Elos Clube de Tavira

Maio 28 2010

Foto: Arquivo particular

 

 

Dizem os psicólogos e filósofos que viver o seu tempo implica em adequar comportamentos às diferentes necessidades de cada etapa da vida. Viver a vida é aprender a lidar com perdas e ganhos, é fazer escolhas, seguir caminhos, é entender e aceitar as mudanças que marcam o nosso destino, quando não há mais volta.

 

Para a criança o passado é quase inexistente, foi ontem, ainda não deixou marcas suficientes para construir uma história. O presente se faz de uma maneira intensa, marcante, onde a cognição dá à criança aquele ar puro, abstracto, inocente, de quem olha o mundo pela primeira vez. O futuro é um largo e dilatado horizonte, onde não se vê o fim, só inúmeras possibilidades fantasiosas.

 

É na infância que percebemos e aprendemos a ver o que nos cerca, a conhecer pessoas e objectos de maneira clara, sem preconceito de qualquer espécie, de uma forma natural e intuitiva, livres de pensamentos volitivos. É nessa fase da vida que o cérebro procura incessantes novidades para se alimentar e desenvolver, para armazenar imagens e sensações na memória. No futuro isso lhe dará a consciência, a básica cosmo-visão, a compreensão que, junto à educação e à genética, a fará um adulto lúcido ou toleirão, um bom ou mau cidadão. Nos lares normais e estruturados é na meninice que se é mais feliz. O mundo infantil se resume a quadros familiares, teatrais restritos, repetitivos, exclusivos, onde a criança vive harmoniosamente protegida e suprida nas suas elementares necessidades. Os anos passam, a criança cresce e se transforma num jovem em busca de identidade própria. Tem anseios e desejos, sonha, tem ilusões. É a idade das inquietações, quando se espera tudo do mundo, principalmente a felicidade. É o tempo das revoltas ao ver as injustiças, é quando se quer mudar o mundo, acusando-o da pobreza material e da vacuidade da sociedade. É nesse tempo que se entende que para se conseguir o que se quer é preciso abdicar de algo, fazer sacrifícios, lutar. É na juventude que se aprende que realizar sonhos tem um preço. É nessa época de vigor, de escolhas ainda não sedimentadas, de tentativas, de erros e acertos, que o futuro é possível.

 

À medida que se aproxima a maturidade pouco a pouco se fecham portas, diminuem as opções de vida, as alternativas profissionais. Não se decidindo, o homem acaba sendo levado pelas oportunidades ou pelas necessidades. Aos 40 anos está completo. É um profissional, tem uma posição social e responsabilidades familiares. É a fase das realizações, das conquistas, das vaidades. Mas também é a época das perdas, dos lutos, dos arrependimentos, das frustrações, quando a vida não lhe traz o que gostaria. Mudar de comportamento, de vivências, é cada vez mais difícil. A vida fica menos flexível, as oportunidades são menores, o campo de actividades mais restrito. Porém, se as energias vitais ainda são suficientes e se ainda tem “ fichas para gastar”, com ajuda do psicólogo, pode recomeçar.

 

O homem ao chegar a velhice está mais ilustrado, tem mais a oferecer que para receber da sociedade. Sabe quem é. Liberto das paixões, das tolas vaidades, não precisa disputar mais nada. Sabe que tudo um dia acaba. A vitalidade física cai, perde as ilusões, a memória apaga as más recordações, retém os bons momentos, como flashes. Fica o conhecimento abstracto subentendido na infância, conceitos e valores pessoais, visão do passado. A vida urge, encurta porque a memória do tempo rotineiro vivido aos poucos se esfumaça. O velho vivência o que acumulou de conhecimento em si mesmo. Faz o que pode e depois esquece.... É a memória falhando. O que lhe importa ao final de seus dias é a segurança material, o carinho da família, o bem-estar. À consumação das energias vitais, quando expira o seu tempo existencial, a morte natural passa a ser leve, até desejada como o descanso final.

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 01/04/10

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:26
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Prezado CE Salles Fonseca, Presidente do Elos Clube de Tavira e todos os seus demais membros:

O presente texto contém verdades expostas de maneira clara, verdadeira e orientadora para o leitor.
Este se tornou momento importante de orientação para quem educa e instrue.
Que bom que o blog do Elos Clube de Tavira se tornou ferramente de difusão de conhecimento para melhor vivência humana!
Esta Presidência envia os seus respeitos aos companheiros e à Maria Eduarda Fagundes, autora do presente texto.
Haja muitos outros textos colocados neste especial espaço, favorecendo a interação, o aprendizado vivencial .
Saudações elistas.
CE Maria Inês Botelho-Presidente do Elos Internacional da Comunidade Lusíada
Maria Inês Botelho a 28 de Maio de 2010 às 18:43

ARTIGO MUITO BOM.
DEVEMOS APRENDER A VIVER CADA FASE DA VIDA.
MEU GRUPO MUSICAL CANTA JUSTAMENTE A BELEZA DE ENVELHECER COM SAÚDE , AMOR E HUMOR!!
CONHEÇA O GRUPO UVAPASSA !!!
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ARTIGO MUITO BOM. <BR>DEVEMOS APRENDER A VIVER CADA FASE DA VIDA. <BR>MEU GRUPO MUSICAL CANTA JUSTAMENTE A BELEZA DE ENVELHECER COM SAÚDE , AMOR E HUMOR!! <BR>CONHEÇA O GRUPO UVAPASSA !!! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>ACESSE</A> : <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Clips</A> no Youtube : http :/ www.youtube.com /watch?v=nkekMtiqvu8 <BR class=incorrect name="incorrect" <a>http</A> :/ www.youtube.com /watch?v=uqUxdWYyI9g&amp;feature=related <BR><BR>OBRIGADA E BJUSSSSSSSSSS <BR>ANA LUNA SÃO PAULO
ANA LUNA a 28 de Maio de 2010 às 20:33

Eu penso que não conheço a Sra. mas acho que seu esposo é um moço de meu tempo na minha infancia em Tavira.
Acho quer o Fagundes se lembrará de mim porque na altura só havia um Delmar na minha terra.
Ele que ma mande um e-mail para matar saudades.
Eu vivo no Recife.
Um abração
Delmar Rosado
Delmar Rosado a 30 de Maio de 2010 às 23:51

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