Elos Clube de Tavira

Fevereiro 24 2010

  
 
Foto: Mário Rodrigues
Fonte: Revista Veja (10 de Fevereiro 2010, pág. 87)
 
 
Dificilmente nos dias de hoje alguém não tem qualquer veículo de informação à mão. Com a tecnologia avançada de comunicação, através de satélites, conseguimos saber o que acontece em qualquer parte do mundo em segundos e ao vivo. O problema é que são tantas as informações que nos chegam e tão rápido, que mal se tem tempo de digeri-las e de interpretá-las.
 
A sociedade contemporânea trocou o silêncio da observação pelo barulho estridente das notícias.  Através de torrentes de imagens e de palavreado convencional elas embotam nossos sentidos, confundem as nossas ideias, paralisam os nossos pensamentos, sugerem opiniões, “fazem” a nossa cabeça.
 
No Brasil, a grande maioria da população pouco ou nada lê. As notícias e a instrução chegam através da TV. Não temos cabedal educacional para avaliar com clareza. Como povão, falta-nos uma educação básica de qualidade que instrua, que esclareça, que ensine a valorizar os conhecimentos e a herança cultural que nos faz o que somos.  E a culpa, como insinuam os nossos intelectuais, não é exclusivamente do nosso passado colonial subserviente e ignorante,  ou do cabresto autoritário dos antigos coronéis da Republica. A culpa maior é das “elites” que governaram a nação brasileira que,  através dos tempos,  relegaram a segundo plano a educação, a ponto de torná-la cada vez mais fraca e insuficiente para uma população crescente em número e em ignorância. Faltaram investimentos e interesse político verdadeiro. Qualquer um sabe que é mais fácil conduzir um povo cego de conhecimentos e financeiramente dependente do Estado,  que um povo esclarecido e economicamente auto-suficiente. Só assim pode-se tentar entender a mentalidade acomodada e permissiva da maioria da população brasileira que ignora a corrupção e mazelas do governo.  Mas o povo não é tolo, sabe que a festa um dia acaba. Afinal, o dinheiro distribuído e levado nas cuecas não cai do céu, vem de quem trabalha e produz, vem dos impostos pagos por todos nós.  Se não houver produção e nem serviços não há pão,  muito menos benefícios. A diminuição da pobreza, fantasia do governo, não acaba com a distribuição de cestas ou esmolas. Acaba dando serviço e escola, ajudando o individuo a se qualificar para o trabalho.
 
A história da civilização ocidental mostrou ao longo dos séculos, através dos estudiosos e filósofos que mudaram a mentalidade do homem e a face das nações, que o ideal de prosperidade, igualdade de oportunidades e tolerância nas diferenças só se consegue através do aprendizado e do trabalho duro e honesto. Como dizem nossos sociólogos e historiadores, se somos uma nação jovem, porque não aprender com eles, aqueles que já sentiram na pele as dificuldades da sobrevivência!
 
Temos quase dois séculos de independência e a população brasileira ainda se deixa emprenhar pelos ouvidos, ignorando a razão e o bom senso. Não sabemos argumentar, discutir o que a inteligência nos mostra dos discursos que insinuam o que a gente já sabe ou intuí,  só para dar a ideia de conivência.    Somos um país multirracial, multicultural, onde se abre espaço para todos os credos, cores e culturas. Temos uma Constituição que garante os direitos fundamentais do indivíduo, desde que não firam a soberania nacional. Só falta respeitá-la. Socialmente ainda labutamos para termos oportunidades iguais de desenvolvimento, o que só chegará com educação básica de qualidade e obrigatória para toda a nação brasileira. Não há saída milagrosa que nos traga a paz e o progresso que a bandeira nacional nos deseja e nem líder que nos dê a liberdade económica, que a gente sonha, só o estudo e o trabalho.  É isto que a história da humanidade nos mostra.  
 
Uberaba, 16/02/10
 Maria Eduarda Fagundes
publicado por Henrique Salles da Fonseca às 09:59

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