Elos Clube de Tavira

Maio 31 2010

 

 

Dia útil significa que outros haverá, os Sábados e Domingos, que são inúteis.

 

Para quem tem Fé e celebra ao Sábado ou Domingo, essa classificação não faz sentido; para quem trabalha duramente de segunda a sexta, é aos fins-de-semana que descansa e não pode concordar com a inutilidade desses dois escassos dias; quem está aposentado ou vive dos rendimentos não tendo uma missão muito específica a desempenhar enquanto os outros trabalham, não vê por certo qualquer razão para distinguir os dias segundo um critério de inutilidade.

 

Portanto, os Sábados e Domingos são dias tão úteis como os outros só que neles devemos escrever coisas simples para não ocupar demasiado a mente de quem faz as suas orações ou apenas «carrega baterias» para a semana seguinte. Assim fiz.

 

Coisas simples são triviais, conhecidas de todos, vulgares. O dicionário ainda lhe junta mais o adjectivo ordinário, palavra de que não gosto por possível confusão com ordinarice. É que com esta não pactuo em qualquer dia da semana, útil ou inútil.

 

E das coisas mais triviais que hoje conhecemos, refiro o tom dramático dos noticiários que nos são metidos em casa explorando tudo o que há de negativo em Portugal como que a quererem convencer-nos de que por cá tudo é mau e que lá fora é que é bom. É que a exploração da morbidez e da inveja faz audiências e estas dão publicidade que factura. E assim anda o País a reboque da factura de uns poucos enchendo as bocas de quase todos com desgraças e maledicências.

 

Até que um dia houve em que uma televisão transmitiu um filme pirata duma professora e uma aluna à luta em plena sala de aula. Foi aí que o País viu a desgraça real em que se deixou cair e em que o escândalo foi mesmo sério. Mas pouco terá facturado pois ninguém imaginava que o impacto iria ser tão grande. E os cultivadores da desgraça, os que querem que tudo assim continue, logo arranjaram argumentos para punir o verdadeiro “Salvador da Pátria” que foi o aluno que fez o filme e nos mostrou como nos faz falta um enorme puxão de orelhas.

 

Os Professores fazem-me hoje lembrar os domadores de feras. Deixaram de ter como principal missão ensinar o programa oficial, passaram a ter que domar umas criaturas que os pais largaram na praça pública aos gritos de que tudo lhes é devido, que a tudo têm direito sem esforço. É assim que os políticos têm falado aos paizinhos e estes transmitem aos filhos todas essas irresponsabilidades transfiguradas em direitos. Para agravar a situação, esses paizinhos demitiram-se da função de educadores e endossaram essa tarefa aos Professores que tiveram que a somar à que inicialmente lhes competia e que era muito simplesmente a de aduzirem cultura geral aos alunos.

 

É claro que agora o esforço de retorno à vida responsável a nível nacional, ao inadiável realismo, vai ser um processo muito doloroso e os primeiros a apanharem por tabela são os Professores. E como os paizinhos não perceberam que a vida de irresponsabilidade que o regime de laxismo lhes incutiu já acabou, revoltam-se e … vão às Escolas bater nos Professores. E quem não consegue bater-lhes, calunia-os, nomeadamente na Internet.

 

Entretanto, conduzida a Justiça a um estado de evidente inoperância, isso sugere aos caluniados que não actuem pelas vias que seriam utilizadas numa qualquer sociedade em que a ética da responsabilidade [1] fosse um valor no activo.

 

Eis como em Portugal está em curso um parto com dor.

 

Eu tinha prometido tratar de coisa simples. Espero ter cumprido.

 

 Henrique Salles da Fonseca

 

[1] - Sobre a ética da responsabilidade, v. Sloterdijk, Peter – ‘Palácio de Cristal’ – Relógio d’Água, 1ª Edição, Fevereiro de 2008

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:12
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Maio 30 2010

 

... atribuído a Eduardo Ferraz da Rosa

 

 

A Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), com sede em Lisboa, acaba de atribuir o Prémio Anual de Imprensa Regional de 2010 ao Escritor, Ensaísta e Professor Universitário açoriano Dr. Eduardo Ferraz da Rosa, conforme deliberação do respectivo Júri Nacional constituído pelo Prof. Dr. Carlos Manuel da Silva Gonçalves (Presidente), Dr.ª Joana Ramada Curto (Secretária-geral da Associação Portuguesa de Imprensa), D. João de Castro de Mendia (Conde de Resende), Dr.ª Maria Noémia Leitão e Hélder Sobral de Mendonça.

 

O Prémio agora atribuído será entregue durante a Sessão Solene Comemorativa do 149º Aniversário da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, a decorrer no próximo dia 24 de Maio, no Palácio da Independência, sede da Instituição, em Lisboa – fazendo-se o Premiado pessoalmente representar pelo Prof. Doutor Mendo Castro Henriques, Presidente do IDP –, e foi concedido, conforme deliberação do Júri, ao Dr. Eduardo Ferraz da Rosa pelo conjunto de Artigos e outros Textos publicados nos Jornais açorianos “Diário Insular”, “A União”, “Açoriano Oriental”, “Diário dos Açores” e “Correio dos Açores”, durante o ano de 2009.

 

Instituído em 1987 por esta Sociedade Histórica portuguesa (http://www.ship.pt/), o distinto Galardão (que inclui um Troféu, um Diploma de Honra e um Prémio Monetário), destina-se a “galardoar, anualmente, artigos publicados na Imprensa Regional do ano anterior à atribuição do Prémio e que salientem fundamentalmente os valores que contribuem para a definição da Independência de Portugal e da Identidade do País, nos seus aspectos culturais, políticos e económicos”.

 

Ex-Conselheiro Nacional de Educação em representação da Região Autónoma dos Açores (1991-92), Eduardo Ferraz da Rosa nasceu na Praia da Vitória (Ilha Terceira), a 2 de Outubro de 1954.

 

Fez Estudos Secundários em Angra do Heroísmo e nos EUA, é Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e Doutorando em Ciências Biomédicas no Departamento de Ciências do Comportamento do ICBAS (Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, Universidade do Porto).

 

Professor Assistente no Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores (1988-1999), leccionou na Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo e foi Director da Biblioteca Geral do Hospital de Angra do Heroísmo. É Investigador Associado do SEEBMO (Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular) e Consultor do Governo dos Açores (SRPCBA).

 

Antigo Assessor Cultural das Câmaras Municipais de Angra do Heroísmo e da Praia da Vitória, o Dr. Eduardo Ferraz da Rosa é Sócio Efectivo do Instituto Cultural de Ponta Delgada, da Academia Mariana da Horta, do Instituto D. João de Castro, da SHIP e do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira.

 

Com vasta produção bibliográfica em Livros, Revistas e Jornais, tendo ainda publicado Estudos e Ensaios académicos na revista Portugueses, Revista Portuguesa de Filosofia, Arquipélago, Boletim do IHIT, Atlântida e Insulana, Eduardo Ferraz da Rosa colaborou e colabora em todos os OCS dos Açores (Jornais, Revistas, Rádio, TV e Portais Digitais, sendo Colunista residente em “Azores Digital”), tendo também dirigido diversos Suplementos de Cultura, Arte e Ciência nos Jornais “A União”, “Diário Insular” e “Jornal da Praia” (Quinzenário de que foi Membro Fundador e seu primeiro Chefe-de-Redacção).

 

A Sociedade Histórica da Independência de Portugal é um instituto de Cultura e de Educação que visa a defesa da Identidade e da Independência de Portugal. Fundada em 1861, a SHIP é Pessoa Colectiva de Utilidade Pública (desde 1987), Grande Oficial da Ordem Militar de Cristo, Medalha de Mérito Municipal (Grau Ouro) da Câmara de Lisboa e Membro Honorário da Ordem do Infante.

 

 

SOCIEDADE HISTÓRICA DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL

Fundada em 1861 ▪ Pessoa Colectiva de Utilidade Pública

Grande Oficial da Ordem Militar de Cristo ▪ Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique

Medalha Municipal de Mérito, Grau Ouro, do Município de Lisboa

Delegação na Região Autónoma dos Açores

 

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 10:27
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Maio 29 2010

 

 http://fotos.sapo.pt/jNDmmrGLqpDb0FIOfZJt/s320x240

 

 

Hoje refiro-me à voracidade típica desta época post-modernista em que só se pensa na competitividade.

 

O post-moderno é ateu ou, no mínimo, agnóstico; para ele a vida é esta em que estamos e mais nenhuma. Por isso mesmo quer TUDO, JÁ! E como não se sente vinculado a uma Moral, também ignora a correspondente Ética. Ou seja, tudo vale para que alcance imediatamente a sua própria felicidade sem sacrifícios pessoais mas eventualmente à custa de sacrifícios alheios. Egocêntrico, assume o egoísmo como algo de natural e não olha a meios para alcançar os seus fins. E fá-lo de consciência tranquila, sem sentimento de culpa, porque amoral e aético.

 

Quando a inovação tecnológica deixou de proporcionar as margens de lucro ambicionadas pelos vorazes, restou-lhes a matéria-prima alvo da sua cobiça, o dinheiro. Assim foram os «capitães de indústria» substituídos pelos magnatas da finança e do investimento produtivo se passou à extremada especulação bolsista.

 

Mas entretanto a corda esticou, rebentou e ficámos a braços com a bancarrota mundial.

 

Que fazer? Eis a questão cuja resposta não passa pelo encarceramento do todos os culpados pois não há grades suficientemente grandes para aprisionar meio mundo. E a reciclagem de mentalidades vai demorar...

 

Creio que chegou a hora de celebrarmos uma missa de requiem pelo Liberalismo pois é altura de reconhecermos que não é ao mercado anónimo e suas forças ocultas que compete gerir o bem comum. Vilfredo Pareto que me desculpe, reconheço as suas boas intenções mas dessa tarefa, a da prossecução do bem-comum, se devem encarregar nominativamente os Governos democraticamente eleitos com base em Programas claros e evidentes para o eleitor comum.

 

Liberalismo, R. I. P.

 

Mas não podemos celebrar por defunto sem lhe encontrarmos um herdeiro. E se a laicização da sociedade actual induz menos ao temor da ira divina do que nas dos nossos antepassados, pugnemos por princípios aceitáveis pelas elites futuras que orientem globalmente a sociedade em que hão-de viver os nossos sucessores. Para isso cito D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, no seu livro “1810-1910-2010 DATAS E DESAFIOS” na pág. 121: «as coisas não são boas ou más porque Deus as mande ou as proíba; antes as manda porque são boas e as proíbe porque são más». Ou seja, tanto o bem como o mal existem fora da discussão teológica e por isso é possível erigirmos uma Ética agnóstica.

 

Por que esperamos?

 

Outubro de 2009

 

 Henrique Salles da Fonseca

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:35
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Maio 28 2010

Foto: Arquivo particular

 

 

Dizem os psicólogos e filósofos que viver o seu tempo implica em adequar comportamentos às diferentes necessidades de cada etapa da vida. Viver a vida é aprender a lidar com perdas e ganhos, é fazer escolhas, seguir caminhos, é entender e aceitar as mudanças que marcam o nosso destino, quando não há mais volta.

 

Para a criança o passado é quase inexistente, foi ontem, ainda não deixou marcas suficientes para construir uma história. O presente se faz de uma maneira intensa, marcante, onde a cognição dá à criança aquele ar puro, abstracto, inocente, de quem olha o mundo pela primeira vez. O futuro é um largo e dilatado horizonte, onde não se vê o fim, só inúmeras possibilidades fantasiosas.

 

É na infância que percebemos e aprendemos a ver o que nos cerca, a conhecer pessoas e objectos de maneira clara, sem preconceito de qualquer espécie, de uma forma natural e intuitiva, livres de pensamentos volitivos. É nessa fase da vida que o cérebro procura incessantes novidades para se alimentar e desenvolver, para armazenar imagens e sensações na memória. No futuro isso lhe dará a consciência, a básica cosmo-visão, a compreensão que, junto à educação e à genética, a fará um adulto lúcido ou toleirão, um bom ou mau cidadão. Nos lares normais e estruturados é na meninice que se é mais feliz. O mundo infantil se resume a quadros familiares, teatrais restritos, repetitivos, exclusivos, onde a criança vive harmoniosamente protegida e suprida nas suas elementares necessidades. Os anos passam, a criança cresce e se transforma num jovem em busca de identidade própria. Tem anseios e desejos, sonha, tem ilusões. É a idade das inquietações, quando se espera tudo do mundo, principalmente a felicidade. É o tempo das revoltas ao ver as injustiças, é quando se quer mudar o mundo, acusando-o da pobreza material e da vacuidade da sociedade. É nesse tempo que se entende que para se conseguir o que se quer é preciso abdicar de algo, fazer sacrifícios, lutar. É na juventude que se aprende que realizar sonhos tem um preço. É nessa época de vigor, de escolhas ainda não sedimentadas, de tentativas, de erros e acertos, que o futuro é possível.

 

À medida que se aproxima a maturidade pouco a pouco se fecham portas, diminuem as opções de vida, as alternativas profissionais. Não se decidindo, o homem acaba sendo levado pelas oportunidades ou pelas necessidades. Aos 40 anos está completo. É um profissional, tem uma posição social e responsabilidades familiares. É a fase das realizações, das conquistas, das vaidades. Mas também é a época das perdas, dos lutos, dos arrependimentos, das frustrações, quando a vida não lhe traz o que gostaria. Mudar de comportamento, de vivências, é cada vez mais difícil. A vida fica menos flexível, as oportunidades são menores, o campo de actividades mais restrito. Porém, se as energias vitais ainda são suficientes e se ainda tem “ fichas para gastar”, com ajuda do psicólogo, pode recomeçar.

 

O homem ao chegar a velhice está mais ilustrado, tem mais a oferecer que para receber da sociedade. Sabe quem é. Liberto das paixões, das tolas vaidades, não precisa disputar mais nada. Sabe que tudo um dia acaba. A vitalidade física cai, perde as ilusões, a memória apaga as más recordações, retém os bons momentos, como flashes. Fica o conhecimento abstracto subentendido na infância, conceitos e valores pessoais, visão do passado. A vida urge, encurta porque a memória do tempo rotineiro vivido aos poucos se esfumaça. O velho vivência o que acumulou de conhecimento em si mesmo. Faz o que pode e depois esquece.... É a memória falhando. O que lhe importa ao final de seus dias é a segurança material, o carinho da família, o bem-estar. À consumação das energias vitais, quando expira o seu tempo existencial, a morte natural passa a ser leve, até desejada como o descanso final.

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 01/04/10

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:26
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Maio 27 2010

Kinshasa and Brazzaville on opposite sides of the Congo river

Kinshasa vista a partir de Brazzaville. Ou será o contrário?

http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://congoplanet.com/pictures/gallery2/kinshasa_congo_brazzaville.jpg&imgrefurl=http://congoplanet.com/picview.jsp%3FpictureID%3D19%26n%3D1%26ch%3D38&usg=__XMBdyfike3zQFs8sn_Xgvmu4_Ec=&h=399&w=534&sz=49&hl=pt-PT&start=13&um=1&itbs=1&tbnid=GUqCZkPlbGm1oM:&tbnh=99&tbnw=132&prev=/images%3Fq%3Dbrazzaville%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26gl%3Dpt%26tbs%3Disch:1 

 

 

Em 1963, por sugestão do distribuidor da cerveja Cuca em Cabinda, foi decidido fazer um rápido estudo de mercado para a eventual exportação de cerveja para o Congo, ex-francês, hoje Zaire, e da decisão de gabinete à acção foi um instante.

 

A viagem revestiu-se de algumas situações caricatas hoje, mas cansativas. Começa com a saída de Luanda, num vôo da Air Congo, uma subsidiária da Air France, num avião quadrimotor. Dois passageiros para embarcarem para Brazzaville. O avião, quase o único ali estacionado em frente ao edifício do aeroporto, horário de saída de acordo com o previsto, tudo aparentemente em ordem, vou aguardar na esplanada, onde havia um pequeno bar. Só outra mesa ocupada, com o outro passageiro. Chegada a hora vêm avisar que o vôo ia sair um pouco atrasado. Uns trinta minutos. Depois destes trinta, mais trinta.

 

Da esplanada via-se algum movimento em volta do avião. Um ou dois mecânicos e mais uns tripulantes, o que pressupunha problema técnico.

 

- Afinal o que se passa? Já estamos com três horas de atraso e nada?

- É o motor de arranque que não funciona, mas já estão a terminar.

 

Mais uma hora.

- Então?

- Quebrou-se a corda.

- Essa agora! Quebrou-se a corda? Qual corda? Não me diga que aquilo é como os motores “outboard” que pegam com uma corda?

- Não sei. Mas foi o que me informaram.

 

Nessa altura os dois únicos passageiros para aquele vôo e também únicos clientes no bar esplanada do aeroporto, já conversavam e dividiam cervejas que iam bebendo em conjunto e quando olham para o avião, vêem, com espanto q.b. um pequeno tractor a ser engatado a uma corda, por sua vez enrolada à volta do motor do avião!

 

- Querem ver que é verdade? Que aquilo pega mesmo como os motores dos barcos!

 

Azar o nosso porque o tractorista não era marinheiro e, arrancando de repente, voltou a quebrar a tal corda. Matámos a charada, continuámos esperando, já se fazia noite e no aeroporto não havia mais cordas! Decidi intervir.

 

- Se vocês continuarem a usar o tractor de esticão, não há corda que aguente! Expliquei a complexa tecnologia da corda!

 

Passado um bocado chegou outra corda e eu gritava do alto da esplanada: - Cuidado. Devagar. Devagar.

 

Duvido que tenham ouvido alguma coisa mas assim mesmo procederam e o motor pegou. Não foi necessário que nos chamassem. Corremos os dois, passámos o controle (só havia dois a controlar e já tínhamos sido convenientemente controlados) e levando um monte de vento e poeira no nariz, porque o motor ficou ligado e era o que ficava do lado da porta do avião, lá nos acomodámos.

 

O vôo fazia escala em Pointe Noire, na costa, um pouco ao norte de Cabinda, onde aí sim, entrou um bom número de passageiros, sem que o motor fosse desligado. Chegámos, só com seis horas de atraso a Brazzaville!

 

O hotel, reminiscência do savoir vivre francês nos trópicos, era uma delícia. Fora da cidade, no topo de um morro, uma maravilhosa vista sobre o rio Congo, enorme, larguíssimo, caudaloso, vendo-se em baixo a cidade e na outra margem a capital do ex Congo Belga, Leopoldville, hoje Kinshasa. Quartos amplos, confortáveis, muito bom gosto, bela sala de jantar, larga varanda em toda a frente sobre o rio... Muito bom.

 

Sair dali só de taxi. A pé até à cidade não era nenhuma viagem, atravessava-se uma parte de estrada sem casas, só mata, depois a área suburbana e finalmente o centro onde habitualmente se encontram, ou encontravam, os lugares de decisão económica, e além disso, África é quente! A nossa pele, segundo os especialistas e nós mesmo constatamos, aguenta mal o calor, pior ainda quando se tem que aparecer vestido minimamente decente para tratar de negócios. Não necessariamente de casaco e gravata, mas pelo menos que não se esteja coberto de poeira e suor!

 

Nas andanças pela cidade cruzei-me com um angolano, de Benguela, que eu conhecera no meu primeiro ano de Angola. Espanto mútuo, o que faz você aqui, quando chegou, etc. Ele vivia ali refugiado. Perseguido pela famigerada PIDE, trabalhava como locutor da Rádio Brazzaville nas suas emissões em língua portuguesa dirigidas aos povos de Angola, mentalizando-os, incitando-os à luta contra o colonialismo. Já não me lembro, nem um pouco, do seu nome. Só tenho ideia que era bem mais velho do que eu, (uns dez ou quinze anos?) baixinho, entristecido por viver longe da terra de que tanto gostava, apesar de não ter, que me lembre, quase cor alguma nas veias. Tinha, sim, amor à terra. Mas...

 

Ficou entusiasmado com a minha presença e com a ideia de Angola, a sua terra, ter já uma indústria capaz de exportar. Bebemos umas cervejas e pediu-me para me entrevistar lá na Rádio.

 

- Com uma condição. Nada de políticas.

- Só quero falar da nossa terra e mostrar aos angolanos que até temos uma companhia que pode exportar cerveja para aqui. Se eu sinto orgulho disso, penso que todos os angolanos gostarão de saber.

 

Combinámos os tópicos da conversa e no outro dia lá fui. Meia hora de conversa radio difundida sobre Angola. Verdade, verdadinha, fiquei com receio de após o meu regresso ser chamado à PIDE. Não fui, mas os gajos não devem ter deixado de vasculhar a minha vida!

 

Perguntei-lhe se correria algum perigo em atravessar o rio e visitar Leopoldville. Eu era português, vivia em Angola, e do Zaire saíam muitos guerrilheiros para ali combaterem. Podia ir descansado.

 

Dia seguinte, Sábado, cauteloso, desconfiado, e porque não?, receoso, lá fui. Atravessei aquele imenso e caudaloso rio e, uma vez na outra banda achei que a melhor maneira de visitar a cidade seria de taxi. Foi. O motorista era um sujeito novo, simpático p’ra caramba, muito prestável.

 

- Onde o senhor quer ir?

- Eu não conheço nada, nada, de Kinshasa. É a primeira vez que aqui venho, estou de passagem em Brazzaville, e vim fazer um pouco de turismo. Você vai ser o meu cicerone. Leva-me onde quiser, demora o tempo que quiser, e vai-me explicando o que achar que vale a pena.

 

Olhou para mim com ar de espanto e lá vamos nós beirando o rio, acompanhando a corrente. Via-se na outra margem, altaneiro, o hotel onde eu estava hospedado e, agora do nosso lado, numa imensa fortaleza em posição igualmente altaneira, fortemente guardada por soldados, a residência de sua majestade o dono do Zaire, Joseph Kasavubu.

 

Muito mal dele falou o motorista! Como todos, tinha esperado que a independência trouxesse uma melhoria generalizada para o povo! Coitado.

 

Seguimos um pouco por fora da cidade, que como qualquer cidade, em qualquer parte do mundo, pouco tem para mostrar! No regresso, numa praceta no meio dum cruzamento de duas ruas, ou avenidas, dois carros chocados e uma meia dúzia de homens todos discutindo.

 

Fomo-nos aproximando e já em cima diz-me o eficiente cicerone:

 

- Isto é normal. Esta gente conduz de qualquer modo e depois de chocarem saem dos carros e esmurram-se. Mas este acidente é melhor! Um dos carros é de um ministro que está apanhando porrada do outro que não quer saber se ele é ministro!

 

Deixámos a caricata refrega acesa! No meio dum cruzamento um ministro sai do carro, depois de chocar com um cidadão comum, para reclamar sem razão, só porque se investia na dignidade de ministro, e apanha uns chapadões no focinho! Quem dera que essa moda chegue ao Brasil! Ou a Portugal.

 

Vamos em frente. Voltámos ao ponto de partida. Paguei a corrida, e dei uma boa gratificação ao simpático motorista, africano puro, mas gente boa. Gente simples.

 

Faltava ainda meia hora para o ferry sair de volta a Brazza. Numa praceta perto do cais um vigarista sacava dinheiro aos simplórios que se atreviam a apostar adivinhando onde estava ou estaria uma moeda escondida debaixo de um de três copos invertidos. Conhecem aquele jogo, não é? O famoso jogo da Laranjinha. O sujeito coloca a moeda debaixo de um dos copos, troca a sua posição com bastante velocidade de um lado para o outro, a gente segue com a vista o copo debaixo do qual ele colocou a moeda, aposta que está lá, mas não está. Não está nunca em lugar nenhum porque aquilo é um truque de mãos e a moeda fica sempre escondida na mão do habilidoso vigarista, que assim, ganha sempre. Rouba sempre. Uns dez ou quinze de volta do vigaristazito, largando algumas notas que eram perdidas, sempre acompanhadas dum Oohh! de espanto, porque de facto a moeda nunca estava onde todos tinham a certeza que devia estar!

 

Aproximei-me, já conhecia o truque, e fiquei um pouco a ver e divertir-me a ver aquelas caras quando perdiam! O vigarista quando me viu achou que tinha ali pato mais rico, o único claro no meio de tantos escuros, e insistia para que eu apostasse também. Não. Só ver. Quase a hora da saída do barco, achei então que para despedida, e retribuir um pouco pelo espectáculo que me tinha ocupado os últimos momentos naquela cidade e país, decidi também pagar uma nota para ver. Ainda nem tinha perdido, como todos os outros, quando surge a polícia para prender o vigarista e mais os que estavam jogando! O meu coração bateu com força, tanto mais que não era fácil disfarçar-me sendo o único facilmente diferençável! Aquela gente foi sensacional. Rodearam-me, procurando interpor-se entre mim e os polícias que corriam na nossa direção, e diziam-me:

 

- Foge, foge depressa!

 

A uns vinte metros dali havia um café, bar. Eu não podia correr porque ainda mais nas vistas daria. Rabo entre as pernas virei costas e consegui entrar no café, de onde através das janelas conseguia acompanhar o que se passava. O vigarista apanhado, discutia com a polícia que acabou por levá-lo. Os apostadores e meus protectores mostravam-se satisfeitos por me verem a salvo, e faziam-me sinal para que me mantivesse ali escondido ainda um bocado. Pedi uma cerveja que bebi com a mão trémula e deixei-me ali ficar até que a vida naquela praça e os batimentos do meu coração voltassem ao normal. Logo que pude fui para o cais e no primeiro barco voltei para Brazzaville, para o hotel! O susto foi forte!

 

Ficou-me de Kinshasa a saudade daquela atitude do povo que, parecendo impossível, protegeu o único branco que por ali se tinha arriscado a “jogar” com eles!

 

Continua...

 

Francisco Gomes de Amorim

 

Do livro “Loisas da Arca do Velho”, inédito, 2001

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:26
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Maio 26 2010

 

 http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.sbastro.com/FeNIX/images/Passages07/DiliEastTimor.jpg&imgrefurl=http://www.sbastro.com/FeNIX/passages07.htm&usg=__vlO5S_15qvvdIyqM9mZ1YHTs7ak=&h=300&w=400&sz=14&hl=pt-PT&start=58&um=1&itbs=1&tbnid=5ar3xKe74dFVBM:&tbnh=93&tbnw=124&prev=/images%3Fq%3Ddili%26start%3D40%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26ndsp%3D20%26tbs%3Disch:1

 

 

Caros amigos,

 

Alguns sabem e outros nem por isso (e assim aqui vai a notícia) mas estou em Timor a dar aulas na UNTL (Universidade Nacional de Timor Leste) no âmbito de uma colaboração com a ESE do Porto.

 

Aquilo que vos venho pedir é o seguinte: livros. Não vou dar a grande conversa que é para montar uma biblioteca ou seja o que for, porque não é. O que se passa é o seguinte... não sei muito bem como funcionam as instituições, nem fui mandatada para angariar seja o que for, mas o que é certo é que sou (somos!) muitas vezes abordados na rua por pessoas que desejariam aprender português mas não possuem um livro sequer e vão pedindo, o que é muito bom.

 

O que é certo é que a minha biblioteca pessoal não suportaria tanta pressão e nem eu, nos míseros 50 quilos a que tive direito na viagem, pude trazer grande coisa para além dos livros de trabalho de que necessito.

 

COMO MANDAR?

 

Basta dirigirem-se aos correios (CTT) e mandarem uma encomenda tarifa económica para Timor (insistam porque nem todos os funcionários conhecem este tarifário!) e mandam a coisa por 2,49 €. Claro que a encomenda não pode exceder os 2 quilos para poder ser enviada por este preço.

 

Devem enviar as encomendas em meu nome (Joana Alves dos Santos) para:

 

Embaixada de Portugal em Díli

Av. Presidente Nicolau Lobato Edifício ACAIT

Díli - TIMOR LESTE

 

E O QUE MANDAR?

 

Mandem por favor livros de ficção, romances, novela, ensaio, livros infantis etc, etc. Evitem gramáticas e manuais escolares. Dicionários, mesmo que um pouquinho desactualizados são bem vindos. Este critério é meu e explico porquê. Alguns timorenses (estudantes e não só) são um bocado fixados em aprender gramática mas ainda não têm os skills básicos de comunicação. Parece-me melhor ideia que possam ler outras coisas, deixar-se apaixonar um bocadinho pelas histórias mesmo que não entendam as palavras todas, do que andarem feitos tolinhos a marrar manuais e gramáticas. O caso dos dicionários é outro. Um aluno, por exemplo, usa um dicionário português-inglês para tentar adivinhar o significado das palavras. Como o inglês dele tb não é grande charuto imaginam como é a coisa.

 

Bom, espero ter vendido bem o peixe do povo timorense. Falam pouco e mal mas na sua grande maioria manifesta simpatia pela língua portuguesa. De qualquer forma isto não vai lá (muito sinceramente) com umas largas dezenas de professores portugueses por cá. É preciso ter a língua a circular em vários meios e suportes. Espero que respondam ao meu apelo!! Eu por cá andarei sempre com um livrito na carteira para alguém que peça!

 

SE NÃO MANDAREM PELO MENOS DIVULGUEM

 

Joana Alves dos Santos

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:25
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Maio 25 2010

 

DELMAR ROSADO

 

Mar…O mesmo mar…

 

Mar…

O mesmo mar…

Que te banha por aí,

No areal de Monte Gordo…

nas Quatro Águas…

ou, na Ponta da Ilha, em Luanda…

É o meu,

 

Esse mar…

O mesmo mar…

Me banha por aqui,

nos recifes do Recife…

nas pedras de Xareu…

ou nas areias de Boa Viagem!!!

É o teu.

 

Serão…

as ondas de teu mergulho…

que me afagam por aqui?

Ou serão…

As do meu nadar… Q

ue te beijam por ai?

Mar… o

 mesmo mar que nos separa, nos beija…

nos deseja…

Nos une!

 

In “Não nasci em Pernambuco..mas sou Recifense”/2004

 

 ____________________________________

 

Delmar dos Santos Matias Rosado, nasceu em Tavira em 1936, onde fez o curso liceal. Depois do serviço militar e enquanto agente policial prestou serviço em várias localidades de Portugal e mais tarde em Luanda, onde, em funções de maior responsabilidade, se destacou pelo amor pátrio e o apego ao seu dever e às suas responsabilidades.

 

Em 1974 partiu para o Brasil e, desde então, vive no Recife, região que adora e onde, profissionalmente, trabalhou como gestor de obra na área da construção civil, de que está aposentado. Mas mantém-se activo nas letras e no convívio.

 

É poeta desde sempre. Cedo começou a publicar os seus versos no “Notícias do Algarve” e hoje, no Brasil, tem imensos trabalhos inseridos em “Palavra descalça” RS – Brasil, Valores Literários do Brasil, Antologia dos Poetas e Escritores Brasileiros. Medalha Almeida Victor de Incentivo à poesia.

 

Tanto o poema aqui transcrito, como todo o seu livro “Não nasci em Pernambuco…” exalam o perfume do seu duplo e simultâneo amor por Portugal e pelo Brasil.

 

 Luís Horta

Presidente da Mesa da Assembleia Geral do

Elos Clube de Tavira

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 19:30

Maio 24 2010

 

 

Há cada vez mais pessoas deprimidas devido a jornais e telejornais. Não é a sua vida que as entristece, mas as notícias. Muita gente sofre a crise na pele, mas muito mais sofre pelo que ouve ser a crise, que não sente. Isto é insólito, mas o pior é a explicação, que invoca pormenores laterais. A maioria diz-se infeliz pela situação do País, ou atribui a tristeza à má qualidade de políticos e jornalistas. Isso não anda bem, mas o verdadeiro problema não está nem numa coisa nem noutra, mas no grande mal-entendido dominante na suposta sociedade da informação.

 

A comunicação social apresenta-se como meio informativo e assim parece considerada pelo público. Mas de facto poucos a usam para se informarem. O que realmente compram é pensamento enlatado, opinião pronta-a-vestir. Nos jornais e telejornais obtêm-se, não dados para alimentar a reflexão, mas reflexão já cozinhada que se engole acriticamente. Para satisfazer essa procura, grande parte dos media, mantendo a ficção de meios informativos, transmitem ideias pré-fabricadas.

 

O mal não é as notícias serem enviesadas, pois é impossível relatar de forma neutra. Nem é haver excesso de comentário opinativo, em geral alheio ao fenómeno. O conhecimento requentado que gera a depressão é, não uma visão particular, mas a entidade vaga conhecida como "opinião pública", que pensa por todos. A opinião pública não corresponde a qualquer dos comentadores ou debates, mas ao que "toda a gente sabe", a referência central do momento. O que "toda a gente sabe" ninguém sabe de onde vem, mas costuma ser uma visão mesquinha, redutora, boçal e cínica sobre a realidade, normalmente simplista, enviesada e mal informada, frequentemente contraditória.

 

Um bom exemplo está na infelicidade nacional causada pela crise financeira. Portugal tem evidentes problemas económicos, que suscitam atenção e merecem alarme. Mas o que conta na vida não é o que nos acontece, mas o que fazemos com o que nos acontece. Perante uma dificuldade vê-se a fibra da pessoa. Ou do povo. Nada na nossa situação económica justifica uma depressão psicológica geral. Certas circunstâncias pessoais merecem desânimo devido à impotência e desamparo perante o brutal choque concreto. Mas o desalento geral face ao risco abstracto é cobarde, egoísta, oportunista e mercenário. A atitude tíbia e resmungona da opinião pública deve-se, não à crise, mas à opinião pública.

 

Aliás, os lamentos nascem da mesma atitude que gerou a crise. Só temos défice orçamental e dívida externa pelo excesso de regalias face ao que o País produz e pode pagar. Só temos desalento e irritação por causa da ilusão de um direito a um mundo sem crises, que gera indignação perante qualquer dificuldade. Mesmo na recessão, vivemos muito melhor que os nossos pais viviam. No entanto, embalados em pseudo-direitos adquiridos, balanceamos entre euforia e depressão.

 

Se o País vive um momento de aperto, é preciso diagnosticar a situação, confrontar a causa, procurar a saída. Cada um, ao seu nível, tem de suportar o sofrimento e enfrentar a dificuldade. Foi assim que ultrapassámos problemas muito maiores. Assim venceremos este. Pôr-se a lamentar bloqueios, bramar contra culpados remotos, insultar o País ou cair na auto-comiseração não se deve à recessão. Vem da falta de carácter. Este nosso problema é uma manifestação de um diagnóstico já antigo e muito mais vasto que a dívida lusitana. "A grande tradição intelectual que chegou até nós, desde Pitágoras e Platão, nunca se interrompeu ou perdeu com bagatelas como o saque de Roma, o triunfo de Átila ou todas as invasões bárbaras da idade das trevas. Apenas se perdeu após a introdução da imprensa, o descobrimento da América, a fundação da Royal Society e todo o progresso do Renascimento e do mundo moderno. Foi aí, se o foi em qualquer parte, que se perdeu ou se quebrou o longo fio, fino e delicado, que vinha desde a antiguidade remota. O fio dessa rara mania dos homens – o hábito de pensar" (G. K. Chesterton, 1933, St. Thomas Aquinas, cap. III).

 

  JOÃO CÉSAR DAS NEVES

DN 2010.05.03

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 07:32
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Maio 23 2010

 

Aumento da violência nas escolas reflecte

crise de autoridade familiar

 

 

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam que o aumento da violência escolar se deve a uma crise de autoridade familiar pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos remetendo essa responsabilidade para os professores.

 

Os participantes no encontro Família e Escola: um espaço de convivência, dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

 

As crianças não encontram em casa a figura de autoridade, que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

 

As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa, sublinhou.

 

Para Savater, os pais continuam a não querer assumir qualquer autoridade, preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos seja alegre e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

 

No entanto, quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os, acusa.

 

O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar, sublinha.

 

Há professores que são vítimas nas mãos dos alunos.

 

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que ao pagar uma escola deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão psicologicamente esgotados e que se transformam em autênticas vítimas nas mãos dos alunos.

 

Mais afirma: a liberdade exige uma componente de disciplina que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

 

A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara, afirma, recomendando aos pais que transmitam aos filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, uma oportunidade e um privilégio.

 

Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina, frisa Fernando Savater.

 

O filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos.

 

Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo e isso leva-os à rebeldia, afirmou.

 

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade pois mais vale dar uma palmada, no momento certo do que permitir as situações que depois se criam.

 

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

  Fernando Savater

http://4.bp.blogspot.com/_DVIhvfZ_fM8/SQSbaRkIuqI/AAAAAAAAAok/ZS2r-cXTczU/S220/mostra_fotografiaautor.gif

 

(texto recebido por e-mail; autoria de jornalista não identificado)

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 12:49

Maio 22 2010

 

 

Dicionário da autoria de António Cabral e editado em 1975

 

http://www.malhanga.com/flipbook/dicionario.nomes/index.html?pageNumber=1

 

• Para já ficam as letras A a D...

• Depois, com tempo, o que falta do livro; ao todo, são 170 páginas.

• O acesso é muito fácil – clicar nas setas situadas no rodapé, ou então folhear as páginas com o cursor do "rato". Para aumentar...basta clicar sobre as mesmas.

• Não esquecer de clicar na tecla do monitor completo, que está no rodapé, para encher a tela.

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 14:37

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