Elos Clube de Tavira

Março 25 2010

As Finanças são a perspectiva mais evidente da crise por que globalmente passamos.

 

Contudo, isso não passa de uma consequência de causas remotas de que pouco se fala. E também essa evidência tem consequências igualmente evidentes tais como as de índole económica sendo, dentre todas, a mais dramática, o desemprego.

 

E quais são, então, as causas estaminais? A falta de ética e a amoralidade dominante.

 

A Moral tem a ver com os princípios enquanto a Ética se reporta aos factos.

 

O sentido de obrigação moral provém fundamentalmente de quatro fontes:

 

• Da consciência pessoal de formação tanto laica como religiosa que leva os indivíduos a tentarem alcançar um sentido de integridade e consequente tranquilidade perante a sua própria consciência;

• Das regras comuns que a sociedade exige aos seus membros – por exemplo, todo o quadro legal;

• Dos códigos de ética profissional;

• Das expectativas convencionais inerentes aos deveres de um indivíduo.

 

Se por acaso alguma destas fontes seca, mingua ou se polui, o sentido de obrigação moral é automaticamente abalado nos seus alicerces, a atitude ética dilui-se e a sociedade fica desgovernada e desprotegida.

 

Eis as verdadeiras causas da actual crise.

 

Para a ultrapassar não basta regulamentar os mercados e construir códigos de ética profissional por muito férreos que se apresentem. Há que recuperar o sentido do dever individual por contraponto à panóplia de direitos e outras benesses que os demagogos apregoaram para ganharem eleições; há que reintroduzir conceitos que claramente recuperem o sentido do bem-comum; há que não hesitar na identificação do mal-comum. Só reformatando as consciências se poderá ultrapassar a actual crise que resulta da amoralidade reinante.

 

E os princípios em falta nem sequer necessitam de fundamentação divina. Basta que a cada um se faça saber desde a tenra idade que as mordomias se conquistam com esforço, por contrapartida do contributo que cada um dá para o bem-comum da sociedade em que se integra.

 

Sem cairmos na rudeza do princípio de «a cada um segundo a sua capacidade», não nos mantenhamos monoliticamente no de «a cada um segundo a sua necessidade» pois isso transformou-se na actual prática de «a cada um segundo a sua vontade». Mais prosaicamente, há deter a actual prática do «fartar vilanagem» em que o politicamente correcto é «laissez faire, laissez passer». Não é!

 

 

 Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

BIBLIOGRAFIA: Nye Jr, Joseph S.– LIDERANÇA E PODER, – Gradiva, 1ª edição, Abril de 2009

publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:57
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