Elos Clube de Tavira

Outubro 17 2010

 

 

Neste início do século XXI em que todos os dias somos bombardeados pelos telejornais que tanto se dedicam à transfiguração em direitos de minorias o que não passa de óbvias agressões à maioria, colhe recordar que o direito à diferença dista apenas um pequeno passo da diferença dos direitos. Sim, a acreditar na mensagem globalmente mediatizada, quase somos conduzidos a admitir que as maiorias são as «más da fita» e as minorias as «coitadinhas», que a estas tudo é devido e que àquela tudo é exigível. A dar razão a essa corrente, acabar-se-ia dando cabimento à instauração do leonismo como forma normal das relações humanas, atacar-se-ia a democracia no seu fundamento processual da decisão maioritária e, mais prosaicamente, revogar-se-ia o ditado «em Roma sê romano».

 

Depois da dimensão científica a nível da genética, da saúde e, no limite, das questões da vida, esta, pois, uma outra dimensão das mais novas questões éticas: a ética da comunicação.

 

Códigos de ética profissional vêm sendo instituídos nos mais variados sectores mas na era da informação globalizada, a ética da comunicação assume não só uma dimensão universal mas também – e talvez por isso mesmo – uma hierarquia superior. E dentro da comunicação – para além dos noticiários que tanto exploram o escândalo com vista à obtenção das maiores audiências, do que resulta um ambiente global de sobressalto – cumpre destacar a comunicação escolar, ambiente em que é frequente surgirem sérios conflitos entre as minorias (étnicas, sociais, religiosas, de opção sexual, …) e a maioria.

 

Na esfera duma educação com base na moral do dever, do esforço, do mérito, da dignidade igual de ambos os géneros, ao professor cumpre comunicar com os futuros cidadãos levando-os a conhecer, a admitir e a partilhar os princípios da Declaração Universal dos Direitos do Homem e, em matéria de ética, o respeito pelos outros, o respeito pelos princípios de argumentação e a crítica do racismo. São estes os princípios universais que o professor tem que transmitir, com um duplo significado: o de que a fonte do direito se encontra na humanidade e já não na divindade; o de que a pessoa tem direitos universais independentemente das diferenças de identidade nacional, cultural, religiosa ou de género.

 

Desta forma, há que:

 

Assegurar a não exclusão entre doutrinas éticas oriundas de diferentes tradições filosóficas e, se possível, religiosas;

 

Buscar a complementaridade entre essas doutrinas procurando regras de conduta racionais e razoáveis

 

e, sobretudo,

 

Assumir como um dever permanente a crítica às insanidades da História.

 

Eis por que, se a comunicação social e a escolástica cumprirem um código de ética verdadeiramente humanista, o futuro será por certo mais harmónico.

 

 Outubro de 2010

 

 Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA:

Changeux, Jean-Pierre – O debate ético numa sociedade pluralista, in UMA ÉTICA PARA TODOS, Ed. Instituto Piaget, 1999

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:15
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RECEBIDO POR E-MAIL:

Mas num país cuja juventude vem sendo educada na irresponsabilidade, na indisciplina, no laxismo, todos convergentes no desrespeito por si, pelo outro, por valores, essa palavra ética faz algum sentido? Os professores que não pactuem, ganham depressões físicas. E os pais igualmente. Para além dos gastos nas "ritalinas"...
Berta Brás
Henrique Salles da Fonseca a 18 de Outubro de 2010 às 17:37

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