Elos Clube de Tavira

Dezembro 22 2010

 

 

Depois de procelosa tempestade,

Nocturna sombra e sibilante vento,

Traz a manhã serena claridade,

Esperança de porto e salvamento;

Aparta o Sol a negra escuridade,

Removendo o temor do pensamento:

Assim no Reino forte aconteceu,

Depois que o Rei Fernando faleceu.

 

Os Lusíadas – Canto IV – 1

Luís de Camões

 

 

Votos de feliz Natal e que em 2011 também possamos dizer da crise o que Camões disse do Rei Fernando.

 

Henrique Salles da Fonseca

 

NB: Este blog vai entrar em pousio até 3 de Janeiro de 2011 pois vou ausentar-me de Portugal e não levo o computador portátil que está em reparação até Janeiro adentro…

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 15:20
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Dezembro 21 2010

 A casa da oliveira

 

LUIS DE MELO E HORTA

 

Novo livro apresentado na Biblioteca Municipal de Tavira No passado dia 18 de Dezembro, na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos, em Tavira, mais de uma centena de pessoas testemunhou a apresentação do novo livro de Luís de Melo e Horta, “A Casa da Oliveira”, com Prefácio do Dr. David Sequeira.

 

A sessão teve a comparência do Presidente da Câmara Municipal, Dr. Jorge Botelho, acompanhado na Mesa pelo Vice-Presidente Arquitecto Luís Nunes, pelo Dr. David Sequeira, pelo Dr. Jorge Correia e pelo autor.

 

Trata-se de uma obra de ficção, virada no entanto para “As contingências sociais e económicas que envolveram a sociedade tavirense” e, segundo o autor, “A simbologia em que a “Casa da Oliveira” se constitui como “figura principal” não dispensa, antes reforça, a importância do registo de uma família numerosa, na forma muito especial e muito solidária da sua vivência, a partir dos anos 30 e até final do Século XX, ali reconstituída”.

 

Com a apresentação do livro a cargo do Dr. David Sequeira, o Presidente do Município e o Dr. Jorge Correia tiveram intervenções de incentivo à continuidade para com o autor, que finalizou a sessão abordando a natureza e a importância da família como pilar da sociedade nas dificuldades e no embate social que o mundo atravessa.

 

Muito da experiência do autor no âmbito da Comunicação Social assenta na inventariação de carências locais e regionais e na observação da forma como se desenvolvem as relações humanas, no concreto de comunidades urbanas como Tavira que fielmente retrata por directo conhecimento.

 

Luís Horta, que é fundador e actual Presidente da Assembleia Geral do Elos Clube de Tavira e tem mais de meio século de ligação ao jornalismo, foi co-fundador de vários jornais em Tavira, entre os quais o “Jornal do Sotavento”, do qual exerceu o cargo de Director durante 19 anos, órgão da imprensa regional que há cerca de um ano interrompeu os seus quase vinte anos de publicação.

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:35

Dezembro 20 2010

Os homens sábios falam porque têm alguma coisa para dizer; os tontos falam porque têm que dizer alguma coisa

 

Platão

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:49
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Dezembro 19 2010

 

 Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes

 

 

« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.»

(Émile Zola)

 

 

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

 

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

 

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

 

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

 

No início, foi o Maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

 

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidémica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários sectores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

 

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

 

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

 

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

 

Ao assassino, correctamente, deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

 

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

 

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

 

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correcto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

 

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranquilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

 

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, frequentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

 

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

 

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

 

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

 

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

 

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

 

EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito;

 

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

 

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição;

 

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os directores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

 

EU ACUSO os directores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é directamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores.

 

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia. Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

 

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

 

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adoptar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

 

Igor Pantuzza Wildmann

 

Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

In http://brasileirosparaomundo.blogspot.com/2010/12/jacuse-eu-acuso.html

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 11:11

Dezembro 18 2010

(*)

 

Conhecer um pouco do passado de ANGOLA

 

http://www.cubata-angola.com/p/fotos-de-angola-da-era-colonial.html

 

 

Amável colaboração de Veladimir Cruz

 

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://mentesbrilhantes.files.wordpress.com/2008/11/3221358-my_evening_view-luanda.jpg&imgrefurl=http://mentesbrilhantes.wordpress.com/2008/11/26/luanda-um-desafio-aos-talentos/&usg=__QLJ9B3AUvwjHYzfUMudLk38EAz8=&h=420&w=560&sz=43&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=NsznmRfoQLmHBM:&tbnh=167&tbnw=220&prev=/images%3Fq%3Dluanda%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1021%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=327&ei=Wc0MTcaHD4WDswbs6PXbDA&oei=Wc0MTcaHD4WDswbs6PXbDA&esq=1&page=1&ndsp=12&ved=1t:429,r:0,s:0&tx=119&ty=104

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 15:00
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Dezembro 17 2010

Poema e voz de Euclides Cavaco

 

 

http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Sempre_Natal/index.htm

 

 

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:15
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Dezembro 16 2010

 

 

Memórias! …Nada mais, sombrios monumentos?

Saudades? …Oh, não basta, homéricos vestígios!

Remorsos? …mas são vis e estéreis os lamentos!

Esperança! – eis o segredo, a vara dos prodígios!

 

Nós somos do passado a tímida memória,

Buscando os seus avós no palmeiral funéreo

Que apenas sobre-doira um ténue alvor de glória,

Como de fátua luz se esmalta um cemitério.

 

Mas se o formoso Sol que a minha mente sonha,

Não rompe a serração nem calma adversos ventos;

Roubando-nos à luz poupai-nos à vergonha!

Caíde sobre nós, heróicos monumentos.

 

Pangim, 7 de Maio de 1870

 

Tomaz Ribeiro

 

 (*)

 

Tomaz António Ribeiro Ferreira (Parada de Gonta, Tondela, 1 de Julho de 1831 — Lisboa, 6 de Fevereiro de 1901), mais conhecido por Tomás Ribeiro, foi um político, publicista, poeta e escritor ultra-romântico português. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, exerceu advocacia durante pouco tempo, pois cedo enveredando pela carreira política. Membro destacado do Partido Regenerador, foi Presidente da Câmara Municipal de Tondela, Deputado, Par do Reino, Ministro da Marinha, Ministro das Obras Públicas e Governador Civil dos distritos de Braga e do Porto. Foi ainda secretário-geral do governo da Índia Portuguesa e embaixador de Portugal no Brasil. Eleito sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa foi presidente da sua Classe de Letras. Escritor e jornalista multifacetado, Tomás Ribeiro deixou uma obra vastíssima. Foi pai da poetisa Branca de Gonta Colaço e avô do escritor Tomás Ribeiro Colaço

 

In Wikipédia

 

(*) http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Ribeiro

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:25
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Dezembro 15 2010

 (palavras proferidas no jantar de Natal do Elos Clube de Tavira)

 

 

 

Reverendos Padres (1);

 

Prezados Companheiros;

 

Minhas Senhoras e meus Senhores:

 

É com o maior gosto que a todos saúdo nesta quadra natalícia que agora comemoramos.

 

O final do ano é também propício a que façamos um balanço entre o que fizemos e o que ficou por fazer daqui nascendo naturalmente uma perspectiva do que gostaríamos de realizar no ano seguinte. Assim vamos todos cumprindo um rumo, assim vai a sociedade vivendo e a nossa Civilização encontrando motivos para se confirmar e rejuvenescer através da afirmação dos seus fundamentos e da obra nova que vamos produzindo.

 

E se essa obra nova se pode medir pelo número de pontes e calçadas em cada ano edificadas, outra obra nova há que se pode medir de modos mais subtis. Refiro-me à obra cultural, aquela a que nós, Elistas, nos dedicamos pois aqui não somos nem ponteiros nem calceteiros.

 

E é precisamente essa obra cultural que nos pode actualmente abrir caminhos tão largos e longos quantos a largura e o comprimento do mundo. Do mundo lusíada, digo eu.

 

E o que é o mundo lusíada? Ah! Meus Companheiros e Amigos, é o mundo do tamanho do Mundo!!!

 

Já está formalizada a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) com 8 países e com Macau na qualidade de observador pois é uma Região Administrativa da China mas o mundo lusíada não se esgota neste formalismo. Temos que considerar todas as comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo e todas elas, sem excepção, fazem parte do mundo que consideramos nosso, o lusíada. Mas a esse mundo também têm que pertencer por direito próprio todos os que a ele queiram aderir por se reverem nos Valores do humanismo que ao longo da História Portugal lhes legou. Podem já não saber falar português mas dizem-se luso-descendentes e assumem uma atitude de defesa dos nossos Valores que os distingue das comunidades que os rodeiam e em que habitualmente se integram de modo plenamente pacífico.

 

Estou neste instante a recordar-me do Senhor D. Óscar Pareira, descendente do Rajá de Larantuka, capital da Ilha das Flores, arquipélago das Celebes, hoje território indonésio; cito o General Fonseka que há pouco ganhou a guerra civil que grassava no Sri Lanka; refiro os jovens luso-descendentes da região de Paris que constituíram a Associação Cabo Magalhães com o objectivo de fomentarem a ligação dos jovens licenciados franceses ao país de origem dos seus antepassados, Portugal; lembro-me das rádios e televisões em língua portuguesa sedeadas nos EUA e no Canadá; refiro-me à comunidade cabo-verdiana no Havai; não posso nem quero esquecer-me dos descendentes de Pêro da Covilhã e dos outros 400 portugueses que tanto ajudaram a Etiópia a ganhar fronteiras internacionalmente reconhecidas no âmbito dum processo histórico nascido no mítico reino do leite e do mel do Preste João.

 

Eis o mundo lusíada a que o Elismo tem que chegar; eis que cada dia que passa em que não o procurarmos será um dia perdido no resgate desses tantos que se orgulham dum País que mal conhecem (mas em cujos telejornais é diariamente vilipendiado).

 

Sim, Prezados Companheiros, temos uma obra grandiosa pela nossa frente. Cumpre-nos mostrar de que dela somos capazes, por a queremos, dela sendo dignos.

 

E o que foi esta ano conseguido? Várias «coisas» importantes mas uma eu quero realçar muito em especial: recomeçou há poucas semanas o ensino da língua portuguesa às crianças de Damão depois de um interregno de várias décadas. E como também é de realçar, sem o recurso a dinheiros do Estado Português.

 

É pouco? Claro que é pouco! Mas já não será assim tão pouco se nos lembrarmos de que o fundamen5tal é arrancar com a obra para que de seguida ela se consolide e dê os frutos que dela esperamos.

 

E aqui está a questão: que frutos dela esperamos? Desde já avanço com uma proposta de resposta: a reaproximação dessas comunidades connosco, o País que lhes levou os Valores por que eles próprios se batem; e dessa reaproximação que brotem cooperações culturais e económicas; enfim, que nasça a amizade e o desenvolvimento.

 

Prezados Companheiros e Amigos:

 

Não me alongar. Espero que em 2011 o nosso Clube ajude Tavira a celebrar o passado com o descerramento da lápide na Porta do Postigo por onde em 11 de Junho de 1239 entrou D. Paio Peres Correia trazendo a cidade definitivamente para o regaço cristão; espero que em 2011 o nosso Clube lidere o processo de dar uma bandeira à Campanha do Analfabetismo Zero; espero que em 2011 todos e cada um de Vós realize os sonhos pessoais no seio do bem-comum e formulando os meus sinceros votos de um feliz Natal para todos, agradeço a atenção que me dispensaram.

 

Muito obrigado!

 

Tavira, 12 de Dezembro de 2010

 

  Henrique Salles da Fonseca

 

(1) Padre Dinis Faísca e Padre Flávio Martins, respectivamente Párocos de Santa Maria e de Santiago, Tavira

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:31
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Dezembro 14 2010

  (*)

 

AS FORÇAS MATRICIAIS DA NAÇÃO

Conselhos dos Sábios Ancestrais

(Salve 1º de Dezembro de 1640/2010)

 

1. Depois de escrever “FARSA DOS CRAVOS VERMELHOS”, ainda meio atônito, com o panorama descortinado, senti, um novo desafio, no meu psiquismo, necessidade de realçar as forças matriciais da nação: as ideias-força que deram vida e vigor à nacionalidade. Nasceu o “RESTAURAR PORTUGAL”. Veio a calhar. Neste ano celebramos 350 anos da Restauração, por D. João IV e 100 anos de República. Precisamos articular as duas comemorações.

 

2. Enfim, Portugal é a primeira nação dos tempos modernos, fundada em nova correlação de forças, dentro dos ideais humanísticos dos Templários com decisivo apoio dos cistercienses franciscanos e outras ordens monásticas, no início do século XII. As ideias foram se articulando, em minha mente, até encontrarem seu Norte. Pensei na imensa plêiade de homens e mulheres que construíram esta nação, tão especial, em suas ideias fundadoras e em todos que mantiveram aceso e multiplicados os ideais dos nossos ancestrais, que hoje mantemos sempre renovados e revitalizados. Veio-me em minha mente a referência paradigmática que, aos nossos heróicos ancestrais, faz o Hino Nacional:

 

“Ó Pátria! Sente-se a voz

Dos teus egrégios avós,

Que te há de guiar à vitória!”

 

Pus então, na boca de um anônimo antepassado: “O espírito de Portugal, não se perderá jamais. Ele está gravado em pedra, no ar, no mar e no psiquismo coletivo da nação”. Por incrível que pareça, a nossa “geração à deriva” desaprendeu a respeitar os nossos ancestrais, como se o país não tivesse história: as novas gerações já despertam para novas descobertas que alguém lhes ocultou.

 

3. O que divulgamos aqui, num enredo muito simples, é um presumível “Concílio de nossos Sábios Ancestrais”. Vieram tomar posição firme contra a tentativa de anexar Portugal à Espanha, sob o tacão de Madri, camuflado com o nome de União Ibérica, pulverizado por mais de novecentos anos de histórias e glórias de um pequeno mas grande, honroso e rico país. Vieram dar pleno apoio à “União Lusófona de Nações Soberanas”. Este é o enredo da ópera. Leia e verá os seus olhos brilharem com mais luz! Nossos Ancestrais são um livro aberto. Têm muito a nos contar.

 

4. Em foco, nos textos desta série, está o realce à soberania e ao potencial de Portugal, como uma nação de muitas grandezas, se se assumir como é: a matriz da lusofonia, miscigenada e pelos quatro cantos do mundo repartida, mas unida pelo espírito e alma que tudo dinamiza. Portugal, sem prepotências, está no centro da lusofonia, que busca as forças de sua unidade, articulada em grande e enriquecedora multiplicidade. A matriz da lusofonia precisa ser honrada, sem arrogâncias ou prepotências, descabidas sempre... O Espírito democrático que preside às relações entre os povos lusófonos pode levar à presidência do nosso país um negro, ou um mulato, sem qualquer constrangimento. É questão apenas de consciência, competência e mérito. Afinal, também Portugal, hoje, é um país miscigenado, biológica e culturalmente. As pessoas medem-se pelos próprios méritos: democracia deveria ser meritocrática...

 

5. A Lusofonia, em sua realidade múltipla, é mais que uma União ou Federação de países soberanos mas solidários: é uma nova civilização que fortalece o bem-estar, a prosperidade da humanidade, em perspectivas mais humanitárias e solidárias. Portugal, no entanto, precisa saber superar esta fase de conspirações, que vai amortizando a alma audaz da nação. A satanização de Portugal, de sua alma e de sua história, e a grande mistificação que armaram para dominar a nação, precisam retomar o lugar que lhes cabe, para que a nação seja libertada em sua essência e real grandeza, sem romantismos balofos. Restaurar Portugal deve ser a nova voz de comando, em toda a nação e em toda a lusofonia.

 

  J. Jorge Peralta

 

Para ler mais, “Restaurar Portugal” (clique) http://tribunalusofona.blogspot.com/2009/11/restaura-portugal.html

 

(*)

http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://1.bp.blogspot.com/_yEum_8cpb_s/SXroeNN4MUI/AAAAAAAAFS8/vWgQBOGgB1c/s400/Estatua%2BVila%2BVic%2B3.bmp&imgrefurl=http://torredahistoriaiberica.blogspot.com/2009/01/o-cavalo-do-rei-d-joo-iv-de-portugal.html&usg=__pobNKBlkMHDj3eqY4qNWIn1SIoY=&h=301&w=400&sz=21&hl=pt-pt&start=17&zoom=1&tbnid=2o044HGhIEKyjM:&tbnh=158&tbnw=213&prev=/images%3Fq%3DD.%252BJo%25C3%25A3o%252BIV%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=499&ei=VLoHTeazHsXA8QPQ_dE2&oei=SboHTfn1D8GytAb9yfXDDQ&esq=2&page=2&ndsp=12&ved=1t:429,r:11,s:17&tx=87&ty=85 

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:36
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Dezembro 13 2010

ou

 

DA ÉTICA E SEUS FUNDAMENTOS

 

Nos tempos que correm só se pensa na competitividade; eis o pós-modernismo em toda a sua pujança.

 

O pós-moderno é ateu ou, no mínimo, agnóstico; para ele a vida é esta em que estamos e mais nenhuma. Por isso mesmo quer TUDO, e JÁ! E como não se sente vinculado a uma Moral, também ignora a correspondente Ética. Ou seja, tudo vale para que alcance imediatamente a sua própria felicidade sem sacrifícios pessoais mas eventualmente à custa dos alheios. Egocêntrico, assume o egoísmo como algo de natural e fá-lo de consciência tranquila, sem sentimento de culpa, porque amoral e aético. Assim se confunde com hedonista sem sequer saber que o é nem o que tal palavra significa. O meu cão também é hedonista: quer todo o prazer de imediato; não gere a sorte da fortuna.

 

Chegámos ao ponto em que não se olha a meios para atingir o objectivo que cada um se auto-atribui sem querer minimamente saber se tal desiderato corresponde ou não ao bem comum. A desorientação global resulta da abdicação que os governos fizeram de todos os conceitos para além da sacralizada competitividade.

 

Não havendo uma Autoridade democrática que inequivocamente defina o bem-comum, corre-se o risco de aparecer alguém que o faça marginalmente à democracia. E o que não é democraticamente discutido pode com toda a facilidade não corresponder ao bem comummente definido.

 

E, então, foi assim: quando a inovação tecnológica deixou de proporcionar as margens de lucro ambicionadas por estes vorazes, restou-lhes a matéria-prima alvo da sua cobiça, o dinheiro. Assim foram os «capitães de indústria» substituídos pelos magnatas da finança e do investimento produtivo se passou à especulação bolsista em que se vende «gato por lebre» sendo que até vendem o gato mesmo antes de o comprarem.

 

E de tanto dela abusarem, a corda da sorte esticou, rebentou e ficámos a braços com a bancarrota mundial… As poucas lebres andavam perdidas no meio de muitos gatos e saíram da cena todas arranhadas.

 

Que fazer? Eis a questão cuja resposta não passa pelo encarceramento do todos os culpados pois não há grades suficientemente grandes para aprisionar meio mundo. E a reciclagem de mentalidades vai demorar...

 

Creio que chegou a hora de celebrarmos uma missa de requiem pelo Liberalismo pois é altura de reconhecermos que não é ao mercado anónimo e suas forças ocultas que compete gerir o bem-comum. Vilfredo Pareto que me desculpe, reconheço as suas boas intenções mas dessa tarefa, a da prossecução do bem-comum, se devem encarregar em especial os Governos democraticamente eleitos com base em Programas claros e evidentes para o eleitor comum.

 

Liberalismo, R. I. P.

 

Mas não podemos celebrar por defunto sem lhe encontrarmos um herdeiro. E se a laicização da sociedade actual induz menos ao temor da ira divina do que nas dos nossos antepassados, pugnemos por princípios aceitáveis pelas elites futuras que orientem globalmente a sociedade em que hão-de viver os nossos sucessores. Para isso cito D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, no seu livro “1810-1910-2010 DATAS E DESAFIOS” na pág. 121: «as coisas não são boas ou más porque Deus as mande ou as proíba; antes as manda porque são boas e as proíbe porque são más». Ou seja, tanto o bem como o mal existem fora da discussão teológica e por isso é possível erigirmos uma Ética agnóstica que se fundamente nos princípios do Decálogo, na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 e nos Valores Humanistas de inspiração Lusíada.

 

Chegámos a Finisterra: só nos resta atirarmo-nos ao mar ou darmos meia volta e meditarmos ponderadamente o que queremos fazer da vida.

 

Por que esperamos?

 

 Bragança_2007-1.jpg Henrique Salles da Fonseca

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 19:50
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