Elos Clube de Tavira

Setembro 26 2010

 

 

«Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhámos.

 

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.

 

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.

 

Hoje já não tenho tanta certeza disso.

 

Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.

 

Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas que trocaremos.

 

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.

 

Vamo-nos perder no tempo...

 

Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto! - Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!

 

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo. E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos. Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo...

 

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

 

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!»

 

 Fernando Pessoa

 

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.

Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e PESSOAS INCOMPARÁVEIS.

 

Luís Santiago

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:48
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Meu Prezado Amigo, Drº Henrique Salles da Fonseca,
Só agora vi esta publicação. Gostaria de salientar que a ideia não foi minha. Um amigo muito querido de há muitos anos, enviou-me este texto do Fernando Pessoa, com o texto final destacado de alguém que não conheço, que tomei a liberdade de lhe reenviar, pois estou habituado a partilhar consigo e com outros Amigos, textos que me merecem respeito e admiração. Fico honrado que tenha posto o meu nome, mas não quis deixar de esclarecer esta situação, que, não é, de todo, grave, mas é imerecida. Um grande abraço e um muito obrigado. Luís Santiago
Luis Santiago a 26 de Setembro de 2010 às 23:09

RECEBIDO POR E-MAIL:

E se Pessoa soube descrever o efémero! Mas também a saudade do passado, "olhando para trás de "si" e tendo pena"! E deixando bem arreigado em nós o sentimento da solidão e do pó que somos. Mas há muitos que não se deixam apanhar por estes pensamentos poeirentos e vão em frente "até que a voz "lhes" doa"... Felizmente que assim é.
Berta Brás
Henrique Salles da Fonseca a 27 de Setembro de 2010 às 21:08

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