31 anos. No seio de família abastada, nasceu em Lisboa no dia 25 de Fevereiro de 1855 e morreu tuberculoso na mesma cidade em 19 de Julho de 1886.

 

Grande apreciador do género feminino, em quase todas as páginas deste pequeno livro o poeta nos apresenta às mulheres que admirava. Logo no início temos Cesário Verde deslumbrado com uma certa «milady» a quem atribuía “o gelo como esposo” e a quem, distanciado admirador, sugere:

 

Mas cuidado, milady, não se afoite,

Que hão-de acabar os bárbaros reais;

E os povos humilhados, pela noite,

Para a vingança aguçam os punhais.

 

Noutra ocasião, começa por no-la apresentar de modo interessante...

 

Balzac é meu rival, minha senhora inglesa!

Eu quero-a porque odeio as carnações redondas!

Mas ele eternizou-lhe a singular beleza

E eu turbo-me ao deter seus olhos cor das ondas.

 

Mas perante evidente frigidez, remata com humor bem rimado:

 

E se uma vez me abrisse o colo transparente

E me osculasse, enfim, flexível e submissa,

Eu julgaria ouvir alguém, agudamente,

Nas trevas, a cortar pedaços de cortiça!

 

Cesário Verde é também o poeta do prosaico, do banal, do que ao observador comum parece apoético:

 

Faz frio, depois duns dias de aguaceiros,

Vibra uma intensa claridade crua.

De cócoras, em linha, os calceteiros,

Com lentidão, terrosos e grosseiros,

Calçam de lado a lado a longa rua.

 

Sim, convenhamos que a posição de cócoras nada tinha de poético antes de Cesário a citar nas “Cristalizações” onde continua...

 

Homens de carga! Assim as bestas vão curvadas!

Que vida tão custosa! Que diabo!

E os cavadores pousam as enxadas

E cospem nas calosas mãos gretadas

Para que não lhes escorregue o cabo.

 

E é com este realismo que percorre tantas profissões quantas o rodeavam...

 

Em compensação, quando morre a irmã mais nova, o poeta revolta-se e diz...

 

Ai daqueles que nascem neste caos

E, sendo fracos, sejam generosos!

As doenças assaltam os bondosos

E – custa a crer – deixam viver os maus!

 

Poeta do inesperado para leitor desprevenido, nada nos garante que qualquer poesia iniciada dramaticamente não se conclua com ironia ou nos leve mesmo ao riso.

 

Conclusão: se está de férias, não deixe de ler esta agradável compilação dos 40 trabalhos conhecidos de Cesário Verde, hoje considerado pelos estudiosos destas «coisas» como o maior poeta português de finais do século XIX. Ah! E se puder faça-o ao som suave de uma das "Gymnopédies" de Erik Satie. http://www.youtube.com/watch?v=Al5U1WJ48rM

 

Tavira, Agosto de 2010

 

Henrique Salles da Fonseca

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:32
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Agosto 19 2010

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=EPCgzHwUl7k&feature=player_embedded

 

 

 

Jorge Croner de Vasconcellos (1910 — Lisboa, 1974)

Compositor neoclássico português, constituiu com Fernando Lopes-Graça, Armando José Fernandes e Pedro do Prado um grupo de jovens alunos do Conservatório Nacional de Lisboa conhecido como o Grupo dos Quatro que influenciou a música neoclássica portuguesa na década de 1930.

in Wikipédia

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 12:40
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Agosto 18 2010

 

 

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

Mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver

Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e

Tornar-se um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar

Um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um 'não'.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

 

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

 

 Fernando Pessoa

(Lisboa, 13 de Junho de 1888 - Lisboa, 30 de Novembro de 1935)

 

Amável colaboração de Maria do Rosário Cavaco Afonso

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:00
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Agosto 17 2010

 

 

“Como uma pedra caída na superfície lisa das águas,

origina círculos cada vez mais afastados do centro,

diluindo-se, também, assim, o catolicismo português;

verificando ainda que, neste caso, os círculos tanto

podem ser centrífugos como centrípetos"

 D. Manuel Clemente, Bispo do Porto,

in DIÁLOGO EM TEMPO DE ESCOMBROS,

pág. 68, 1ª Edição,

Editora Pedra da Lua

 

 

A caneta cria sulcos de Palavras no papel, tal como o arado projecta regos paralelos na terra que se abre.

 

A caneta é puxada pela mão, tal como o arado era puxado, no princípio dos tempos, pelas parelhas de animais, substituídas, mais tarde, pelas máquinas.

 

Os sulcos na terra são os recipientes que acolhem as sementes para gerar frutos; sendo estes elaborados em vários géneros e categorias; suporte da nossa vida física, após de transformações destinadas a cumprir objectivos específicos, nas áreas da alimentação, calçado, vestuário e medicamentos naturais ou químicos, estes últimos em segundas, terceiras ou mais múltiplas transformações.

 

As Palavras, estruturadas em sulcos a que chamamos linhas, no papel, têm a função de suporte da nossa vida emocional. Coligidas e guardadas, residem em edifícios que conhecemos por Livros. Armazenadas, também, em lugares a que designamos arquivos, são as guardiãs do nosso Conhecimento Individual e Colectivo. São as fiéis depositárias da nossa Memória Individual e Colectiva. São as detentoras e os espelhos da nossa História Comum ou Pessoal. São a Quadratura geográfica e planetária dos elementos da Natureza que nos rodeiam.

 

Sem Palavras não há Registo da Memória, não há Passado, não existe Futuro, não frutifica o Fundamento da Vida, não colhe a Existência, não cresce a Essência.

 

Sem a Palavra, escrita ou falada, não há Vida antes ou depois da Morte. Existe Nada. A Palavra é o nosso Porto Seguro.

 

Sem a Palavra não há Porto Livre onde nos recolhamos. Não há Liberdade. Não há Escolha...

 

A Palavra é a Dinâmica e o seu Contrário.

 

Escreva-se:

 

Com Gestos estudados

Na Síntese dos Dias.

Com Palavras mecânicas

Na Sequência Imóvel dos Gestos.

Aparentemente civilizados.

Virtualmente cultos.

Caminhamos nus!

E não o sabemos.

Caminhamos descalços!

E não sentimos a aspereza

Das pedras.

 

Sintra, 31 de Julho de 2010

 

 Luís Santiago

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:49
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Agosto 16 2010

 

http://www.enciclopedia.com.pt/images/Guitarraportggf.jpg

 

Diáspora portuguesa na Terra dos Corte Real (Canadá)

 

Entrevista com Euclides Cavaco na FADOTV

 

http://www.fadotv.com/

 

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:42
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Agosto 15 2010

 

 

 

Título: 1509 – A Batalha que Mudou o Domínio do Comércio Global

 

Autores: Jorge Nascimento Rodrigues – Tessaleno Devezas

 

Editora: Centro Atlântico – Lisboa

 

Edição: 1ª, Outubro de 2008

http://www.youtube.com/watch?v=1T10sXLRX4o&feature=player_embedded#

 

 

 

No dia 3 de Fevereiro de 1509 desenrolou-se uma batalha naval ao largo de Diu que hoje é considerada como tendo sido a primeira batalha da era moderna sendo ali aplicada uma táctica que perdurou até à 2ª Guerra Mundial.

 

Mas a sua importância ultrapassou as questões técnicas militares pois foi com essa batalha que o Oceano Índico deixou de ser um «lago muçulmano» para passar a ser um mar português; as rotas comerciais entre a Europa e o Oriente deixaram então de passar pelo Mar Vermelho, Alexandria e Veneza para passarem a seguir pelo Cabo da Boa Esperança em direcção a Lisboa.

 

E não deixa de ser curioso que o ganhador dessa batalha tivesse sido um Vice-Rei da Índia que já estava demitido, D. Francisco de Almeida, num processo de vingança pessoal pela morte do filho na batalha naval de Chaul, fora de qualquer orientação estratégica emanada da Coroa.

 

Mais ficámos a saber que o uso brutal da força se ficou a dever a quem mais preconizava (e tinha praticado durante o mandato) a via diplomática e o smart power ficando para a História como o mais subtil estratega do então nascente Império Português do Oriente.

 

E foram muitas as informações que recordámos ou aprendemos:

 

- No regresso a Portugal, D. Francisco de Almeida morreu na praia da Baía de Saldanha, a sul da actual Namíbia, trespassado por lanças ou setas de cafres locais; como epitáfio alguém escreveu: Aqui jaz D. Francisco de Almeida, Viso-Rey da Índia, que nunca mentiu nem fugiu;

 

- O Corão determina que os fiéis iniciem o jejum do Ramadão somente após a observação, a olho nu, da Lua Nova que marca o primeiro dia desse mês. (...) tal observação deve ser feita por duas testemunhas idóneas e piedosas que comunicam o facto a autoridades reconhecidas, as quais determinam então o início do período.

 

Lido com interesse e mantido à mão como recurso informativo para muitas e diversificadas matérias.

 

Tavira, Agosto de 2010

 

Henrique Salles da Fonseca

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:56
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Agosto 14 2010

 

 

Dizem que outrora, numa lavra funda,

Viu-se aqui, toda de ouro, uma alavanca:

Todos a querem, mas ninguém a arranca,

E mais se cava, tanto mais se afunda.

 

Contudo, cavam sempre... E a ganga imunda,

Que nessa escavação se desbarranca,

Vai dando ouro, muito ouro, e não se estanca,

Té que o arraial feliz de ouro se inunda.

 

Quanta sabedoria não encerra

Esta lenda gentil de minha terra,

Que ao trabalho e à constância nos convida!

 

Trabalha! Que o trabalho é o teu tesouro,

E será ele essa "alavanca de ouro ",

Que há-de elevar-te e enriquecer-te a vida!

 

Francisco de Aquino Correia

 Dom Francisco Aquino Correia

 

Nascimento 2 de Abril de 1885
Cuiabá
Morte 22 de Março de 1956 (70 anos)
São Paulo
Nacionalidade  brasileira

Wikipédia

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:14
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Agosto 13 2010

 

 

... NOS PAÍSES BAIXOS!

 

 

Quase lá nos antigamentes, já vão 45 anos, fui para a Europa fazer uma série de estágios e visitas a fábricas de material fotográfico, microscopia, raios X, etc.

 

De Munich a Leverkusen, a seguir Antuérpia, na Gevaert – que Deus tenha em sua memória – para mexer com filmes de artes gráficas.

 

Perto do final do estágio, muito amável, o director de exportação que tinha África a seu cargo, convidou-me para jantar em sua casa, um tanto fora do centro da cidade. Eu tinha comprado um carro, usado, mas óptimo, e com um pequeno esquema que o anfitrião me passou, consegui chegar no horário combinado.

 

Só ele e a mulher. Sentámo-nos na sala onde já estava em cima da mesa uma garrafa de whisky e dois copos - daqueles largos e não tão baixos – e o dono da casa, sempre amável, encheu o meu copo até acima, sem gelo nem nada. O dele, igual. Quando vi aquela brutalidade de bebida pensei que não conseguiria depois sair dali, mas fomos bebendo, devagar, e eu, sem saber bem como, consegui tragar tudo e ficar mais ou menos normal. O dono da casa, ainda amável, perguntou se eu queria repetir a dose que recusei. Para ele, mais meio copo.

 

Entretanto a dona da casa avisa que o jantar está servido e lá fomos os três para a mesa onde, amáveis, estava, aberta, uma garrafa de Casal Garcia (!). A meio do primeiro prato o nosso amigo empurra o prato, talheres e copos, afasta tudo quanto tem na frente, deita a cabeça na mesa e... ali fica ressonando que nem um porco.

 

A senhora, envergonhada, quis justificar, dizendo que o marido andava com muito trabalho, cansado, etc., mas ele estava era bebedissimo. Ficou a senhora à mesa e eu, sem dizermos uma palavra, ela a levantar-se para levar os pratos à cozinha e trazer outras comidas, e por fim aparece com um bolo daqueles que embucham o mais destemido, que eu aproveitei para ver se ajudava a abafar o tanto whisky que tinha bebido, além do copo do vinho que, por honra do país e para não fazer má figura, fui obrigado a beber!

 

Acabou o jantar e nessa altura o bêbado acorda e novamente tenta servir-me mais bebida. Como a conversa não tinha a menor hipótese de se fazer, porque o homem não abria mais do que um olho de cada vez, agradeci muito e fui embora, alegando que era tarde, etc. Aquelas desculpas esfarrapadas mas necessárias.

 

Entrei no carro e nessa altura o esquema do caminho a percorrer choca no primeiro obstáculo: a rua por onde viera agora era contramão! Procurei uma “paralela” que desse retorno, e comecei a dar voltas àquela área, meio perdido, sem encontrar o caminho. Ninguém nas ruas a quem perguntar, eis se não quando surge um autocarro – ônibus – e, esperto, eu, pensando que ele iria para o centro onde estava o meu hotel, decidi segui-lo. Andei, parei, andei, parei e cada vez me parecia que mais me afastava, quando de repente o dito autocarro entrou num portão e sumiu. Era a sua garagem e encerrava o dia de trabalho!

 

Esperei algum tempo até que um outro carro sai da garagem. E eu atrás. Anda, pára, anda, pára e ao fim de quase uma hora, desde que saí daquele “magnífico” jantar, reconheci uma rua do centro e cheguei ao hotel!

 

Se fosse hoje e a Polícia me mandasse soprar no “bafómetro”, teria ido directo para a prisão!

 

O estágio a chegar ao fim, no último dia os vários estagiários – cinco – decidiram convidar o “mestre”, um jovem e simpático engenheiro, para um jantar de despedida. Comemos “moulles marinières”, uma delícia que ainda hoje me faz água na boca.

 

Ninguém se embebedou! E no dia seguinte a caminho de Amsterdam. Bem me avisaram que a meteorologia previa intenso nevoeiro vindo da Mancha, e que as estradas ficavam perigosas, mas assim mesmo no fim do dia resolvi arriscar.

 

Ao passar em Rotterdam, já noite, dentro da cidade, não se via um palmo adiante do nariz, nem sequer as placas indicando as estradas.

 

Entrei numa rotunda e depois de me terem informado que devia sair na segunda rua à direita, andando com o carro a passo de caracol e junto ao passeio, os olhos bem abertos à procura da tal segunda rua, a verdade é que não conseguia distinguir nenhuma “saída”.

 

Nevoeiro na «luminosa Europa»

 

 

Passado um pouco ouço uma sirene da Polícia atrás de mim. Parei. Sai do carro um polícia, atencioso, e pergunta o que ando ali a fazer. “Á procura da estrada para Amsterdam, mas não consigo encontrar!”

 

“O senhor já deu três voltas à rotunda! Venha atrás de nós que lhe mostramos o caminho, mas tenha muito cuidado que a estrada está toda assim!”

 

Quando chegamos à estrada e não havia mais que errar, deixaram-me seguir, sempre avisando que o caminho estava perigoso. E estava. Muito.

 

E lá vou, ainda a passo de caracol. Já me doíam os olhos e a cabeça com o esforço para não sair da estrada.

 

A certa altura um “anjo salvador”: um letreiro luminoso indicava ali um hotel! Chegava ao fim o meu sofrimento!

 

No dia seguinte de manhã segui viagem, sem nevoeiro, atravessando aqueles campos lindos e cheguei ao meu destino!

 

Rio de Janeiro, 17 de Julho de 2010

 

 Francisco Gomes de Amorim

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 12:04
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Agosto 12 2010

 

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Poema do Menino Jesus

 

http://www.youtube.com/watch?v=ec6TEZLkfU4

 

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 12:24
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Agosto 11 2010

Não é por as coisas serem difíceis que não temos ousadia; é por não termos ousadia que as coisas são difíceis.

 

Séneca (3aC-65dC)

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 12:26
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