Elos Clube de Tavira

Outubro 30 2010

 

 

Eu também tenho raízes nessa terra, e por isso estou à vontade para comentar.

 

Portugal está à beira da bancarrota, como esteve diversas vezes durante a sua história.

 

No antigamente os reis, quando o caixa estava a zero, pediam dinheiro emprestado aos negociantes judeus, e... não pagavam! Em 1580 a “nobreza” que sobrara de Alcácer Quibir, vendeu-se barato a Filipe II – o nosso “I” – e assim a coroa de Castela se sobrepôs às Quinas, e ajudou o país a ficar mais pobre.

 

Com o final anárquico da monarquia e ainda com mais profunda anarquia depois da República, Portugal chega a 1926 falido, e a única alternativa parecia ser pedir mais dinheiro à Sociedade das Nações que para isso exigia colocar nas nossas alfândegas fiscais seus para se irem pagando do empréstimo. É evidente que isto era uma afronta à “nossa” soberania, e foi rejeitado.

 

Surge um novo Ministro das Finanças que em 1926; vendo a bandalheira que reinava no governo, simplesmente abandonou o Ministério e voltou para a sua cátedra em Coimbra. Sem solução, os militares exigiram do Presidente da República o retorno do “professor de Coimbra” que parecia o único capacitado a arrumar a casa.Três meses depois a inflação estava debelada, e os agiotas da tal Sociedade das Nações voltaram, mas desta vez de chapéu na mão, a oferecer crédito a Portugal.

 

- Muito obrigado, não precisamos!

 

Passam-se sessenta anos e para a unificação da Europa, Portugal, mais uma vez pobre e sem planos de futuro, começa a receber as esmolas da União Européia. Cavaco Silva faz a festa. Até parecia um bom governante. O dinheiro sobrava, e ele dizia na televisão, convencido, arrogante, em palavras que traduzidas para a linguagem comum, queriam dizer “aqui o único bom sou eu”!

 

A ele sucederam-se uma série de politiqueiros, sempre a oposição qualquer que seja a impedir os projetos, melhores ou menos bom do governo, e novamente Portugal começa a “meter” água e afundar!

 

Ultimamente, em vez de discutir rigor administrativo, redução de despesas, despedimento de apaniguados e outros ladrões, faz a pomposa EXPO, “estuda” um aeroporto monumental para concorrer com os melhores da Europa, prossegue os estudos de um TGV para as pessoas demorarem menos uns minutos para irem de Lisboa ao Porto, assiste impávido ao fechamento de industrias, aparece sempre sorrindo no comícios, e a “barca portuguesa” a afundar.

 

Agora a perspectiva é cair em cima dos aposentados, roubar-lhes dois salários anuais, o que é uma violência para quem não foi administrador da Caixa Geral de Depósitos, da EDP, da PT, ou de outras mamatas, e levar o país à revolta, se não armada, que isso parece que já não existe na Europa, mas à paralisação com greves e outras manifestações. E a maior pobreza.

 

No último texto (http://www.fgamorim.blogspot.com/) referi que só é político quem não sabe fazer mais nada. Mas há muito boa gente em Portugal que sabe administrar, e como bom português tem a obrigação de ajudar o governo, aliás o Estado, que é o mesmo do que se ajudar a si próprio. Como?

 

É simples. Chamar para conselheiros os empresários mais bem sucedidos no país, e deixar os políticos assinando compra de vassouras, e os professores universitários a ensinar teoria aos alunos.

 

Nem precisa pagar aos empresários. Eles têm dinheiro para se deslocar a Lisboa com regularidade e indicar ao primeiro ministro e – quase todos – ineptos ministros, como se sai duma crise, como se progride, etc.

 

Inflou-se a máquina administrativa até estourar. Pois que se desinfle! Há funcionários em excesso, que entretanto adquiriram direitos constitucionais... pois que se altere a constituição. Saíram penduras de lugares altamente remunerados e continuam a receber aposentadorias milionárias... pois que se reduza o que recebem!

 

Portugal não está a viver a véspera da bancarrota? Declare-se o estado de sítio, quase de guerra, que parece pode vir a ter, como na Grécia, e arrume-se a casa.

 

Atropelem-se os amigos, despeçam-se os penduras, enfim, faça-se aquilo que qualquer bom gestor faria. E se por fim sobrar algum dinheiro, que se invista em educação, tecnologia, investigação, porque a cortiça, algumas peras e cinco mil marcas de vinho, não vão sustentar o país. Sobra o turismo cada vez mais concorrenciado pelos países do Norte de África, Cabo Verde, etc.

 

Porque só fazer discursos empolgados e esperar que a Senhora de Fátima resolva o assunto... não resolve.

 

Rio de Janeiro, 3 de Maio de 2010

 

 

 Francisco Gomes de Amorim

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 19:54
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