Elos Clube de Tavira

Outubro 10 2010

  (*)

 

 

Chorai arcadas

Do violoncelo!

Convulsionadas,

Pontes aladas

De pesadelo...

 

De que esvoaçam,

Brancos, os arcos...

Por baixo passam,

Se despedaçam,

No rio, os barcos.

 

Fundas, soluçam

Caudais de choro...

Que ruínas, (ouçam)! S

e se debruçam,

Que sorvedouro!...

 

Trémulos astros...

Solidões lacustres...

— Lemes e mastros...

E os alabastros

Dos balaústres!

 

Urnas quebradas!

Blocos de gelo...

— Chorai arcadas,

Despedaçadas,

Do violoncelo.

 

 

Um poema simbolista, à maneira do poeta francês Paul Verlaine, jogando com os sons, como sugestão de estados de alma:

 

Les sanglots longs

des violons

de l'automne

blessent mon coeur

d'une langueur

monotone.

 

Tout suffocant

et blême, quand

sonne l'heure.

je me souviens

des jours anciens,

et je pleure...

 

Et je m'en vais

au vent mauvais

qui m'emporte

de çà, de là,

pareil à la

feuille morte...

 

O poema de Pessanha joga igualmente com as suas emoções, associadas à musicalidade ou simbolismo dos sons, numa poesia adescritiva, contrária às grandes tiradas retóricas da poesia lírica anterior, em processo aliterativo e sinestésico, os sons amplos, abertos e líquidos - aa, ll, rr - das imagens fugidias da água do rio, ou dos sons do violoncelo, os sons fricativos - ss - contrastantes, com os oclusivos mais duros - pp, kk, tt - os uu e os ee fechados - transpondo sentimentos do transitório, do fugaz, da devastação interior, da morte, concomitantes com a devastação exterior contidos nas imagens das urnas quebradas, dos blocos de gelo...

 

 Foi Ester de Lemos, que fez a sua tese sobre "A Clépsidra de Camilo Pessanha", uma das pioneiras dos estudos estilísticos, que vale a pena consultar.

 

Berta Brás

 

Camilo Pessanha
Camilo Pessanha

Camilo Pessanha
   
   
 
Nacionalidade  Portugal
 

Camilo Almeida Pessanha (Coimbra, 7 de Setembro de 1867 — Macau, 1 de Março de 1926) foi um poeta português, considerado o expoente máximo do Simbolismo em língua portuguesa, além de antecipador do princípio modernista da fragmentação.

Vida

Tirou o curso de Direito em Coimbra. Em 1894, transferiu-se para Macau, onde, durante três anos, foi professor de Filosofia Elementar no Liceu de Macau, deixando de leccionar por ter sido nomeado em 1900 conservador do registro predial em Macau e depois juiz de comarca. Entre 1894 e 1915 voltou a Portugal algumas vezes, para tratamento de saúde, tendo, numa delas sido apresentado a Fernando Pessoa que era, como Mário de Sá-Carneiro, grande apreciador da sua poesia.

Publicou poemas em várias revistas e jornais, mas seu único livro Clepsidra (1920), foi publicado sem a sua participação (pois se encontrava em Macau) por Ana de Castro Osório, a partir de autógrafos e recortes de jornais. Graças a essa iniciativa, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições saíram em 1945, 1954 e 1969.

Apesar da pequena dimensão da sua obra, é considerado um dos poetas mais importantes da língua portuguesa. Camilo Pessanha morreu no dia 1 de Março de 1926 em Macau.

 

in Wikipédia

 

(*) http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://1.bp.blogspot.com/_262cQzElJNE/SuCc95YDf3I/AAAAAAAAAGU/83T19EpjWgY/s400/CamiloPessanha2.jpg&imgrefurl=http://urbanizacao-vale-mourao.blogspot.com/2009/10/praceta-camilo-pessanha.html&usg=__StqxWcOMpryda4JEN0Ut2tXE8-w=&h=300&w=400&sz=33&hl=pt-pt&start=0&sig2=imIhMo_UzkUBLR-JsgqCFQ&zoom=1&tbnid=YuebbmmA-GZpbM:&tbnh=106&tbnw=151&ei=YJKxTLP_OtmP4gaAoLjZBg&prev=/images%3Fq%3DCamilo%252BPessanha%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1003%26bih%3D551%26tbs%3Disch:10%2C165&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=601&vpy=83&dur=859&hovh=194&hovw=259&tx=140&ty=96&oei=YJKxTLP_OtmP4gaAoLjZBg&esq=1&page=1&ndsp=20&ved=1t:429,r:11,s:0&biw=1003&bih=551

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 11:09
Tags:

mais sobre mim
Outubro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9






pesquisar
 
blogs SAPO