Elos Clube de Tavira

Maio 14 2010

 

 

São infelizmente poucos os portugueses que conhecem que a raia leste de Portugal não é exactamente uma fronteira linguística, que a fronteira política deixou em Espanha territórios bem portugueses onde a nossa fala vive em estado de depauperação.

 

Estou-me referindo aos concelhos espanhóis de Olivença e Tálega (a Olivença portuguesa) ocupados por Espanha em 1801 e que a pesar de ser mandato do Tratado de Viena de 1815 o seu retorno à pátria, seguem ocupados e o português neles perseguido.

 

Os territórios de Valência de Alcântara, Ferreira de Alcântara e Cedilho que cantou Pessoa – e que bem se lembrou deles Afonso V ao assinar Portugal um tratado secreto com Filipe de Anjou, (neto de Luis XIV da França), intervindo Portugal a troca desses territórios, na longa guerra de sucessão em apoio do Bourbon, frente ao aspirante austríaco - porém, obtida a vitória polo Bourbon (Filipe V da Espanha) este negou-se a cumprir o tratado – não tornando esses territórios bem portugueses a Portugal - comportando-se assim dum jeito muito espanhol.

 

Estão logo os territórios do vale do Xalma- concelhos espanhóis de Valverde do Freixo, Sam Martim de Trevejo e Eljas. Mais ao norte estão os concelhos de Almedilha e Calabor. Todos esses territórios são contíguos de Portugal e afastados geograficamente das falas galegas do português, ainda que a pressão do castelhano e a sua imposição dá a estas falas uma farda muito galaica 

<http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1906:o-galego-ou-a-caminhada-do-portugues-para-o castelhano&catid=8:cronicas&Itemid=69>.

 

Um grupo de professores galegos membros do colectivo glu glu, realizaram um interessante filme sobre esta realidade, que pode ser adquirido na Loja on-line imperdível <http://imperdivel.net/documentarios/60-entrelinguas.html> e que estou seguro vai ser todo um descobrimento para o público português em geral, e para entender de jeito muito mais claro que as falas galegas são parte da sua própria língua.

 

O documental é acompanhado com outro DVD com dados, inclui uma entrevista -de muito interesse - com um professor da universidade de Vigo – Henrique Costas - que seguindo as teses espanholas, defende que as falas galegas não são português e por tanto algumas das falas portuguesas da raia leste e pela mesma razão - são galegas - é dizer espanholas (e não portuguesas).

 

A obra é uma pequena jóia que vai servir para os portugueses recuperarmos algum aspecto da complexidade da nossa formação nacional, pois a fronteira do tratado de Alcanhizes não é exactamente uma fronteira linguística.

 

Só mais uma cousa: se o português destes territórios vive uma dura situação, onde pior está é no mais recente território roubado de Portugal – Olivença – onde se empregaram a fundo os espanhóis com -jugo e vara - para apagar a nossa língua.

 

 Alexandre BanhosAlexandre Banhos Campo

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 15:08

RECEBIDO POR E-MAIL

Caro Henrique,

Estive num debate sobre "As eleições na Hungria e a Europa".
3,5 milhões de húngaros vivem nos países limítrofes da Hungria (desde que a Hungria foi sovietizada). O próximo governo (saído das eleições de 25 de Abril) vai devolver o estatuto de nacionalidade húngara a todos eles. Antes mesmo de reflectir sobre esta medida, penso nas suas implicações: a questão é muito complicada, pois os países onde esses 3, 5 milhões de húngaros vivem (Ucrânia, Eslováquia, etc ... Vovoidina...) não vão achar graça nenhuma. Haverá certamente um crescendo de conflitualidades e uma espiral de novos problemas, nomeadamente com os húngaros que vivem na Ucrânia, país onde a dupla nacionalidade é uma impossibilidade legal.

Como o assunto de Olivença estava, por acaso, no meu espírito, após as nossas trocas de e-mails, lembrei-me de partilhar a questão da nacionalidade húngara consigo, pois poderá interessar-lhe. Claro que haverá enormes diferenças entre os húngaros que estão fora da Hungria e os oliventinos. No entanto, achei curioso o projecto da Hungria, se bem que perigoso. Parece-me uma caixa de Pandora no fundo da qual jazem feridas antigas da Europa centro-leste, nomeadamente da memória de um Império austro-húngaro.

Abraço,

Vera Santana
Henrique Salles da Fonseca a 14 de Maio de 2010 às 15:16

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