Elos Clube de Tavira

Outubro 13 2010

 

 

A investigação científica distingue-se de qualquer outra actividade humana por dois traços fundamentais: a sua dimensão crítica e o verdadeiro progresso dos conhecimentos objectivos que acompanha os seus avanços.

 

Uma espiral do conhecimento que coloca sempre novos problemas que exigem investigação que propõe soluções de que alguém duvida e que por isso mesmo coloca novo problema… um sem-fim ao estilo de

 

Problema => investigação => solução => crítica/dúvida =>

=> Problema => investigação => solução => crítica/dúvida =>…

 

É ao longo desta espiral que surgem questões éticas sobre a bondade das soluções propostas e que levou o Presidente francês François Mitterrand em 1983 à constatação da necessidade de «responder aos cidadãos que procuram pontos de referência nos avanços por vezes vertiginosos das ciências da vida e da saúde, responder aos investigadores e aos práticos que se sentem frequentemente demasiado sós face às consequências gigantescas dos seus trabalhos e responder igualmente às expectativas dos poderes públicos que necessitam de opiniões, conselhos e recomendações».

 

Assim nasceu o Comité Consultivo Nacional de Ética para as Ciências da Vida e da Saúde.

 

Passados 15 anos de árduo trabalho, outro Presidente – Jacques Chirac – reconheceu que o Comité «zelou para que os avanços ligados ao progresso do conhecimento fossem feitos no respeito da pessoa humana».

 

O Conselho da Europa adoptou uma convenção para a protecção dos direitos humanos e da dignidade do homem perante as implicações da biologia e da biomedicina.

 

Mas como a espiral científica segue um caminho errático, sem uma finalidade específica que não seja a de uma aproximação progressiva à verdade, essa que mais não é do que um ponto infinitesimal no infinito, torna-se necessário identificar o local de origem, as condições de produção e o destino dos conhecimentos científicos. É neste domínio que surge a Ética distinguindo entre o «que é» e o que «deve ser».

 

Foi já em 1967 que Jean Rostand escreveu: no futuro, a grande política humana resultará principalmente da biologia e da moral. Tratar-se-á de se pronunciar entre os interesses do indivíduo e os da espécie, entre a liberdade dos somas e a qualidade dos germes, entre uma determinada concepção da dignidade humana e o progresso orgânico do homem, entre os aspectos relativos à integridade física e os aspectos relativos à enfermidade, entre o respeito pela vida e a piedade pelos seres vivos.

 

Eis-nos presentes no futuro de Rostand…

 

(continua)

 

Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA: Changeux, Jean-Pierre – O debate ético numa sociedade pluralista, in UMA ÉTICA PARA TODOS, Ed. Instituto Piaget, 1999

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:38
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