Elos Clube de Tavira

Maio 23 2010

 

Aumento da violência nas escolas reflecte

crise de autoridade familiar

 

 

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam que o aumento da violência escolar se deve a uma crise de autoridade familiar pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos remetendo essa responsabilidade para os professores.

 

Os participantes no encontro Família e Escola: um espaço de convivência, dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

 

As crianças não encontram em casa a figura de autoridade, que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

 

As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa, sublinhou.

 

Para Savater, os pais continuam a não querer assumir qualquer autoridade, preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos seja alegre e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

 

No entanto, quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os, acusa.

 

O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar, sublinha.

 

Há professores que são vítimas nas mãos dos alunos.

 

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que ao pagar uma escola deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão psicologicamente esgotados e que se transformam em autênticas vítimas nas mãos dos alunos.

 

Mais afirma: a liberdade exige uma componente de disciplina que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

 

A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara, afirma, recomendando aos pais que transmitam aos filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, uma oportunidade e um privilégio.

 

Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina, frisa Fernando Savater.

 

O filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos.

 

Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo e isso leva-os à rebeldia, afirmou.

 

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade pois mais vale dar uma palmada, no momento certo do que permitir as situações que depois se criam.

 

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

  Fernando Savater

http://4.bp.blogspot.com/_DVIhvfZ_fM8/SQSbaRkIuqI/AAAAAAAAAok/ZS2r-cXTczU/S220/mostra_fotografiaautor.gif

 

(texto recebido por e-mail; autoria de jornalista não identificado)

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 12:49

RECEBIDO POR E-MAIL:

Uma análise perfeitamente clara, cujos argumentos suponho que ninguém põe em dúvida. E pelos vistos, o mal é global, pelo menos nos povos a quem "autoridade" passou a significar "autoritarismo", e como tal, foi repudiada aquela, por conta da doçura imposta na educação indescriminadamente. Seriedade, respeito, disciplina, onde vai isso? As crianças - homens ou mulheres - são respeitadas na sua igualdade com os mais velhos, porque os homens nascem livres e iguais em direitos. Creio que já não há volte-face possível.
Berta Brás
Henrique Salles da Fonseca a 23 de Maio de 2010 às 19:48

A questrão da indisciplina das crianças começou após 74 com a destruição de toda a disciplina na sociedade portuguesa como é costume após as revoluções comandadas pelo PC para criar o caos e assim poder instaurar a sua democracia popular com a habitual autoridade muisculada. Não aconteceu assim mas a disciplina, que eu defendo ser a maneira inteligente de se conviver com eficiência e que implica a acção educativa por parte dos pais e de todas as chefias a que estamos sujeitos nunca foi praticada desde então originando o caos nas escolas, nas estradas, no parlamento, no governo, etc etc. E o resultado está à vista!
José Carlos Gonçalves Viana a 24 de Maio de 2010 às 17:12

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