Elos Clube de Tavira

Fevereiro 22 2011

 

 

TAVIRA E A RIA FORMOSA NO FUTURO

 

I INTRODUÇÃO

 

•1-Grande parte do futuro depende de nós

•2-Tavira foi importante quando teve actividades marítimas e produtivas

•3-O Turismo, que é a actividade económica cuja função distribuição consiste em trazer o cliente ao produto, só atinge os seus objectivos plenos se houver elevado valor acrescentado local.

•4-Para haver desenvolvimento sustentado, que o não seja pelo OGE, é essencial que toda a população esteja incluída tanto no esforço a realizar como nos ganhos a obter e ainda para evitar o neo-colonialismo que beneficia interesses exteriores e prejudica os locais.

•5-Os projectos que vão ser apresentados não serão certamente todos os possíveis ou até desejáveis mas servirão de base para o debate de forma a se poder definir um conjunto que possa constituir um plano de realizações para os próximos anos e a começar já, pois a crise que atravessamos não consente delongas ou hesitações

 

II CONDICIONAMENTOS


•1-A protecção das margens nunca deverá ser realizada usando materiais pesados como pedra ou betão e sempre por meio de estacas de madeira ou estacas-pranchae as rampas de acesso de embarcações construídas em terra batida.

•2-Deve resumir-se ao essencial o trânsito de viaturas através do sapal e de preferência em vias ao longo do rio ficando as zonas do sapal para uso exclusivo das salinas, dos viveiros e doutras actividades aprovadas e dos pteroscopistas que obterão em local próprio o bilhete para acesso.

•3-A deslocação de embarcações e o estacionamento destas na Ria e no Rio terão condicionamentos quanto à velocidade máxima permitida e para estacionamento nos vários locais devidamente assinalados.

 

•4-Pesca desportiva na Ria e no Rio só será permitida com devolução do pescado à água e a caça submarina é totalmente proibida bem como a apanha de bivalves. Só os profissionais devidamente autorizados poderão pescar e apanhar bivalves de acordo com as disposições existentes.

•5-Todos os postos de atracação existentes e a instalar deverão pagar uma taxa dependente da dimensão da embarcação e da natureza da actividade de forma a contribuir para a manutenção da Ria e do Rio, dentro da linha do utilizador-pagador

•6-Os investimentos nos postos de atracação e nos apoios locais deverão ser realizados por concessionários privados de acordo com normas a estabelecer oportunamente pelas autoridades conjuntas –Autarquia, Ria Formosa-IPTMe outras, não podendo aceitar-se qualquer entrave ou atraso quando este programa é essencial para criar postos de trabalho.

•7-O que for realizado na zona do Rio Gilão no centro da cidade terá que ter em conta a possibilidade de cheias mesmo que se consiga melhorar as condições da bacia hidrográfica o que se sabe ser difícil.

•8-Todos os projectos deverão permitir o seu uso durante todo o ano e serem capazes de interessar toda a população a participar activamente neles de forma a eliminar ou pelo menos reduzir muito a actual taxa de sazonalidade e assim criar mais postos de trabalho de carácter permanente.

•9-A programação deverá considerar o facto de o Algarve ter aptidão para turismo de Inverno, e foi assim que ele nasceu, e não concentrar tudo no Verão pois as motivações dos clientes potenciais são completamente diferentes e não devem ser esquecidas.

•10-Necessidade de corrigir os assoreamentos em geral, fundamentais para manter a qualidade da Ria, e em particular os provocados pelas obras de construção dos molhes da barra.

•11-Mudança de local da instalação de recepção das areias dragadas

 

 III ACTIVIDADES A DESENVOLVER

 

•1-Náutica de recreio (vela, remo, motor) - praticantes amadores

•2-idem –desporto de competição

•3 -idem –profissionais

•4-Pesca desportiva -praticantes

•5-idem-profissionais e pesca artesanal

•6-Serviços de apoio à náutica

•7-Mergulho sem captura

•8-Náutica de modelos reduzidos (lazer e educação)

•9-Centro interpretativo das navegações portuguesas e tavirenses

•10-Pteroscopia

•11-Produção agrícola (em particular regadio)

•12-Caça

•13-Passeios na serra e em percursos de arte

•14-Espectáculos multimédia nocturnos no centro, no rio

•15-Produção industrial e artesanal ligada às actividades locais

•16-Pintura e gravura

•17-Estabelecimento de empresas para actividades do tipo da informática que não necessitam de movimentação de matérias prima e de produtos, dando facilidades para obtenção de terrenos apropriados.

•18-Gastronomia típica

 

 

1-Projecto: Porto de Pesca

Em início de construção

2-Projecto: Porto de recreio de Santa Luzia

 

A instalar ao longo da muralha, constituído por “fingers” flutuantes, ficando as embarcações de maiores dimensões na parte exterior (e colocadas paralelamente àquela) de forma a diminuir a profundidade das dragagens junto da muralha. Deverá ser necessário haver várias portas de acesso controlado aos postos de amarração e uma unidade de apoio e de escritório flutuante na zona central. A movimentação entre os postos de amarração será feita por um passadiço flutuante ao longo da muralha.

 

3-Projecto: Porto de recreio 4 Águas

Existe actualmente um projecto de que não tenho conhecimento pormenorizado do seu conteúdo nem da fase em que está de desenvolvimento. Se ainda for possível deveria adaptar-se aos condicionamentos e princípios enunciados e propiciar aos clubes ali instalados a qualidade e a dimensão que conviria tivessem.

Também convém recordar a existência de terrenos de propriedade privada nesta área, onde em tempos houve um projecto imobiliário que não foi autorizado, e que, diga-se de passagem, eu fiz parte dos que o combateram por ter como certo não obedecer aos princípios que defendo. No entanto há que respeitar os direitos dos proprietários desde que sejam preservados a qualidade e a defesa contra impactos excessivos e possa ser uma mais valia para a cidade.

Há que rever o sistema de acesso à Ilha de forma a evitar o excesso de viaturas estacionadas nesta zona e que deveria ser preferencialmente para os utentes dos portos de recreio e dos restaurantes.

 

4-Projecto: Porto de recreio do Forte de Santo António

Esta foi a zona mais afectada pelo assoreamento causado pelas obras dos molhes da barra pelo que se admite ter que haver uma correcção prévia que restabeleça o perfil original.

Este porto destina-se principalmente às embarcações de maior porte e às que pretendem apenas fazer escalas curtas uma vez que têm comunicação directa com o mar.

A dimensão convirá ser da ordem dos 400 postos de amarração mas o número exacto terá que ser calculado dependendo dos volumes a retirar e dos limites a respeitar no lado da Ria.

As instalações de apoio deverão ser flutuantes de forma a evitar construções em terra, e pressupõe o aproveitamento do forte para utilização turística ligada ao porto.

O indispensável estacionamento de viaturas dos utilizadores do porto deverá ser coberto para protecção contra o sol mas também para evitar a poluição visual resultante da exposição daquelas.

O acesso por terra será o mesmo do Hotel e portanto sujeito às considerações atrás apresentadas.

 

5-Projecto: Porto de recreio de Cabanas

O esquema a seguir é idêntico ao de Santa Luzia no que respeita ao porto de recreio apenas tendo que ser complementado com uma ponte de ligação à praia a ser colocada na ponta nascente da povoação e dotada de ponte levadiça do tipo da de Santa Luzia mas mais moderna e maior.

 

6-Projectos: Rio Gilão-zona no centro da cidade

Criação de um esquema de retenção por meio de uma barragem que permita ter sempre um nível da água mínimo de cerca de 2m, que tenha uma passagem para peões entre as duas margens de forma a haver uma circulação pedonal à volta do rio e construída de tal modo que em caso de cheia não crie qualquer impedimento à passagem das águas.

Aí haverá um cais apropriado flutuante e com todas as condições de segurança para permitir o acesso de crianças que possam pôr a flutuar pequenas embarcações telecomandadas e assim desenvolverem o seu interesse pela náutica e pela construção naval, devendo criar-se nas escolas ou nos clubes centros de ensino destas matérias.

A possível utilização deste espaço para navegar em pequenas embarcações ou “gaivotas” tem que ser equacionada tendo em vista que a profundidade normal equivale a fora de pé e portanto há a considerar questões de segurança como o uso de coletes pelos seus utentes.

Este espaço poderá também ser usado para espectáculos nocturnos

de multimédia

 

7-Projectos: Rio Gilão-zona a jusante da ligação pedonal

-Aproveitamento da rampa existente para entrada e saída de embarcações

-Definição do projecto que parece haver ou ter havido para construir em terreno privado um porto de recreio com imobiliário se obedecer ás regras de qualidade devidas

-Estudar-se a possibilidade de construir na área intermédia uma réplica de uma zona portuária do século XVI de forma a dotar esta zona de atractivos permanentes para turistas e residentes

 

8-Projectos: Centro da cidade

 

-Centro interpretativo das navegações a estabelecer numa parte de edifício com cerca de 200m2 ou mais onde fique expresso o valor das navegações portuguesas e tavirenses e dos principais navios usados, baseado nas novas tecnologias

-Melhorar os estacionamentos à volta do centro de forma a permitir recuperá-lo compensando as perdas resultantes da criação do centro comercial com o desenvolvimento de mais motivações culturais e gastronómicas permanentes

 

9-Projecto: Rio Gilão

-Protecção das margens de forma a que o trânsito das embarcações não as destrua e possibilite a melhoria dos acessos aos destinos de ambas as margens diminuindo os estragos provocados aos sapais e aumentando a segurança neste troço do rio.

-Alteração dos acessos atrás indicados prevendo-se também a adopção de um transporte ferroviário de via reduzida para os utentes da praia da Ilha sem utilização de viatura própria.

 

10-Projecto: Pteroscopia Os sapais de Tavira tem enorme riqueza no que se refere a aves indígenas e de passagem e embora até este momento não tenha havido notícia de perturbações temos que prever que elas surgirão fatalmente com a intensificação de actividades nestas áreas, mesmo que sejam possivelmente pequenas. Mas não parece sensato arriscar qualquer perturbação que poderá destruir esta riqueza que só podemos preservar mas não corrigir erros irreparáveis. Por outro lado temos o exemplo da Reserva de Zwinna Bélgica com cerca de 150 há que é gerida de forma autónoma acumulando as visitas dos pteroscopistas com trabalho de investigação e de tratamento de aves doentes ou traumatizadas. Assim propõe-se a criação de uma entidade, se possível e muito desejável, ligada à Universidade que detenha a responsabilidade pela gestão das Reserva cobrando obviamente pelas entradas e zelando pelas condições que deverão existir quanto à forma dos visitantes poderem ver e fotografar as aves e ainda por tudo o que está implícito na gestão duma reserva deste tipo.

 

11-Projecto: Recifes artificiais e barcos afundados

A ideia de estabelecer na costa algarvia recifes artificiais teria surgido, de acordo com a minha experiência pessoal algures por volta de 1982 com origem no antigo INIP de que era director o Cte Ataíde e que foi muito aplaudida pelo Director da WhiteFishAuctorityde Inglaterra numa visita que então fez ao Algarve pelas vantagens que tal iniciativa teria não só na protecção dos fundos mas principalmente no aumento dos stocks de peixes típicos destes fundos, como por exemplo dos pargos, que têm grande valor. E além disto que propícia o mergulho para ver e fotografar. O afundamento de barcos, devidamente preparados, ainda reforça o interesse para o mergulho.

Este projecto tem que ser negociado com o INP pois é dele a competência mas naturalmente o financiamento já terá que ser complementado possivelmente até a 100% dadas as circunstâncias conhecidas.

 

José Carlos Gonçalves Viana

publicado por Elos Clube de Tavira às 19:06

De:

Data:
6 de Março de 2013 às 17:13


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