Elos Clube de Tavira

Junho 21 2010

 

 

Educar é hoje uma missão muito difícil.

 

E como afirma Bento XVI, todos os pais se preocupam com o bem dos filhos. Sabemos que depende deles o futuro da sociedade e não podemos deixar de fazer o melhor pela formação das novas gerações. Temos que lhes dar uma forte capacidade de se orientarem na vida e de distinguirem o bem do mal.

 

A ruptura entre as gerações de que tanto se fala, resulta da não transmissão de certezas e valores. Resulta da solução de continuidade que foi criada pela renúncia daqueles que deviam assumir a função educativa: os pais. Estão em causa as responsabilidades pessoais dos adultos, que são reais e não devem ser escondidas, mas também uma atmosfera difusa, uma mentalidade e uma forma de cultura que fazem duvidar do valor da pessoa, do próprio significado do bem. Então, torna-se difícil transmitir de uma geração para a outra algo de válido e de certo, regras de comportamento, objectivos credíveis com base nos quais construir a própria vida.

 

Estas dificuldades são a outra face da moeda que é a liberdade e esta constitui uma relação biunívoca com a responsabilidade. A liberdade de cada um de nós cessa onde começa a do nosso vizinho e se queremos ser livres, então temos que assumir a responsabilidade dos actos que livremente praticamos. Só é responsável quem é livre e a actual irresponsabilidade não é atributo por que devamos pugnar.

 

Contrariamente ao que acontece na engenharia ou na economia onde os progressos actuais se podem somar aos do passado, na formação moral e na prática ética não existe essa possibilidade de acumulação. A liberdade é sempre nova e portanto cada pessoa e cada geração deve tomar de novo, directamente, as suas decisões. Também os maiores valores do passado não podem simplesmente ser herdados: devem ser assumidos tanto no plano individual como no colectivo.

 

Mas quando as bases são abaladas e faltam as certezas fundamentais, a necessidade desses valores volta a fazer-se sentir. E é disso que aqui tratamos: de uma educação que o seja verdadeiramente e não se limite ao simples débito de programas curriculares de mera base científica, sem qualquer orientação pró-ética. Felizmente há pais preocupados e muitas vezes angustiados com o futuro dos próprios filhos; muitos são os professores que sofrem com a degradação das escolas; a sociedade, no seu conjunto, vê postas em dúvida as próprias bases da convivência; e muitos são por certo os próprios jovens que não querem ser deixados sozinhos perante os desafios da vida.

 

(continua)

 

 Henrique Salles da Fonseca

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:29
Tags:

Caro amigo Henrique,

Tendo lido no seu blog o que escreveu sobre a educação, pus-me a pensar. A educação é um tema que me dá sempre que pensar, talvez por que veja a diferença entre a que me foi dada a mim e a das outras pessoas da minha idade. Vejo frequentemente nos meus amigos comportamentos que na minha casa dariam imediatamente direito a uma bofetada como resposta e que, no entanto, são admitidos placidamente pelos pais deles, como se fosse natural. As pessoas convenceram-se de que educar é deixar lugar à expressão em todas as suas formas e de que um castigo equivale a uma repressão inadmissível. Deixaram de passar os seus valores numa tentativa desesperada de ganhar o amor dos filhos e perderam a noção de que quem ama, respeita. Vejo pais que se deixam insultar, manipular e ignorar completamente e que, ainda assim, acham que têm o amor dos seus filhos!

As crianças procuram sempre conhecer os limites que lhes são impostos e eu penso que é através da imposição desses limites que, a pouco e pouco, se vai conseguindo incutir nelas a noção de bem e de mal. Os complexos de culpa e a falta de tempo dos pais para impor regras de comportamento às crianças resulta sempre em adultos perdidos, cobardes e tristes. Adultos egoístas que não sabem ser livres e não respeitam a liberdade dos outros. As pessoas já não sabem admitir os seus erros, acham que têm sempre razão e que a culpa é de outro qualquer, (em última análise a culpa é do governo), porque foram mimados e protegidos e estão habituados fazer o que lhes apetece sem consequências. Na tentativa de lhes proporcionar a tão desejada liberdade, os pais protegeram-nos tanto que lhes retiraram as ferramentas essências para saber lidar com ela. Ser livre não é fazer o que se quer, ser livre é saber o que se pode ou não fazer e ter a consciência de que um erro comporta consequências. Responsabilidade!

Para mim, que não tenho filhos e que nunca fui confrontada com as dificuldades de transmitir uma boa educação, a questão é simples: as pessoas habituam-se a adoptar certos comportamentos desde a infância. A criança que grita com os pais para chamar a atenção e consegue sempre o que quer habitua-se a ser o centro do mundo e vai fazer o mesmo com toda a gente e a criança que se habitua a desobedecer sem consequências vai transformar-se num adulto que não dá muita importância às regras. Não faço ideia se vou conseguir um dia educar bem os meus filhos. Se por um lado gostava que eles percebessem o ridículo que é um adolescente passear-se de cerveja na mão ao sábado às três da tarde, por outro não me quero transformar no meu pai e acho que é aí que reside o problema. É aí que concordo consigo: não basta ouvir falar, é preciso estar muito convicto de que os valores que recebemos foram os bons, para os passar adiante sem sombra de dúvida e sem vergonha, para fazer sofrer um adolescente durante anos, porque ele quer ser como os outros e nós não o podemos deixar e termos a certeza de que um dia ele vai perceber e que até nos vai agradecer! Deve ser difícil ter tanta certeza assim quando é um filho que nos pede para ir com os amigos. Ele não percebe as nossas razões e acha que é pura maldade. Eu achava isso!

Quando eu lhe apresentar, um dia, o meu filho mais velho, quero que me diga se o eduquei bem... e se achar que não, diga-me na mesma e lembre-me disto que lhe estou a escrever agora, para me por no caminho certo.

Maria do Canto Tavares
Henrique Salles da Fonseca a 22 de Junho de 2010 às 18:38

mais sobre mim
Junho 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9





pesquisar
 
blogs SAPO