Elos Clube de Tavira

Maio 05 2010

 

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Terá sido a partir de Leiria que D. Afonso Henriques decidiu fazer uma surtida contra Sevilha em retaliação contra as permanentes investidas muçulmanas sobre o território português que frequentemente chegavam tão longe como os campos do Mondego.

 

Desse fossado resultaram grandes ganhos materiais para os cristãos pelo que os muçulmanos se decidiram por perseguir as forças de Ibn al-Rink, o filho de Henrique, a fim de recuperarem os bens de que tinham sido espoliados.

 

Lançada a perseguição, escolheram atacar em território aberto e vazio – a que então se chamava «ourique» – para que os cristãos não dispusessem de defesas naturais a que se pudessem acoitar.

 

Mas as evoluções no terreno e a sorte da batalha determinaram que os muçulmanos deviam fugir de volta a Sevilha deixando mortos espalhados pelo campo da luta e ali mesmo abandonando os peões moçárabes que os haviam acompanhado. Constituindo famílias inteiras, logo foram estes aprisionados por D. Afonso Henriques que dali mesmo marchou até à sua capital nas margens do Mondego.

 

Chegados às proximidades de Coimbra, logo a notícia se espalhou de que eram cativos moçárabes, os cristãos de rito visigótico.

 

Avisado na sua clausura, Teotónio saiu de rompante à rua em direcção ao cortejo que seguia o rei e ao encontrá-lo bradou-lhe rijas palavras em defesa dos cristãos que trazia assim cativos. Logo ali foram os cristãos libertados e Teotónio regressou à clausura em Santa Cruz.

 

Bernardo, Bispo de Coimbra, acérrimo defensor das reformas gregorianas, não terá gostado assim tanto dessa libertação e foi a partir daí que nunca mais houve paz perfeita entre a Ordem de Santa Cruz e a Sé de Coimbra que tanto se empenhou na instauração do novo «Império Romano».

 

Mas no final, foi Teotónio que subiu aos altares.

 

Abril de 2010,

 

 Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA: Mattoso, José – D. Afonso Henriques, pág. 128 e seg. – Círculo de Leitores, ed 2006

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:40
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São nacos de história encantadores na escrita ligeira, que nos mostram um passado mais feroz em termos físicos do que o presente. E mais brioso.
Berta Brás
Henrique Salles da Fonseca a 7 de Maio de 2010 às 09:41

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