Elos Clube de Tavira

Julho 18 2010

 

http://www.ednaschonblum.com/serie_janelas__Lisboa.jpg

 

Tenho quarenta janelas

nas paredes do meu quarto.

Sem vidros nem bambinelas

posso ver através delas

o mundo em que me reparto.

 

Por uma entra a luz do sol,

por outra a luz do luar,

por outra a luz das estrelas,

que andam no céu a rolar.

 

Pela maior entra o espanto,

pele menor a certeza,

pela da frente a beleza,

que inunda de canto a canto.

 

Pela redonda entra o sonho,

que as vigias são redondas,

e o sonho afaga e embala

à semelhança das ondas.

 

Todos os risos e choros,

todas as fomes e sedes,

tudo alonga a sua sombra

nas minhas quatro paredes.

 

Oh janelas do meu quarto,

quem vos pudesse rasgar!

 

Com tanta janela aberta

falta-me a luz e o ar.

 

  

          António Gedeão

      (Lisboa 1906 - Lisboa 1997) Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, concluiu, no Porto, o curso de Ciências Físico-Químicas, exercendo depois a actividade de docente. Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições, como A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX. Publicou ainda outros estudos, como História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1959), O Sentido Científico em Bocage (1965) e Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII (1979).

  

Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo. A esta viriam juntar-se outras obras, como Teatro do Mundo (1958), Máquina de Fogo (1961), Poema para Galileu (1964), Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Na sua poesia, reunida também em Poesias Completas (1964), as fontes de inspiração são heterogéneas e equilibradas de modo original pelo homem que, com um rigor científico, nos comunica o sofrimento alheio, ou a constatação da solidão humana, muitas vezes com surpreendente ironia. Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção.

 
Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24 (1963) e dez anos depois a sua primeira obra de ficção, A Poltrona e Outras Novelas (1973). Na data do seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago de Espada.

 

in  http://www.astormentas.com/biografia.aspx?t=autor&id=Ant%c3%b3nio%20Gede%c3%a3o

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 11:16
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RECEBIDO POR E-MAIL:

Janelas de um quarto, de uma casa, de uma cidade, janelas de cada mundo, mais ou nenos interessado nos mundos em redor, Ao modo simples e rico de Gedeão... Que acrescentaria ele às suas janelas hoje?
Berta Brás
Henrique Salles da Fonseca a 18 de Julho de 2010 às 18:00

CE Salles Fonseca, Presidente do Elos Clube de Tavira:
Mais uma vez surpreende com as publicações no presente blog. Traz informações, ilustrações, insere mais vida ao cotidiano e riqueza às construções mentais.
Parabéns pela ousadia, pela persistência, pela inovação!
Parabéns pela divulgação de ícones poéticos.
Saudações elistas
CE Maria Inês Botelho-PRESINT
Maria Inês Botelho a 18 de Julho de 2010 às 19:18

RECEBIDO POR E-MAIL:

Obrigada ao Clube por este belo poema de Rómulo de Carvalho!
E pelas belas janelas que nos seguem anos e anos e por vezes nem
olhamos para elas!
Um abraço
Isabel O'Sullivan Lopes da Silva
2010/7/18
Henrique Salles da Fonseca a 19 de Julho de 2010 às 08:02

E nós todos os dias
- há mais de 60 anos -
passamos por estas janelas
e nem nelas reparamos...

HSF
Henrique Salles da Fonseca a 20 de Julho de 2010 às 15:51

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